Consórcio vai comprar as Caldas de Monchique e tem 10 milhões para investir

Consórcio de investidores é formado pela dona do vinho do Porto Taylor’s, pela Unlock Boutique Hotels e uma das empresas proprietárias das Águas de Monchique

Foto: Pablo Sabater|Sul Informação

O complexo termal das Caldas de Monchique vai ser comprado à Fundação do Oriente por um consórcio composto por empresas ligadas à hotelaria de luxo e por um dos sócios das Águas de Monchique.

A Assembleia Municipal monchiquense já aprovou um pedido de isenção do IMT – Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis, uma condição chave para que o negócio possa avançar e para que sejam investidos 10 milhões de euros na requalificação integral deste complexo turístico e do espaço público que o envolve.

Na prática, a aprovação da proposta significa que a Câmara de Monchique irá abdicar de cerca de meio milhão de euros em impostos. Uma decisão que não foi tomada de ânimo leve, garantiu ao Sul Informação o presidente da autarquia Rui André, mas foi uma opção tomada tendo em vista o bem do concelho, a médio e longo prazo.

Isto porque o pedido de isenção de IMT «tem associada uma série de medidas». Uma delas é o compromisso assumido pelos promotores de que «o dinheiro que não será cobrado será investido na melhoria do espaço público». Para além disso, «vai ser criado emprego qualificado».

Foto: Pablo Sabater | Sul Informação

O edil monchiquense admite que o valor em causa, que ronda os 500 mil euros, «seria muito importante para a Câmara». No entanto, acrescentou, os territórios do interior «têm muito pouca capacidade para atrair investimento», pelo que, por vezes, é necessário fazer escolhas.

«O ideal seria que o Governo discriminasse positivamente aqueles que se propusessem a fazer investimentos em concelhos como Monchique. Assim, teve de ser a autarquia a abdicar desta receita, para garantir que o investimento avança», disse Rui André.

«Temos todos o interesse que este negócio se concretize. Não é descabido afirmar que, nestes últimos anos, não tem havido muita dinâmica, nem investimento da parte da Fundação Oriente. Penso que será necessário um refresh e uma nova vaga de investimento, de dinamização e projeção daquilo que é o potencial enorme associado às termas», defendeu.

Rui André fala, inclusivamente, numa intenção de investimento «de cerca de dez milhões de euros», não só na renovação das unidades do complexo termal que já hoje estão em funcionamento, mas também «na reativação de edifícios que não estão a uso, atualmente».

Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

Outro dos fatores que levaram a Câmara a aprovar o pedido de isenção que lhe foi dirigido pelo consórcio que pretende comprar as termas de Monchique são os próprios promotores.

Desde logo a Taylor, Fladgate & Yetman – atualmente The Fladgate Partnership -, companhia que produz os vinhos do Porto Taylor’s, Croft e Fonseca e que também é dona de hotéis de luxo, como o The Yeatmen, situado junto ao Douro, em Vila Nova de Gaia, e com vista para a zona histórica do Porto.

Por outro lado, o consórcio conta, ainda com a Unlock Boutique Hotels, que tem no seu portfólio uma seleção de boutique-hotéis independentes e intimistas, localizados em Portugal. Outro dos promotores é uma das empresas proprietárias das Águas de Monchique.

No caso da The Fladgate Partnership, Rui André lembra a mais recente aposta desta empresa no setor da hotelaria, a renovação do Hotel Infante de Sagres, do Porto. «Pegaram num hotel que estava já algo degradado e tornaram-no num dos mais interessantes da cidade do Porto».

Além disso, «sendo uma das mais antigas e conhecidas companhias de vinho do Porto, poderá abrir possibilidades aqui para a nossa aguardente de medronho».

Foto: Pablo Sabater | Sul Informação

Apesar das vantagens apontadas pelo presidente da Câmara de Monchique, a decisão não foi consensual, nomeadamente entre os deputados municipais do PSD, o partido pelo qual Rui André foi eleito.

«Nestas questões, não há disciplina de voto. Alguns dos elementos da AM mostraram algumas reservas, não quanto ao negócio, mas quanto ao valor da isenção, pois consideravam que poderia ser parcial. No final, houve quatro votos contra e uma abstenção», num universo de 18 deputados municipais.

O PS, que embora seja oposição, tem mais elementos na AM que os social-democratas, ajudou a viabilizar a proposta.

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