Atas de Vereação de Loulé dos séculos XIV e XV são o novo Tesouro Nacional

Atas fazem parte do acervo do Arquivo Municipal de Loulé

As Atas de Vereção de Loulé dos séculos XIV e XV são o novo Tesouro Nacional. A classificação foi atribuída, de forma unânime, pelo Conselho Nacional de Cultura e aguarda apenas a publicação em Diário da República. 

Entre o conjunto de atas há uma que se destaca: a de 1384, considerada a mais antiga de Portugal.

«Há uma, do Porto, de 1387, mas a de Loulé data de 1384. Por isso podemos dizer que é a ata mais antiga, conhecida, em todo o país», explicou Dália Paulo, diretora Municipal, ao Sul Informação.

As atas de vereação de um concelho correspondem ao registo escrito das deliberações resultantes das reuniões entre os oficiais concelhios e a restante elite camarária, onde se debatiam os assuntos do dia a dia do município e dos seus habitantes.

Atas fazem parte do acervo do Arquivo Municipal de Loulé

Para Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, este é mesmo «um tesouro nacional» que o concelho possui.

«Ainda para mais, 1384 é um ano tão interessante, integrado num período de crise de sucessão ao trono. Temos a felicidade de ter essa ata desse ano e outras dos séculos XIV e XV que nos permitem fazer um estudo continuado da história local», disse o edil ao Sul Informação. 

«O que temos aqui é algo único no país e que é, sem dúvida, um recurso para também estudar a História de Portugal. O nosso Arquivo Municipal é um dos melhores do país», considerou o autarca.

Inicialmente, esteve prevista, para esta quarta-feira, 12 de Dezembro, uma cerimónia evocativa das Atas de Vereação como Tesouro Nacional. Só que, entretanto, o evento foi cancelado «devido ao facto de estar marcada, para o mesmo dia, a atribuição do Doutoramento Honoris Causa, pela Universidade do Algarve, ao professor Romero Magalhães», explicou Dália Paulo ao nosso jornal.

«Não teríamos connosco todas as pessoas que queremos para um momento tão importante. Ainda achámos que poderíamos conciliar as duas coisas, mas percebemos que não era adequado até pelo impacto que queremos dar à cerimónia», acrescentou.

A ideia agora é remarcar a iniciativa para «o início do próximo ano, entre Janeiro e o início de Fevereiro», revelou ao Sul Informação a diretora Municipal de Loulé.

Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé

A cerimónia vai contar com uma homenagem a Carlos Albino, jornalista louletano, que foi o principal impulsionador do processo que deu origem à classificação destas Atas como “Tesouro Nacional”.

«Sempre foi alguém que nos desafiou, e até a mim pessoalmente, para a valorização da nossa cultura e do nosso património. É uma homenagem justa», segundo Vítor Aleixo.

Estas Atas de Vereação estão, de momento, no Museu Nacional de Arqueologia, integrando a premiada exposição ““LOULÉ. Territórios. Memórias. Identidades”.

Com esta atribuição, o Algarve passa a ter dois Tesouros Nacionais: as Atas de Vereação dos séculos XIV e XV de Loulé e o Mosaico Romano do Deus Oceano, do Museu de Faro.

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