Vestígios arqueológicos de Quarteira vão dar origem a exposição em 2020

Equipa do Museu de Loulé conta com a colaboração de todos para este desígnio

Sessão do “Laboratório da Memória”, em Quarteira, com os arqueólogos Rui de Almeida e Pedro Barros

O Museu Municipal de Loulé quer fazer uma exposição sobre arqueologia no ano de 2020, em Quarteira, com base nos vestígios recolhidos em toda a freguesia. Até lá, a ideia é «ouvir as dicas da população» porque, apesar do grande acervo já existente, de sítios como Loulé Velho, «há muito mais a descobrir».

Esta é uma «exposição que vai ser aquilo que as pessoas quiserem que seja», disse Alexandra Pires, arqueóloga da Câmara de Loulé, ao Sul Informação. 

É que, explicou, «estamos a contar com a colaboração da população». «Temos recebido algumas pistas de pescadores, pessoas que fazem mergulho ou de outras que gostam de passear na praia e recolhem vestígios arqueológicos».

Também é a pensar nesta colaboração dos cidadãos que o Museu de Loulé tem organizado, em Quarteira, a iniciativa “Laboratórios da Memória”, cujo objetivo é, com efeito, ouvir histórias da população sobre os sítios em que poderá haverá mais vestígios.

Foi, por exemplo, o caso do mais recente “Laboratório da Memória”, em que foi falada a possibilidade de, nas zonas de Loulé Velho e Forte Novo, haver estruturas de paredes debaixo de água. Estas são pistas importantes para os futuros trabalhos arqueológicos a realizar.

Por exemplo, João Carlos Santos, investigador sobre a história de Quarteira e um dos “Guardiões do Património”, revelou, na mesma iniciativa, que, na zona de Loulé Velho, encontrou dois pesos de rede para pesca e, já no mar, a cerca de 8 milhas da costa, recolheu um recipiente em cerâmica.

«As pessoas podem apenas emprestar as peças que encontrarem para a exposição ou, se quiserem, doá-las ao Museu. Há um acervo grande na freguesia de Quarteira, mas há muito mais a descobrir. Algumas das peças já recolhidas estão, neste momento, na exposição no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, mas vão voltar», resumiu Alexandra Pires, em declarações ao nosso jornal.

Fragmento de cerâmica (terra sigilata) proveniente de Loulé Velho

Por agora, revelou, a equipa de arqueólogos do Museu de Loulé vai começar uma «nova fase de trabalhos sobre Loulé Velho». «Temos grande interesse em planear as próximas intervenções, uma vez que o sítio está a desaparecer», levado pelo mar, alertou.

Ainda assim, «pistas sobre outros possíveis sítios da linha de costa, que tenham vestígios arqueológicos, são para ter em conta». Sempre tendo como objetivo essa mostra sobre arqueologia que ainda não se sabe onde terá lugar.

Um dos possíveis locais para acolher a exposição pode vir a ser o futuro Centro Cultural de Quarteira, acerca do qual «haverá notícias brevemente», disse Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé, ao Sul Informação.

Quanto à mostra em si, é algo que o edil «vê com bons olhos e simpatia», por ser «mais uma iniciativa de divulgação do nosso património».

«Acredito num concelho com memória, educação e cultura. São áreas que têm de nortear o trabalho autárquico», referiu ainda.

E a verdade é que todos podem ajudar nesta exposição. Se tiver encontrado alguma peça arqueológica, na freguesia de Quarteira, pode entrar em contacto com o Museu de Loulé, através do telefone 289 400 885 ou do e-mail museu@cm-loule.pt.

Bocal de ânfora, proveniente de Loulé Velho

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