«União» é o segredo para o Algarve fazer do acordeão Património Imaterial da Humanidade

69ª edição do Troféu Mundial de Acordeão disputa-se em Loulé e pode dar um «grande impulso» a uma candidatura à UNESCO

«Não é um processo fácil», mas o segredo para o Algarve candidatar o acordeão a Património Cultural e Imaterial da Humanidade «está na união». O 69º Troféu Mundial, que vai decorrer de 3 a 9 de Novembro do próximo ano, em Loulé, é um momento importante que poderá dar um empurrão a este «desígnio regional». 

Não é a primeira vez que se fala nesta ideia, mas a conferência de imprensa de apresentação do Troféu Mundial de Acordeão, realizada esta quarta-feira, 24 de Outubro, em Loulé, serviu para voltar a colocar a questão na ordem do dia.

Dália Paulo, diretora municipal de Loulé, foi quem lançou o desafio. «E se, desta quarta edição do Troféu Mundial no Algarve, pudesse sair algo maior? Tornar o acordeão Património Cultural e Imaterial da Humanidade é um desejo de há muito tempo, mas é preciso trabalho e constituir uma equipa. Seria interessante que, no final desses dias, pudéssemos anunciar esse ponto de partida. É um sonho de muitos acordeonistas e uma homenagem aos grandes que tivemos na região», disse.

Gonçalo Pescada, acordeonista algarvio e professor, foi a pessoa diretamente instigada por Dália Paulo. «Loulé desafia aqui o Gonçalo Pescada a poder liderar um processo destes, claro que com a ajuda de entidades públicas. Mas não é algo para ficar no papel», sublinhou a diretora municipal do maior concelho algarvio.

O artista confessou-se surpreendido, mas não rejeitou, à partida, o desafio.

«Tem vindo a ser estudada a possibilidade de termos o acordeão como Património Cultural e Imaterial. É um processo que não é instantâneo… A proposta foi lançada, é uma porta que se abre. Vamos ver como decorrer todo o processo do Troféu Mundial», afirmou o músico.

Para Gonçalo Pescada, o segredo pode «estar na união» e esse «tem de ser o ponto de partida». Até porque um dos primeiros trabalhos a fazer é «uma seleção do que existiu no passado e do que há hoje na região».

A ideia também já tinha sido lançada, há dois anos, por Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura do Algarve, a mesma responsável que, ontem, apontou uma das chaves para o sucesso de uma possível candidatura. «Além de acreditar, temos de querer e esse desejo das comunidades e das associações é que ainda não está, se calhar, amadurecido», disse Alexandra Gonçalves.

Por agora, com ou sem candidatura, certo é que o facto de o Troféu Mundial se realizar no Algarve «vem dar um grande impulso aos acordeonistas da região», segundo Gonçalo Pescada, um dos organizadores. E engane-se quem pensa que este é um instrumento apreciado só pelos mais velhos, porque há, em Portugal e no Algarve em particular, muitos jovens interessados em aprender a tocar acordeão.

O evento contará com a presença de 52 delegações internacionais e cerca de 200 candidatos a concurso nas diferentes categorias de solista (música clássica e ligeira), música de câmara e orquestra.

«O Algarve tem uma capacidade excelente de organizar eventos, devido ao clima e ao bem receber», disse o acordeonista. A juntar a isto, «Loulé tem uma equipa de trabalho fabulosa», havendo uma «forte aposta na educação e na cultura», considerou.

E quem são os principais favoritos à vitória? A Rússia é um dos países com maior tradição, mas a China, França, Itália e Sérvia também aparecem em lugar de destaque.

Quanto a Portugal, também espreitará a sua oportunidade, com nomes como Aníbal Freire, José António Sousa, António Rosado, João Frade e até João Palma, um jovem louletano que tem estado nas bocas do mundo. 

O importante, disse Gonçalo Pescada, é que «todos possam assistir» a esta festa do acordeão, «porque vai ser um momento único na região».

Para Frédéric Deschamps, presidente da Confederação Mundial de Acordeão, que vê com bons olhos a candidatura a Património Cultural e Imaterial, a escolha do Algarve para receber, mais uma vez, o Troféu Mundial não foi difícil. «É uma terra de acordeão», disse.

«O acordeão é um instrumento recente, em comparação com o piano ou o violino, e essa juventude dá-lhe criatividade e liberdade para criar. Por isso, o Troféu é um concurso sempre em evolução», referiu. Neste sentido, uma das possibilidades é incluir uma categoria de “Corridinho”, dança tão típica do Algarve, na competição.

Já Pedro Pimpão, vice-presidente da Câmara de Loulé, vê esta competição como algo que agrega três pilares do executivo: a educação, a cultura, dando como exemplo a abertura do Conservatório de Música de Loulé, e o turismo. «É importante, porque trará pessoas na altura de decréscimo da atividade turística, ajudando a quebrar a sazonalidade», referiu.

E, se não puder assistir ao vivo, fique a saber que poderá ver as provas e as galas no Facebook da Confederação Mundial de Acordeão e no seu canal, o CMA Channel.

 

Fotos: Pablo Sabater | Sul Informação

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