Governo quer proibir loiça de plástico na Administração Pública, Quercus aplaude

Além da proibição da loiça de plástico, Governo quer reduzir em 25% o uso de papel e consumíveis na Administração Pública

O Governo vai proibir o recurso a loiça de plástico na Administração Pública e espera reduzir «em 25%, num ano, a despesa com consumo de papel e consumíveis».

Uma resolução tomada hoje, quinta-feira, em Conselho de Ministros, define as medidas «para a redução do consumo de papel, de consumíveis de impressão e de produtos de plástico na Administração Pública».

«A resolução terá caráter vinculativo para a administração direta e indireta do Estado, incluindo os institutos públicos de regime especial, para os gabinetes dos membros do Governo, e para o setor empresarial do Estado, aplicando-se, a título facultativo, à administração autónoma. O cumprimento dos objetivos fixados será avaliado a 31 de Janeiro de 2020», lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

A associação ambientalista Quercus já congratulou publicamente o Governo pela medida, considerando que são «pequenos passos no caminho certo».

«Relativamente à redução do consumo de papel e consumíveis em 25%, a Quercus considera que a medida poderia ter sido mais ambiciosa e sustentável, com a proibição do uso de papel em fibras virgens na Administração Pública, em utilizações de higiene e limpeza (papel higiénico e toalhetes de papel para limpar as mãos)», considerou a associação.

A Quercus também considera que estas medidas «poderão ter uma repercussão muita além dos corredores da Administração Pública».

Isto porque a proibição pode ter diversos efeitos positivos, desde logo «elevar o problema da poluição por plástico descartável a uma prioridade nacional». Por outro lado, também promove a educação ambiental junto dos funcionários públicos, «que poderão replicar estas medidas em suas casas», e poderá «ser um exemplo para o setor privado, desafiando as empresas a adotar medidas semelhantes com o intuito de reduzir o consumo de plásticos de utilização única».

«A proibição do uso de garrafas, sacos e louça em plástico descartável é um sinal de que o problema do uso abusivo de plásticos de utilização única, e as suas consequências para o Ambiente, é de facto um assunto sério que merece a maior atenção de Governos, Indústria, Empresas, ONGs e da Sociedade Civil em geral», reforça a associação ambientalista.

A decisão do Governo é ainda mais importante, numa altura em que o consumo de produtos descartáveis continua a crescer, «estimando-se que, só em palhinhas, sejam consumidos nos restaurantes portugueses anualmente palhinhas suficientes para dar a volta ao Planeta cinco vezes».

«A situação não é animadora. Estudos recentes mostram que 259 milhões de copos de café, 10 biliões de beatas de cigarros, 40 milhões de embalagens de take-away, 1 bilião de palhinhas de plástico e 721 milhões de garrafas descartáveis. Estes materiais são considerados como produtos de uso único e de curta-duração na medida em que a sua utilização limita-se a minutos e o seu destino muitas vezes acaba por não ser a reciclagem», concluiu a Quercus.

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