Comissão Vitivinícola acompanhou vindima de Negra Mole, a casta exclusiva do Algarve

A CVA tem vindo a apostar na promoção e divulgação, junto da distribuição e do consumidor final, desta casta autóctone, única no mundo

A Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA) acompanhou este Verão uma vindima de uvas Negra Mole, uma casta autóctone, que, em testes genéticos, foi classificada como a segunda mais antiga do país.

A vindima foi em parte feita em vinhas de 1942, de pé franco em solo arenoso, tão típico da região do Algarve.

Quem está mais informado acerca das castas dos vinhos ou costuma procurar um vinho que expresse toda a identidade particular de uma casta (os vinhos monocasta, por serem vinificados sobretudo com um tipo de uva), talvez já tenha ouvido falar, e até provado, um vinho feito apenas com Negra Mole – a casta mais emblemática do Algarve – e que já foi a mais utilizada na região para a produção dos seus vinhos regionais.

A Negra Mole está disseminada por toda a região, sendo ela uma das principais, ou até a única a integrar os lotes dos afamados e típicos Palhetes e Claretes algarvios.

Para os menos entendidos, os Palhetes podem obter-se com mistura de uvas brancas e tintas. No caso algarvio, a mistura era natural e feita com uvas apenas Negra Mole, pois, na maioria dos casos, é frequente os talhões de uvas desta casta conterem uvas brancas, rosadas e tintas, fazendo uma mistura natural de mosto mais claro e mais escuro e cujo resultado era um vinho tinto de cor muito aberta, mais ligeiro no sabor e bastante aromático e frutado.

«Bebia-se bem ligeiramente fresco e, é claro, combinava otimamente com os calores e a gastronomia algarvia, que no litoral era muito à base de peixe e vegetais», explica a CVA em nota de imprensa.

Os tempos mudaram e os gostos também, mas tem-se assistido a uma tendência gradual para a recuperação de algumas tradições, introduzindo «inovação e sobretudo mais qualidade e rigor».

Segundo a Comissão Vitivinícola, «muitos produtores estão cientes do potencial da casta Negra Mole, que tem a principal vantagem de existir apenas no Algarve, pelo menos com quantidade para a produção de muitos litros de um vinho diferente, original e que expressa bem o terroir regional».

Atualmente, há cerca de meia dúzia de referências de vinhos vinificados apenas com Negra Mole, entre tintos e rosados e também um Clarete, podendo já fazer-se uma prova diversa e específica desta Casta, com produções de qualidade, algumas delas medalhadas internacionalmente.

Nos vinhos, uma das maiores dificuldades de afirmação de uma região é «conseguir ter algo único, original e que, de preferência, combine isso, com história e histórias à sua volta. A região Vitivinícola do Algarve tem essa diferenciação. Chama-se Negra Mole, uma casta única no Mundo e só existente no Algarve», conclui a CVA.

 

Fotos: Vico Ughetto | CVA

 

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