O «génio» Nelson Évora saltou em Albufeira com Pequim na memória

Nelson Évora, campeão olímpico, mundial e europeu no triplo salto, vai ser condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito

Naquele 21 de Agosto de 2008, chovia em Pequim, na longínqua China, mas nem as condições atmosféricas adversas impediram Nelson Évora de dar três saltos para a eternidade. Com 17,67 metros de marca no triplo salto, venceu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Esta terça-feira, dia 21, cumprem-se 10 anos do feito e, para o assinalar, o atleta teve um treino especial, em Albufeira, sob o olhar atento do seu fã Marcelo Rebelo de Sousa. 

À chegada, o Presidente da República, que está a passar férias no Algarve, dirigiu-se logo a Nelson Évora, que abraçou e com quem ficou à conversa. Recordando o que se passou há 10 anos, o campeão olímpico revelou que naquele dia acordou «com o barulho de um trovão». E Marcelo Rebelo de Sousa, bem a seu jeito, disse: «foi um bom sinal para o que aí vinha».

Certo é que o atleta viria mesmo a ganhar o Ouro, tornando-se o quarto português a consegui-lo nos Jogos Olímpicos, depois de Carlos Lopes (Los Angeles, 1984), Rosa Mota (Seul, 1988) e Fernanda Ribeiro (Atlanta, 1996).

10 anos depois, na pista do Victoria Sports & Beach Hotel, nas Açoteias, concelho de Albufeira, Nelson Évora mostrou, saltando e correndo, o porquê de continuar a ganhar. É que ainda este mês, a 12 de Agosto, e aos 34 anos, o atleta ganhou a medalha de ouro nos Campeonatos Europeus de Atletismo, o único grande título que lhe faltava.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa assistiu, acompanhado de João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, e José Carlos Rolo, presidente da Câmara de Albufeira, a todo o treino e até bateu palmas aos saltos de Nelson Évora.

«Ele é um campeão. Há muitos muito bons, mas ele tem sido o melhor dos melhores. Na vida de muitos, acontece serem campeões uma vez. Ganharem uma vez. Ele não ganhou uma vez, ganhou muitas vezes e tudo o que havia para ganhar. Não é um campeão normal, é um campeão duplamente excelente, duplamente excecional», disse, no final do treino, o Presidente da República.

O Chefe de Estado não esqueceu o papel de Nelson Évora enquanto embaixador do país. «Quando se fala em Portugal, em qualquer ponto do mundo, sabe-se quem é o Nelson Évora. Quando queremos dar um ou mais exemplos de excelência, falamos do Nelson Évora», afirmou, ladeado pelo atleta.

A recente conquista nos Europeus também mereceu palavras de elogio de Marcelo Rebelo de Sousa, que enalteceu a garra e persistência do desportista.

«Ganhou quando muitos esperavam que já não ganhasse. Há uma ocasião em que se olha para o atleta e se pensa: bem, ele está velhinho. Foi muito bom, mas agora há outros novinhos, com outras formas de treino. Houve muitos a pensar assim, mas isso irritou-o, picou-o. Ele é português e os portugueses nunca estão acabados», comentou o Presidente.

Nelson Évora ouviu as palavras de Marcelo sempre de sorriso no rosto e confessou mesmo que nunca esperava poder «partilhar alguns detalhes do dia a dia com o Presidente», num treino que foi «diferente, mas extremamente agradável».

«Se me perguntassem há 10 anos se esperava ganhar todos estes títulos, eu diria que não, mas a verdade é que sempre lutei por todos eles, com motivação e empenho. Mesmo depois de tantas quedas, quis provar que o nosso povo português é forte por natureza», disse o atleta do Sporting.

Com o treino terminado, Nelson Évora não quis deixar o Presidente da República ir embora sem uma prenda. Ou melhor, duas. Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, das mãos do campeão, umas sapatilhas de corrida e uma camisola igual à que Nelson Évora usou em Pequim.

O Presidente não se fez rogado e anunciou, em primeira mão, que vai condecorar o atleta com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito. A cerimónia será a 3 de Setembro, às 14h30, no Palácio de Belém, mas já podia ter acontecido antes.

«Há um ano tinha decidido condecorá-lo e marcámos a cerimónia duas ou três vezes, mas ele tem um feitio especial. Os génios são assim. Ele, na véspera, disse-me: pensando bem, ainda não, porque não quero que esta condecoração seja uma despedida. E, como os génios são teimosos, nem o Presidente da República se conseguiu impor», revelou Marcelo Rebelo de Sousa.

Para Nelson Évora, este é o momento certo para essa condecoração. «Agora, no final da temporada, faz sentido», disse.

E quanto a objetivos futuros? Évora promete saltar «sempre para bater recordes».

E, quem sabe, repetir o feito daquele dia chuvoso em Pequim, voltando a fazer soar “A Portuguesa” no pódio dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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