Noite «dura e de muito trabalho» segue-se a «dia difícil» no combate ao incêndio de Monchique

O número de feridos subiu para 29 ao longo do dia de hoje. De manhã, registavam-se 25, um em estado grave

Focos generalizados de incêndio, resultantes de reacendimentos, mas também de projeções de fogo, condições climatéricas adversas e muito, muito cansaço de quem está há dias no terreno.

Os cerca de 1100 operacionais que estão a combater o fogo que começou há quatro dias em Monchique têm pela frente «uma noite dura e de muito trabalho», antecipou, esta segunda-feira ao final da tarde, Abel Gomes, segundo comandante operacional distrital da Proteção Civil de Faro, num briefing realizado na Escola EB 2,3 de Monchique.

Cerca das 20h00, as situações mais preocupantes eram as frentes que lavravam na encosta da Fóia, junto à Barragem de Odelouca e ao Centro Cinegético de Silves e no Sítio da Cascalheira, em Monchique. Mas, a essa hora, o fogo também estava a ser combatido noutros pontos, nomeadamente junto à unidade hoteleira MacDonald Resort, nas Caldas de Monchique.

Esta segunda-feira, admitiu Abel Gomes, foi «um dia muito difícil» para quem esteve no terreno. A esperança de poder controlar um incêndio que já destruiu casas e causou 29 feridos, apagou-se com o avançar do dia.

De manhã, a proteção civil garantia ter 95% do fogo controlado. Ainda assim, lembrou Abel Gomes, foi por ele dito, na mesma ocasião, que existiam «zonas muito sensíveis, pontos quentes, que ainda não estavam consolidados».

Foi precisamente nesses pontos quentes que o fogo reacendeu e «com muita intensidade». Com o aumento da intensidade do vento, mais evidente a partir da tarde, também aconteceram projeções de fogo, que complicaram a estratégia de combate que estava delineada.

Isso obrigou a que, mais uma vez, se tivesse de evacuar a população de alguns locais, nomeadamente das três zonas em que o fogo gera mais preocupações, mas também «noutros pequenos aglomerados».

«A situação continua a ser muito complexa. Este é um incêndio de grandes dimensões», resumiu Abel Gomes.

E se o dia foi difícil, a noite promete não ser fácil. «O quadro meteorológico não é favorável. As temperaturas mínimas previstas não vão ser muito abaixo das que se verificaram durante o dia e será pouca a humidade relativa», antecipou.

O dia também aumentou a contagem de feridos, que subiu para 29, quando de manhã se fixava nos 25, um dos quais em estado grave. As quatro novas vítimas sofreram, em todos os casos, ferimentos ligeiros.

Quanto à possibilidade de haver pessoas desaparecidas – e, eventualmente, mortas -, avançada pelo presidente da Câmara de Monchique Rui André, Abel Gomes disse não ter qualquer informação nesse sentido, apesar de admitir essa hipótese.

O segundo comandante operacional distrital também disse não estar em condições de fazer uma contabilização de quantas casas de primeira habitação foram destruídas pelas chamas. «Sabemos que houve destruição de edificado, mas não de que tipo. Nesta fase de combate, não é nossa preocupação fazer essa avaliação. Ela será feita posteriormente».

Certo é que que a equipa de reportagem do Sul Informação encontrou várias habitações destruídas pelo fogo, no périplo que fez pela Serra de Monchique, esta segunda-feira.

 

Fotos: Gonçalo Dourado|Sul Informação

 

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