Quem não for à Concentração de Motos por bem, mais vale «não aparecer»

Direção do Motoclube de Faro diz que tudo o que não contribua para o «são convívio e amizade» não é bem-vindo à concentração

Aqueles que estiverem a pensar vir à Concentração Internacional de Motos de Faro para qualquer outra coisa que não seja o são convívio, a amizade e participar numa festa que é uma referência para motociclistas de toda a Europa, «agradecemos é que não apareçam cá». A mensagem é de José Amaro, presidente do Motoclube de Faro, que apela aos motociclistas que se dirigam à capital algarvia para participar no evento, apesar das notícias que têm vindo a público.

Eventuais confrontos durante a concentração de Faro entre os grupos rivais Hells Angels e Los Bandidos, ambos fortemente conotados com a criminalidade organizada e violenta,  puseram as forças de segurança em alerta. Mas a direção do Motoclube de Faro, entidade que desde 1982 promove este encontro anual de motociclistas, que atrai gente de todo o mundo, recusa-se a ser refém de eventuais atos que, dizem, nada têm a ver com o espírito motociclista que inspira a festa.

«Todos os que virão até cá, trarão o espírito do motociclista, que é livre, aberto e de confraternização entre as pessoas. Isto é uma concentração de motociclistas para motociclistas. Quem estiver desenquadrado disto, o que agradecemos é que não apareçam cá», disse José Amaro, na conferência de imprensa de lançamento do evento, que teve lugar esta quinta-feira, dia 19 de Julho, no Vale das Almas, onde decorre o evento.

Assim, o dispositivo de segurança dentro do recinto será«igual ao dos últimos anos, com 120 elementos por nós contratados, o número que nós achamos adequado tendo em conta a quantidade de participantes». Fora do recinto, terão de ser as autoridades a garantir que não há problemas, algo que José Amaro acredita que acontecerá.

Na manhã de ontem,  o primeiro dia desta iniciativa, que se estende até domingo, dia 22 de Julho, eram muitos os motociclistas que iam chegando ao recinto, instalado na Mata do Ludo, perto do Aeroporto de Faro. O ambiente era em tudo semelhante ao de outros anos, com bandeiras de diversos países penduradas em tendas, sorrisos e conversas em grupo, em alguns casos, de pessoas de diferentes nacionalidades.

E claro, as motos, com motociclistas a exibir orgulhosamente as suas máquinas modernas e reluzentes, mas também os seus motociclos clássicos e até alguns que, apesar de terem ar de quem já necessitava de reforma, ainda levam os seus donos até onde eles precisam de ir.

É este ambiente de «são convívio e amizade» que se quer que exista e marque mais uma Concentração Internacional de Motos do Motoclube de Faro.

«Quem já esteve na concentração sabe muito bem o que é esta festa, como é organizada e o convívio e as amizades que aqui se geram. Apelamos às pessoas que venham até cá, sem medo e se assim o entenderem, claro», disse o presidente do Motoclube de Faro.

«As pessoas devem vir cá sem pensar nessas questões [confrontos entre grupos rivais], que também foram um pouco empoladas pela imprensa. Este ano, como sempre foi ao longo dos últimos 36, vamos ter uma grande concentração de convívio, com grandes espetáculos, com o Bike Show e com o desfile», acrescentou.

Os portugueses Xutos e Pontapés, Jorge Palma, Quem é o Bob? e Vítor Bacalhau, os espanhóis Mago de Oz e Obus, e os britânicos Black Star Riders e Voodoo Six são as bandas que compõem o cartaz deste ano.

Ainda no que toca à segurança, mas na perspetiva da saúde dos participantes, a Concentração Internacional de Motos de Faro volta a contar com um hospital de campanha, com mais de uma centena de profissionais.

«Teremos 35 médicos, 30 enfermeiros, 40 socorristas, 17 Técnicos Auxiliares de Saúde e 10 rececionistas», enquadrou João Ildefonso, responsável da área médica do Motoclube de Faro.

«Nunca ninguém se preocupou tanto como nós em garantir a melhor segurança. Ninguém nos obriga a ter aqui um hospital de campanha, podíamos resolver a situação tendo aqui uma ambulância. Mas a direção do Motoclube quis que todas as pessoas que participassem no evento tivessem as melhores condições», assegurou este membro da direção do Motoclube.

Até porque mais do que serem membros do Motoclube de Faro, os organizadores da festa são «pais e avós», cujos filhos e netos «também vêm, em muitos casos, à concentração».

«Qualquer evento, seja ele qual for, a segurança é sempre uma preocupação. E na concentração, naturalmente que foram criados planos de segurança para qualquer eventualidade. Mas não prevemos que haja problemas, porque nunca foi apanágio da nossa concentração haver confusões no recinto nem na cidade de Faro. Na verdade, a nossa grande preocupação são os incêndios, é essa a nossa grande preocupação», reforçou José Amaro.

Fotos: Gonçalo Dourado|Sul Informação

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