Prémio Terras Sem Sombra distingue músico Péter Eötvös, cidade de Albarracín e associação que protege a videira

O músico húngaro Péter Eötvös, a cidade de Albarracín, em Espanha,e a associação que defende a diversidade das castas de […]

Péter Eötvös/ Crédito: Marco Borggreve

O músico húngaro Péter Eötvös, a cidade de Albarracín, em Espanha,e a associação que defende a diversidade das castas de videira portuguesas venceram o Prémio Internacional Terras sem Sombra. Os galardões serão entregues no sábado, dia 7 de Julho, numa cerimónia que irá ter lugar no Centro das Artes de Sines, às 18h30, e será presidida pelo ministro do Ambiente João Matos Fernandes.

Criado em 2011 pelo Conselho de Curadores do Festival Terras sem Sombra, este prémio homenageia, anualmente, uma personalidade ou instituição que se tenham salientado, ao nível global, em cada um dos pilares do festival: a promoção da música, a defesa do património cultural e a salvaguarda da biodiversidade. É considerado, hoje, um dos prémios europeus de maior prestígio, pelo seu carácter independente, nesses três âmbitos.

Em 2108, o júri do prémio analisou «mais de meia centena de propostas» e decidiu atribuir a distinção «a três casos exemplares ao nível global, nas áreas que são os pilares do festival», segundo os organizadores do festival.

Segundo José António Falcão, diretor-geral do Terras sem Sombra, «esta escolha não foi fácil, já que, boa parte das candidaturas mais robustas correspondia, em pleno, aos objetivos do nosso projeto».

O festival, recordam os organizadores o Terras sem Sombra, «aposta na transformação do Alentejo num destino privilegiado de arte e natureza».

 

Péter Eötvös

Oriundo da Transilvânia (nasceu em 1944 em Székelyudvarhely, à data território húngaro, hoje Odorheiu Secuiesc, na Roménia), Peter Eötvös combina as atividades de compositor, maestro e professor numa carreira de alto nível.

É considerado uma das personalidades musicais mais importantes e influentes, como diretor reconhecido internacionalmente e como autor de óperas de sucesso, obras orquestrais e concertos escritos para alguns dos músicos mais prestigiados do mundo.

A sua música tem vindo a ser programada regularmente por orquestras, ensembles de música contemporânea e festivais de todo o mundo. Óperas como “Love and Other Demons”, “Angels in America”, “Lady Sarashina”, “Paradise reloaded” e “Golden Dragon” seguiram os passos de “Three Sisters” e geraram um número crescente de novas produções.

Nas últimas temporadas surgiram várias obras novas, entre elas o concerto para percussão “Speaking Drums” (com o solista Martin Grubinger) e as peças para ensemble “Dodici” e “Da capo”. Em 2014 estreou a ópera “Senza Sangue”, encomenda das Filarmónicas de Nova Iorque e Colónia.

Enquanto maestro, Eötvös caracteriza-se por manter relações duradouras com as mais prestigiadas orquestras e ensembles da Europa.

Entre 1985 e 2011, foi titular de instituições tão prestigiadas como a Orquestra Sinfónica da BBC, Orquestras do Festival de Budapeste, Orquestra de Câmara da Rádio Holandesa, Sinfónica da Rádio de Estugarda SWR, Sinfónica de Gotemburgo e Sinfónica da Rádio de Viena. A crítica vê nele um dos principais intérpretes de música contemporânea.

 

Cidade de Albarracín – Fundación Santa María

Albarracín

Criada em 1996 pelo Governo Autonómico de Aragão, pelo Município de Albarracín e pela Diocese de Teruel-Albarracín, a Fundación Santa María assumiu a missão de fazer de Albarracín um emblema cultural, em sintonia com o carácter excecional do património e do enquadramento paisagístico desta cidade, que regista um dos mais altos índices de conservação de toda a Europa.

Desenvolve, para isso, uma iniciativa inovadora para a projeção ordenada e harmónica de Albarracín, a partir da recuperação dos valores locais. Fá-lo de acordo com sólidos princípios de sustentabilidade.

Uma das suas áreas mais importantes de ação prende-se com o restauro arquitetónico. Já promoveu ou participou na meticulosa requalificação de monumentos de grande significado para a cidade, a maior parte dos quais acabaria por ficar sob a administração da própria fundação.

É o caso dos monumentos, museus e sítios arqueológicos que integram o conjunto denominado Albarracín, Espaços e Tesouros, as residências para criadores, a igreja de Santa María e o antigo paço episcopal, hoje um centro de congressos.

A dinamização permanente da cidade tem vindo a ser conseguida através de um importante programa cultural, vertebrado por diferentes ações agrupadas em cursos e seminários, exposições e concertos.

Desde há algum tempo que tem lugar também um programa de criação artística, destinado a profissionais no âmbito da Pintura, e um ciclo de formação complementar para conservadores-restauradores de bens móveis. Estas e outras iniciativas convertem Albarracín numa referência cultural de primeira ordem, ao nível internacional.

 

Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira – PORVID

Tem as suas raízes no trabalho de seleção das castas efetuado, a partir de 1978, por uma rede informal de universidades, direções regionais de agricultura, associações, empresas da vinha e do vinho e afins.

Ao longo de uma década, esta rede nacional desenvolveu métodos inovadores de base genética e estatística e seleccionou dezenas das principais castas autótones. Pôde alcançar-se, assim, uma perspetiva rigorosa da diversidade genética, tanto por castas como por regiões.

Este trabalho sistemático veio pôr a nu um desastroso processo de erosão genética. Conservar a diversidade das castas, criada ao longo de milénios de evolução, passou a constituir, portanto, uma prioridade para a sustentabilidade do setor da vinha e do vinho, em paralelo com a própria seleção.

Isto veio a acontecer, em 2009, com a fundação da PORVID, juntando instituições produtoras de conhecimento (universidades e afins), beneficiárias dos resultados (empresas da vinha e do vinho e similares) e outras entidades interessadas no desenvolvimento do setor vitivinícola.

Hoje, podem contabilizar-se os resultados de um trabalho de muitos anos: o pioneiro e reprodutivo conhecimento na área da diversidade, expresso em publicações científicas e novas “Resoluções OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho)”; a seleção de largas dezenas das mais importantes castas antigas do país; e a conservação da diversidade de mais de 200 castas, através de amostras representativas de genótipos, perfazendo um total de 30.000 genótipos.

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