Aeroporto de Beja pode servir Lisboa, Algarve e Extremadura espanhola

Um estudo de Manuel Tão, investigador da UAlg, diz que o Aeroporto de Beja pode ter uma área de influência de mais de 150 quilómetros

O Aeroporto Internacional de Beja pode servir Lisboa, o Algarve e até «a Extremadura espanhola». A convicção é do investigador da Universidade do Algarve Manuel Tão, que realizou um estudo sobre as potencialidades desta infraestrutura aeroportuária.

Esta segunda-feira aterra na infraestrutura aeroportuária alentejana um Airbus A380, «o maior avião comercial de passageiros do mundo», ocasião aproveitada pelo movimento de cidadãos “Beja Merece Mais” para fazer a apologia das potencialidades do “seu” aeroporto, que são bem expressas no estudo de Manuel Tão.

Para o professor e investigador da UAlg, especialista em questões ligadas à ferrovia, é possível chegar aos principais mercados, a partir de Beja, «com um transporte terrestre que coloque a Aerogare de Beja contida numa distância-tempo não superior a noventa minutos dos mercados a servir».

Para isso, seria necessária uma «Linha do Alentejo, completamente modernizada, e com múltiplos troços aptos a 220 Km/h, de Casa Branca a Ourique (Funcheira)».

Desta forma, seria possível ligar o Aeroporto de Beja a Lisboa-Entrecampos em 1h25 e a Albufeira em 1h20. Uma melhoria na ligação ferroviária de Beja a Casa Branca permitiria, ainda, chegar a Évora em 35 minutos e a Badajoz em 1h10. Ou seja, «a área de influência de Beja-Aerogare chega à Extremadura espanhola, só com a ferrovia», conclui Manuel Tão.

«O modo ferroviário é o único que, tanto a Norte como a Sul, integra o Aeroporto de Beja numa verdadeira rede aeroportuária. Antecipa a resolução do problema de Faro [sobrelotação futura] e permite até o aparecimento voos low cost extra-europeus, com recurso a grandes aeronaves», acrescentou.

O investigador da UAlg fala, ainda, na «importância geoestratégica de Beja», que levou a Força Aérea alemã Luftwaffe a escolher a cidade para ali instalar uma base aérea, no quadro da NATO. Os alemães idealizaram este aeroporto como parte integrante de uma rede, já que ficava a cerca de 150 quilómetros tanto de Faro e como de Lisboa. Acima de capital, até à costa Norte de Espanha, há outras bases aéreas e aeroportos a distâncias equivalentes entre si.

Também determinante para a escolha da Força Aérea alemã foi a existência de uma linha ferroviária em Beja, com um traçado com muitas retas e «entrecortado aqui ou ali por uma curva de grande raio, com umas “rasantes” de ângulo enorme».

Outra maneira de tornar mais central o Aeroporto de Beja é com um investimento na rodovia. Aqui, a solução passa, em grande medida, pela conclusão da A26, entre Sines e Beja e com continuação até Espanha.

Uma alternativa que, na visão do movimento de cidadãos “Beja Merece Mais”, já é há muito devida ao concelho alentejano.

Lembrando que Beja «é neste momento a única Capital de Distrito que não é servida, em termos rodoviários, por uma via com características físicas de Itinerário Principal ou perfil de Auto-Estrada», o movimento aponta como urgente a criação de uma estrada que sirva de alternativa à «via perigosa» em que consideram que se tornou o IP8.

A construção do IP8, com uma ligação com perfil de auto-estrada entre Sines e Beja, foi anunciada pelo Governo em 2010, «com abertura ao tráfego prevista para 2012».

Mas, «na maior parte da sua extensão a via existente nem sequer possui bermas pavimentadas e, em parte do seu traçado, a estrada também não possui as larguras definidas na legislação para Itinerários Principais».

«Existem, ao longo do traçado do IP8, dezenas de serventias agrícolas sem qualquer proteção especial. É essencial terminar a A26, uma via rápida de duas faixas de rodagem, acessos condicionados, e com separador central, para tornar viável, económica e socialmente, o Baixo Alentejo», defende o movimento.

Para o “Beja Merece Mais”, promover melhorias tanto ao nível da ferrovia como da rodovia é determinante, já que «o Aeroporto de Beja pode ter um papel muito importante ao serviço do país, precisando, apenas, de acessos – previstos, iniciados, mas actualmente estagnados».

Mesmo sem as melhores acessibilidades, o Aeroporto de Beja está a ter em 2018 seu «ano dourado» devido, em grande medida, ao congestionamento do Aeroporto de Lisboa. «O congestionamento do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no que se refere ao número de slots disponíveis é um problema indisfarçável e que, de forma indirecta, começou a desviar aeronaves para o terminal aéreo de Beja», ilustrou o movimento de cidadãos.

«Vários operadores turísticos referem que as actuais condições da infra-estrutura aeroportuária lisboeta são o principal constrangimento para o normal decurso das operações aéreas para este Verão. Desta forma a plataforma aeroportuária de Beja assume-se como uma valiosa solução, uma vez que se apresenta como Aeroporto complementar dos de Lisboa e Faro, servindo todo o Alentejo e a Andaluzia espanhola», acrescentou.

Tendo em conta que, em Lisboa, «há filas até à saída», o aeroporto alentejano torna-se cada vez mais apelativo para as operadoras – como é o caso da portuguesa Hifly, que opera o Airbus que aterrará esta segunda-feira em Beja -, uma vez que tem fortes argumentos neste campo.

Mais do que taxas aeroportuárias baixas, uma caraterística que se insere no posicionamento deste aeroporto desde a sua criação, a de atrair voos low cost, há que ter em conta que, em Beja, «não há custos de estacionamento», os rastreios de segurança demoram «20 minutos», o check-in é muito rápido e a recolha de bagagem leva muito menos tempo que em Lisboa.

Há mesmo uma intenção da parte do Governo em investir mais na promoção deste aeroporto. Há cerca de duas semanas, o ministro das Infraestruturas Pedro Marques afirmou que «o Governo e a ANA Aeroportos de Portugal vão desenvolver uma campanha junto dos operadores que oferecem pacotes turísticos integrados para usarem o aeroporto de Beja, sobretudo nos períodos de verão, quando a pressão sobre Lisboa é ainda maior».

Para o membro do Governo, «face ao esgotamento que se verifica no aeroporto de Lisboa faz todo o sentido que se procure promover aquela infra-estrutura, nomeadamente no verão IATA (de final de Março a final de Outubro)».

Esta campanha será muito orientada aos operadores de voos charter, que têm sido os principais clientes da infraestrutura aeroportuária de Beja.

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