Praia de Faro vai ter «Parque de Campismo como deve ser» em 2020

O Parque de Campismo da Praia de Faro vai ser recuperado e vai passar a funcionar «como todos os outros», […]

O Parque de Campismo da Praia de Faro vai ser recuperado e vai passar a funcionar «como todos os outros», sob gestão da Câmara de Faro, já a partir de 2020. A autarquia farense quer criar uma infraestrutura «como deve ser» para acolher campistas e autocaravanistas, num projeto onde os atuais ocupantes do espaço não têm lugar – «a não ser que paguem, claro, como eu ou vocês».

O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo presidente da Câmara de Faro Rogério Bacalhau, durante a apresentação da revisão orçamental que vai ser proposta pelo executivo camarário farense, bem como do destino que se quer dar aos 4,3 milhões de euros que vão transitar das contas do ano passado para as de 2018.

Esta é uma das obras que salta à vista, não só por ser das que está em estado mais maduro, mas também pela polémica que tem rodeado qualquer projeto que envolva o antigo Parque de Campismo da Praia de Faro – «hoje em dia já não é um parque de campismo», admite Rogério Bacalhau.

No fundo, recuperou-se uma ideia que já existia desde 2015. O edil farense garante que o projeto está feito e aprovado, e que as diferentes entidades que têm responsabilidade naquela área do concelho já deram pareceres positivos. «Assim que a Revisão Orçamental for aprovada, vamos lançar o concurso. Depois, deverá demorar cerca de um ano, até que possamos avançar para a obra», revelou Rogério Bacalhau.

Segundo o autarca, o ideal é que a questão do concurso esteja resolvida no próximo Verão, «para que as obras comecem logo a seguir e estejam concluídas no início de 2020».

A intervenção em si não será profunda, já que «não serão construídos novos edifícios». O que será feito é «uma limpeza, construídas infraestruturas de água e saneamento e renovados os edifícios já existentes». Tudo isto deverá custar cerca de 450 mil euros.

Também será feito o loteamento. «O parque de Campismo passará a ter 200 lotes para tendas, 84 dos quais para tendas grandes, e 24 espaços para autocaravanas», revelou o presidente da Câmara de Faro.

As intenções da Câmara de Faro, se o passado se repetir, deverão esbarrar nos interesses da Associação de Utentes e Amigos do Parque de Campismo da Praia de Faro, que tem vindo a utilizar o espaço nos últimos anos. Isto apesar dos dirigentes da associação terem aplaudido a intenção de renovar o parque, em 2015.

Este grupo de utilizadores do parque conseguiu, há mais de dez anos, celebrar um contrato de comodato com a Câmara de Faro, na sequência de protestos, que aqueceram várias sessões da Assembleia Municipal de Faro.

Rogério Bacalhau tenciona agora acabar com este acordo. «Neste momento o que há é um comodato com uma associação. Vamos denunciar esse comodato», assegurou.

Ou seja, a associação estará mais um ano no antigo Parque de Campismo, enquanto o concurso é lançado e é escolhida a empresa que fará a obra, tempo que o edil farense considera «mais que suficiente para denunciar o contrato».

Quanto a eventuais desalojados que possam decorrer do final deste contrato, Rogério Bacalhau é taxativo. «Quando o acordo foi celebrado, todos os utentes tinham casa própria. Se entretanto a situação mudou, isso é um problema da associação», considerou.

Há pouco mais de três anos, e numa altura em que a Assembleia Municipal se preparava para aprovar a renovação do Parque de Campismo, os responsáveis pela associação mostravam-se dispostos a participar na gestão do parque. Algo que não vai acontecer. «A gestão será pública, feita pela Câmara, não a vamos concessionar a privados», assegurou Rogério Bacalhau.

A decisão de recuperar este projeto surgiu na sequência do chumbo, pela Assembleia Municipal, da utilização deste espaço para construção das casas para acolher os pescadores da Praia de Faro, que verão as suas casas demolidas no âmbito do projeto Polis Ria Formosa.

Realojar aqui os pescadores era, até há pouco tempo, a ideia da Câmara. Mas a proposta da autarquia não passou na última reunião deste órgão, que decorreu no final de Maio. Avança agora a requalificação do antigo Parque de Campismo, que, garantiu Rogério Bacalhau, não tem de ser submetido à AM.

 

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