Associação de Utentes quer permanecer no Parque de Campismo da Praia de Faro, mesmo depois de renovado

A Associação de Utentes e Amigos do Parque de Campismo da Praia de Faro tem dúvidas sobre as intenções da […]

Luís Arsénio e António Figueira

A Associação de Utentes e Amigos do Parque de Campismo da Praia de Faro tem dúvidas sobre as intenções da Câmara Municipal de requalificar aquele espaço, diz que ainda não foi ouvida pela autarquia e contesta a ideia de rotatividade. «É mais fácil o Pai Natal vir a Faro este ano, do que haver a requalificação do Parque de Campismo», afirmam.

Em conferência de imprensa, António Figueira, presidente da associação, disse aos jornalistas estranhar que, depois de avanços e recuos, desde que foi aprovada a proposta de requalificação do parque de campismo, em 2015, apresentada pela CDU, a Câmara tenha mudado de ideias para aquele espaço, após ter sido previsto o realojamento de pescadores naquele local.

O estado atual do Parque de Campismo

«Se nos perguntarem qual a nossa posição, dizemos que queremos que a Câmara cumpra o que aprovou em 2015. Nessa proposta, dizia-se que a associação devia ser auscultada para a realização dos trabalhos, mas essa auscultação não foi feita. Até ao momento, não houve respeito da Câmara pela associação», considera António Figueira.

Apesar de a associação se mostrar disponível para participar na futura gestão do parque, essa abertura esbarra nas intenções de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara, que garantiu esta semana que «a gestão será pública, feita pela Câmara, não a vamos concessionar a privados».

A Câmara quer denunciar o contrato de comodato com a associação e implementar um regime de rotatividade, com espaço para tendas e autocaravanas, mas os utentes do parque de campismo não consideram a proposta viável. «Não há parques que sobrevivam sem residentes. Queremos um parque, mas que seja um parque para todos, onde possamos permanecer. Há espaço para residentes e para rotatividade. Temos direitos adquiridos sobre este espaço, morais e históricos», acrescenta Luís Arsénio, também ele membro da direção da associação de utentes.

«Queremos fazer parte deste espaço, queremos uma salvaguarda», reforça António Figueira, que considera que «se não fôssemos nós, que requalificação haveria? O que vai nascer é graças a nós. A população de Faro sempre foi enganada sobre as nossas intenções. A população de Faro deve agradecer a estas pessoas que fizeram a manutenção do parque de campismo. Era bom que o presidente Rogério Bacalhau também agradecesse».

Há ainda outro problema que surge do final do contrato de comodato com a Câmara de Faro, garantem. Há nove famílias sem habitação própria e, «com os novos preços, muitos dos nossos sócios não vão conseguir pagar» casa.

Segundo a associação, atualmente, os sócios pagam uma média de 70 euros mensais pelo espaço que ocupam, com direito a água e eletricidade.

 

Fotos: Nuno Costa | Sul Informação

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