Odemira abre Centro de Interpretação dos Charcos Temporários Mediterrânicos

O Centro de Interpretação dos Charcos Temporários Mediterrânicos do Sudoeste Alentejano vai ser inaugurado esta segunda-feira, dia 21 de maio, […]

O Centro de Interpretação dos Charcos Temporários Mediterrânicos do Sudoeste Alentejano vai ser inaugurado esta segunda-feira, dia 21 de maio, às 10h00, no sítio das Pousadas Velhas, em Vila Nova de Milfontes.

Esta é uma iniciativa do Município de Odemira e da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), que decorre do projeto LIFE Charcos, que tem por objetivo promover a conservação, informação e sensibilização das comunidades locais e turistas para a importância dos Charcos Temporários Mediterrânicos, um habitat de grande biodiversidade e riqueza ambiental.

No domingo seguinte,  dia 27 de maio, será dinamizado um Dia Aberto à População, a partir das 10 horas, com visitas guiadas aos participantes.

Para mais informações para participar nesta iniciativa, contactar a organização através do e-mail ambiente@cm-odemira.pt.

Este Centro de Interpretação foi instalado num complexo de charcos existente num terreno municipal, que se localiza próximo da estrada de acesso à praia do Malhão, a norte de Vila Nova de Milfontes.

Os Charcos Temporários Mediterrânicos que ocorrem na Costa Sudoeste de Portugal são um habitat natural muito ameaçado, devido à sua fragilidade ecológica e desconhecimento do seu valor natural.

É na Costa Sudoeste que se encontram alguns dos principais núcleos de charcos temporários a nível nacional. As práticas agrícolas mais intensivas, as alterações no uso dos solos e o urbanismo constituem um dos principais fatores de declínio deste habitat.

A flora e fauna que ocorrem nos Charcos Temporários são muito específicas e adaptadas à alternância de condições entre o solo inundado e seco, de acordo com a altura do ano, pois os charcos temporários são zonas húmidas em que a permanência da água depende da precipitação anual e das condições hidrogeológicas locais.

Algumas das suas espécies de fauna, nomeadamente alguns crustáceos de água doce, são endemismos com uma área de distribuição muito reduzida. É o caso do Triops vicentinus, uma espécie de camarão-girino que é endémica, ou seja, única desta região mais sudoeste de Portugal continental.

O Triops vicentinus é mesmo considerado um fóssil vivo, pois persiste desde os tempos em que surgiram os dinossauros (entre 199 milhões e 145 milhões de anos atrás). E esta espécie de triops só existe na Costa Vicentina.

Os charcos representam um habitat essencial para a reprodução de anfíbios, sendo este o único habitat de água doce no qual se encontram quase todas as espécies de anfíbios da região.

O Projeto LIFE Charcos é coordenado pela Liga para a Proteção da Natureza, em parceria com a Universidade de Évora, Universidade do Algarve,  Município de Odemira e Associação de Beneficiários do Mira.

O projeto é co-financiado pelo Programa LIFE da Comissão Europeia, e desenvolve-se no Sítio de Importância Comunitária da Costa Sudoeste, integrada na Rede Natura 2000, a Rede Europeia de Espaços Naturais.

 

Para saber mais sobre a importância dos Charcos Temporários leia esta reportagem do Sul Informação:

Projeto Life já está a dar primeiros frutos na conservação dos charcos da Costa Vicentina

 

Triops vicentinus

 

Comentários

pub
pub