Dead Combo apresentam-se «como nunca em palco» para três concertos no Algarve

A banda lisboeta Dead Combo apresenta-se em Loulé esta noite, 17 de Maio, em Silves amanhã, dia 18, e a […]

A banda lisboeta Dead Combo apresenta-se em Loulé esta noite, 17 de Maio, em Silves amanhã, dia 18, e a 30 de Maio em Vila Real de Santo António. No saco, trazem o novo disco “Odeon Hotel”, num espetáculo com uma formação ao vivo totalmente nova.

«Estamos pela primeira vez a ter mais pessoas em palco, com o Alexandre Frazão na bateria, o Gui no saxofone e melotron, António Quintino no contrabaixo e melotron”, revelou ao Sul Informação o músico Pedro Gonçalves.

A bateria já serviu de acompanhamento às guitarras elétricas de Tó Trips e Pedro Gonçalves noutros concertos, inclusive no Algarve, mas, desta vez, o palco estará bem mais recheado, com resultado final mais pleno. «Representa muito melhor o disco, a música de Dead Combo fica muito mais completa com esta formação», destaca o artista.

O novo disco será tocado na íntegra, mas outros temas, já clássicos, irão marcar presença e, com esta nova formação fica a promessa de «novos arranjos e algumas surpresas».

O sétimo trabalho de originais da banda recebeu o nome de “Odeon Hotel” como metáfora às transformações que Lisboa sofreu ao longo dos anos e que, de alguma forma, se refletem na vida dos músicos. A enorme procura turística trouxe uma nova dinâmica… «Melhor ou pior, só daqui a uns anos podemos dizer. Bom é os edifícios abandonados estarem a ser recuperados e o centro voltar a ser habitado. O problema é isso não estar a ser feito por portugueses, que não conseguem pagar esses valores. Estão a afastar essas pessoas do centro», confidencia o guitarrista.

O cosmopolitismo lisboeta atraiu muitos artistas, dando uma nova vida e pujança aos centros de diversão e artísticos, como nunca foi visto no últimos tempos. «Se é bom ou mau ainda não sabemos, mas é certo que algo está a acontecer! O disco é um reflexo disso e a capa também. Sem nos apercebermos, os nossos discos têm acompanhado a evolução e a mutação da cidade».

Essa reflexão não se nota, obviamente, nas letras – apesar de até haver um tema com voz… – é o ambiente da música, o local para onde os músicos são transportados – e nós com eles – ou o que os faz sentir e pensar que é revertido no nome dado aos temas.

 

 

Este “Odeon Hotel” deixa uma marca na história dos Dead Combo, já que, pela primeira vez, há a inclusão de voz, cabendo ao cantor norte-americano Mark Lanegan, habituado a concertos em Portugal, a tarefa de cantar Fernando Pessoa em “I Know, I’m Alone”. Musicalmente, nota-se uma bateria bem mais presente, opção do produtor Alain Johanes, e a inclusão do saxofone, da responsabilidade de Gui (Xutos e Pontapés).

São já 15 anos de existência da banda, com sete discos de estúdio, mais dois ao vivo e um DVD e concertos dentro e fora do país, numa realidade que ainda hoje surpreende os mentores do projeto. “Quando começámos os Dead Combo, a última coisa que estávamos a pensar era termos tanta gente a ouvir nossa música, até achávamos que não havia espaço, nem interesse, por parte das pessoas, por este tipo de música. Cada vez que damos um concerto e a sala está cheia, ficamos surpreendidos, é uma surpresa constante”, revela o guitarrista.

O redescobrimento da música portuguesa por parte do público nacional, que foi acontecendo ao longo da década de 2000, e «uma maior abertura para ouvir o que não fosse tão comercial», pode explicar o facto de um projeto puramente instrumental, onde a base musical são duas guitarras elétricas, ter alcançado este sucesso.

A verdade é que as melodias que saem das guitarras de Pedro Gonçalves e Tó Trips, trazem consigo uma sonoridade identificável com a cultura nacional, uma certa portugalidade… «na realidade nunca pensamos nisso… mas pode ser por aí, sim. Quando fazemos as músicas nunca pensamos em agradar a alguém. Acho que há uma certa portugalidade, seja isso o que for, com a qual as pessoas se identificam. A única coisa com qual nos preocupamos é em ter elementos portugueses na nossa música, pode ser um ritmo, uma melodia, uma harmonia», afirma Pedro Gonçalves.

Os Dead Combo tocam hoje, dia 17 de Maio, no Cineteatro Louletano, amanhã, 18 de Maio, no Teatro Mascarenhas Gregório, em Silves, e a 30 de Maio, no espetáculo de fecho do festival Video Lucem, que será em Vila Real de Santo António, sempre as 21h30.

 

Que Deus me dê Grana é caracterizada por Pedro Gonçalves como um tema peculiar, já que Tó Trips, que nunca gostou muito da música mais tradicional brasileira, fez esta música que ele próprio acha que é muito brasileira…

 

 

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