Terras sem Sombra apresenta concerto num lagar e visita solar privado em Ferreira do Alentejo

O Festival Terras sem Sombra chegou a meio da sua programação e cabe agora ao município de Ferreira do Alentejo […]

O Festival Terras sem Sombra chegou a meio da sua programação e cabe agora ao município de Ferreira do Alentejo receber o quinto fim de semana do evento, nos dias 28 e 29 de Abril.

Foi preparado um programa único em que a natureza, a música e o património edificado estão em destaque, com a busca de uma planta endémica, um concerto que se realiza num espaço improvável e um solar que se abre para receber o festival.

A descoberta de Ferreira do Alentejo começa às 15h00, de sábado, 28 de Abril, com a visita a uma propriedade privada que abre exclusivamente as suas portas para o Festival Terras sem Sombra.

A Quinta de São Vicente pertence a uma das famílias mais importantes da região. Datada do século XVIII, foi alvo de amplas beneficiações nos séculos XIX-XX.

Por ela passaram figuras da vida nacional, desde o fim da monarquia até ao Estado Novo, e é, como a propriedade que a envolve, um símbolo da terra. A visita será guiada pela proprietária, Wanda Passanha de Bivar Branco, pelo arquiteto Ricardo Estevam Pereira e pelo historiador da arte José António Falcão.

O Lagar de Oliveira da Serra, entre Ferreira e Figueira de Cavaleiros, acolhe pela primeira vez um concerto, sábado, dia 28 de Abril, às 21h30.

Este edifício, uma peça fundamental da arte contemporânea portuguesa, da autoria do arquiteto Ricardo Bak Gordon, é um exemplo de como se pode coadunar excelente arquitetura e atividade industrial. Mas, acima de tudo, é uma “landmark” que associa a criação atual a uma cultura tradicional, a do azeite.

O concerto terá como grande estrela a pianista Pauline Yang, que iniciou os estudos de piano aos cinco anos e aos sete venceu o seu primeiro concurso internacional, em Washington.

Considerada uma das mais importantes pianistas norte-americanas da atualidade, interpretará um programa com diversos compositores, estilos e épocas, do século XVII aos nossos dias, tendo como fio condutor a temática do sentimento na música.

«Pretende-se que este programa seja um delicioso pot-pourri de compositores, estilos e épocas da literatura do piano que admiro profundamente e o que espero é que haja algo para o deleite de todos. Decidi abrir o programa com “Sheep May Safely Graze” de J. S. Bach, pois a serenidade desta obra traz imediatamente uma sensação de calma e paz às nossas vidas ocupadas. O resto do programa é uma combinação de repertório de que gosto e espero que o público aprecie o programa», descreveu a pianista americana.

A par da carreira artística, Pauline Yang dedicou-se à investigação do papel da música na Casa Branca e tem-se destacado como “embaixadora da Música” em campos de refugiados no Médio Oriente e em hospitais pediátricos, levando a música às crianças e às suas famílias em cenários dramáticos. Tem uma visão humanística e artística que cativa e chama a atenção para o papel da arte nos tempos de hoje.

O programa termina, na manhã de domingo, à procura de uma planta que só existe no Baixo Alentejo. A Linaria Ricardoi é um endemismo lusitano muito raro, localizado na região de Beja. Os núcleos populacionais recenseados incluem usualmente algumas centenas de exemplares, sinal de que se encontra em perigo de extinção.

O uso de herbicidas, resultado da intensificação agrícola, e o pastoreio intensivo contribuem de forma decisiva para um acentuado decréscimo dessa espécie. «Torna-se necessário inverter esta tendência. Cabe aos participantes, nesta atividade, colaborar nesse sentido», salienta a organização do Festival Terras sem Sombra.

As iniciativas do Festival Terras sem Sombra, uma organização da Pedra Angular e do Centro UNESCO de Arquitetura e Arte, são de acesso livre.

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