Número de acidentes no Algarve em 2017 é um «recorde bastante negro»

A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) considera que os 10.752 acidentes registados em 2017, no Algarve, são […]

Foto de arquivo | Créditos: Depositphotos

A Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) considera que os 10.752 acidentes registados em 2017, no Algarve, são um «recorde bastante negro».

Os números constam do relatório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), já analisado pelo Sul Informação.

No Algarve houve, em 2017, mais 511 acidentes do que em 2016. Já em termos nacionais, houve 130.157 acidentes, um número superior aos 127.210 de 2016.

Ou seja: o Algarve está em linha com o que foi registado em todo o país, com mais acidentes registados.

Na região, os feridos graves foram 192, em 2017, mais 30 do que em 2016. No total, em Portugal, houve 2181 feridos graves, em 2017, mais 79 do que em 2016.

Mas há um número em que o Algarve não coincide com a tendência nacional: na região registaram-se 30 mortos, no ano passado, menos dois do que em 2016.

Ou seja, nas estradas algarvias, morreram menos pessoas no ano que acabou, ao contrário do que aconteceu a nível nacional, onde o número de vítimas mortais sofreu um acréscimo. É que, em 2017, houve, no total, 509 mortos nas estradas portuguesas, mais 65 do que no ano anterior.

De acordo com o relatório da ANSR, houve cinco distritos onde se registaram mais mortos do que no Algarve: Aveiro (44), Lisboa (51), Porto (68), Santarém (43) e Setúbal (56). O distrito onde houve mais mortos nas estradas foi, aliás, o do Porto.

Para a CUVI, os números são «muito preocupantes e trágicos» e ocorrem, em particular, «na EN125, uma “rua urbana” transformada num verdadeiro “cemitério”, após a introdução das portagens na Via do Infante no final de 2011».

Por conseguinte, «a Comissão de Utentes da Via do Infante reprova com veemência os recentes aumentos verificados em alguns troços da Via do Infante». 

«Embora os aumentos incidam apenas nos troços entre Tavira e Castro Marim, entre Boliqueime e Loulé e entre Mexilhoeira Grande e Alvor, são aumentos muito negativos e errados para a região. Além de contribuírem para o agravamento da sinistralidade rodoviária, pois muitos condutores vão enveredar pela congestionada EN125, fazem aumentar as dificuldades para utentes e empresas», considera a CUVI, em comunicado.

«É preciso não esquecer que o PS prometeu reduzir o preço das portagens na A22 em 50%. Mas o que tivemos foi uma redução de apenas 15% e dois aumentos, nos inícios de 2017 e 2018. As portagens nesta via continuam a ser das mais caras a nível nacional. Mais uma vez o PS voltou a enganar o Algarve», acrescenta.

A CUVI culpa, também, «os deputados e governantes do anterior governo PSD/CDS», que a par do Governo, «são os verdadeiros responsáveis pela continuação do sangrento “estado de guerra não declarado” que se continua a viver no Algarve, a principal região turística do país».

«Todos sabem que a EN125 não representa qualquer alternativa à Via do Infante, que é uma via muito mortífera, que numa parte ainda nem começou a requalificação (entre Vila Real de Santo António e Olhão), e que na outra parte (na zona do Barlavento) as obras continuam e que a sua requalificação apresenta erros técnicos, potenciando assim os acidentes, e nada fazem para acabar com umas portagens erradas e mortais».

«A principal responsabilidade, na atual conjuntura política, cabe ao governo atual, ao seu primeiro ministro e aos deputados do PS. António Costa, antes das eleições legislativas de 2015, admitiu levantar as portagens na A22, reconhecendo que a EN125 era um “cemitério”. António Costa e o PS devem cumprir, quanto antes, as promessas que fizeram ao Algarve», acrescenta.

Em comunicado, a CUVI revela que vai reunir com diversas entidades políticas, económicas e sociais da região, onde se incluem a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Região de Turismo do Algarve, ACRAL – Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve e NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve.

Além disto, aquela comissão vai pedir audiências ao primeiro ministro e a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, «para reunir com uma delegação alargada abrangendo elementos da CUVI, empresários, autarcas e outras entidades do Algarve».

Por fim, a CUVI vai promover uma marcha lenta de viaturas pela EN125, no próximo da 20 de Janeiro (sábado), entre Portimão e Lagos, com partida às 16h00, do Parque de Feiras de Portimão (junto ao Pavilhão Arena).

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