Munícipes de Lagoa têm resolução dos problemas do concelho na ponta dos dedos

Os munícipes de Lagoa já têm a resolução de muitos dos problemas que detetam no seu concelho na ponta dos […]

Os munícipes de Lagoa já têm a resolução de muitos dos problemas que detetam no seu concelho na ponta dos seus dedos. Através do site da Câmara Municipal, acedendo por computador, tablet ou telemóvel, os munícipes – e até os visitantes e turistas – podem agora reportar, de forma rápida e eficaz, qualquer problema ou questão que considerem estar mal ou a precisar de intervenção.

Uma fuga de água, contentores cheios, um animal morto ou abandonado, um buraco na estrada, a falta de um sinal de trânsito, um passeio a precisar de ser calcetado de novo, um jardim mal cuidado, obras que nunca mais acabam, iluminação pública sem funcionar, são apenas algumas das questões que podem ser reportadas.

Esta é apenas a face mais visível, para o grande público, do primeiro Centro de Controlo “Smart City” do Algarve que ontem teve a sua inauguração oficial, em Lagoa.

Situado no Parque Municipal de Feiras da Fatacil, este Centro de Controlo está em funcionamento permanente com técnicos especializados da autarquia, recolhendo dados de sensorização (por exemplo, referentes ao estado dos contentores de resíduos), assim como as situações reportadas pelos cidadãos.

Esses dados, depois de recolhidos, analisados e encaminhados para os serviços municipais respetivos, dão início a processos de resolução, através da plataforma online disponibilizada para o efeito.

Francisco Martins, presidente da Câmara de Lagoa, salientou que «cada vez mais a gestão autárquica deve ser sentida e partilhada por todos», pelo que esta nova ferramenta posta à disposição dos lagoenses é um passo importante nesse sentido.

«As pessoas vão ter uma ferramenta na mão e a opção de participar» na resolução dos problemas da sua terra. Ou podem continuar a «fechar os olhos» ou a «ir para o Facebook queixar-se», acrescentou o autarca, de forma irónica.

«Desafio toda a população a participar na exploração deste instrumento», disse Francisco Martins.

Tiago Silva Ribeiro, da NOS, e Francisco Martins, presidente da Câmara de Lagoa

Por seu lado, Tiago Silva Ribeiro, diretor de Desenvolvimento de Negócio Corporate da NOS, a empresa parceira da Câmara de Lagoa, sublinhou que «este é o primeiro marco que materializa a troca de experiências e de iniciativas conjuntas» que este projeto tem permitido.

«Os projetos Smart Cities são sempre muito complicados» e têm que ser desenvolvidos quase à medida das necessidades de cada concelho. «Só a tecnologia não resolve tudo», há que ter em conta «as dinâmicas de cada município, os seus principais desafios», acrescentou.

Rui Mesquita, o engenheiro informático da Câmara de Lagoa responsável pela coordenação do projeto, explicou, na Sala de Controlo, que, primeiro, foi preciso integrar toda a informação sobre o concelho, nomeadamente a disponibilizada pelo serviço SIG, bem como incluí-la e integrá-la num só mapa. Nesse mapa online, apenas acessível aos serviços da Câmara, estão assinaladas todas as condutas de água e de esgotos, a rede viária, as bocas de incêndios, os ecopontos e contentores de resíduos, a iluminação pública, os espaços verdes municipais, entre outras questões sob a responsabilidade municipal.

Uma das vantagens deste sistema será, em breve, a possibilidade de diminuir a percentagem de água perdida na rede de abastecimento público em Lagoa, já que as roturas passarão a ser comunicadas, em tempo real, ao Centro de Controlo, permitindo assim uma atuação mais rápida e eficaz dos serviços municipais.

Mas também trará outros benefícios financeiros ao Município, já que este sistema digital inteligente de monitorização em tempo real «terá uma importância acrescida na gestão financeira, com a rentabilização dos recursos, quer materiais, quer humanos», como disse o presidente Francisco Martins.

Disponível para o público, no site da Câmara de Lagoa, mas integrado neste sistema da Smart City, já está um aplicação (app), que pode ser descarregada para o telemóvel ou tablet, com os percursos pedestres disponíveis ao longo do território lagoense. E, integrando essa informação pública, com aquela que só está disponível para os serviços municipais, como foi demonstrado na sessão de inauguração, pode ver-se onde se situam os ecopontos existentes ao longo do Percurso dos 7 Vales, por exemplo, e avaliar se será preciso reforçar em alguma zona…e como fazer lá chegar um camião de recolha.

Rui Mesquita, falando de próximas utilizações do sistema da Smart City de Lagoa deu o exemplo da criação de uma app para a Rota do Petisco. «A mim chateia-me andar com aquele passaporte na mão, à procura do local dos restaurantes, às vezes nem se vê bem nos mapas que eles disponibilizam. Mas com uma app, que as pessoas possam descarregar a partir do nosso site, o problema ficará resolvido».

Para já, a possibilidade de os munícipes reportarem as situações anómalas que encontrarem no concelho é a funcionalidade mais visível deste novo Centro de Controlo Smart City de Lagoa. «Os cidadãos têm agora um canal direto, através do qual podem indicar-nos os problemas», reforçou Rui Mesquita.

O Centro de Controlo ontem inaugurado é apenas a «semente» do que vai acontecer no futuro, já tinha dito o presidente Francisco Martins. No futuro, «está previsto que a monitorização e os relatórios se estendam a uma rede de sensores espalhados pelo concelho, otimizando a interação entre a autarquia e os munícipes, em prol de uma comunicação e gestão de recursos mais participativa e eficiente, promovendo a mobilidade, segurança e acessibilidade», explicam os promotores do projeto.

Para já, e porque o Algarve se quer afirmar como uma “smart region”, ou seja, uma região inteligente, o projeto desenvolvido pela NOS e pela Câmara de Lagoa está já a suscitar o interesse de outras autarquias algarvias, nomeadamente as de Lagos, Faro e Loulé, cujos técnicos já visitaram ou vão visitar o Centro de Controlo Smart City lagoense.

É que, apesar da discussão sobre o tema e de a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) ter promovido, em Maio passado, um grande seminário sobre este tema no Autódromo do Algarve, até agora apenas Lagoa e o empreendimento de Vale do Lobo, este a uma escala geográfica mais reduzida, lançaram já ferramentas efetivas de gestão e participação online no âmbito das cidades inteligentes.

Tiago Silva Ribeiro não revelou, em conversa com os jornalistas, quais as autarquias que poderão seguir-se a Lagoa, na implementação deste projeto, mas adiantou a importância de ter «casos de estudo» que possam servir de exemplo.

 

Como se pode registar e participar?

Primeiro vá ao site www.cm-lagoa.pt, depois no lado direito, um pouco abaixo, clique em “Ocorrências|Smart City” (se aceder a partir do seu telemóvel, deslize o dedo até ver mais abaixo a mesma referência). Acederá então ao portal da Smart City.

Registe-se depois no ícone no canto superior direito, fazendo o seu login, com email e contacto telefónico, palavra-chave (password), número de contribuinte e dizendo que não é um robô…e aqui surge um pormenor menos conseguido deste acesso. É que, para confirmar que o utilizador é uma pessoa verdadeira e não um robô da internet, tem de responder a uma pergunta…que surge em inglês. À repórter do Sul Informação, para fazer o registo inicial, foi pedido que clicasse em cima de imagens que mostrassem «store fronts», ou seja, montras de lojas. E quem não entender inglês, como fica?

Continuando: depois de se registar pela primeira vez, nas vezes seguintes apenas precisa de colocar o seu email ou número de telefone e a palavra-passe por si escolhida e entrar.

Com esse registo feito (ou com a entrada confirmada), acede a uma área onde pode clicar em Ocorrências e registar o que considera ser de comunicar aos serviços competentes da Câmara, ou ainda clicar em Orçamento Participativo ou Beachcams (e aqui, chamada de atenção para o erro ortográfico em inglês – beachcams, plural de beachcam, que quer dizer “câmaras nas praias”, escreve-se sem qualquer apóstrofo. É beachcams. Já que se quer usar a palavra inglesa, ao menos que se faça isso de forma correta).

Clicando em Ocorrências, que é o que aqui nos interessa, abre um mapa de Lagoa, indicando a zona onde nos encontramos (se assim quisermos). Em baixo clica-se «+Nova Ocorrência» e depois é preencher o que lá se pede e colocar até três fotos, que podem ter sido tiradas com o seu telemóvel.

Depois de enviar, receberá uma mensagem a registar a sua participação e, mais tarde, informação sobre o evoluir do problema reportado, até à sua previsível e desejável resolução.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

 

 

 

 

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