Helena Tapadinhas e o seu «Alfaiate» vencem Prémio Literário Santos Stockler

Não foi fácil a tarefa do júri do Prémio Literário Santos Stockler, instituído pela Câmara de Lagoa. Para a edição […]

Não foi fácil a tarefa do júri do Prémio Literário Santos Stockler, instituído pela Câmara de Lagoa. Para a edição do ano de 2017, cujos prémios foram entregues no sábado, foram apresentados a concurso 122 contos, de autores de todo o país e até alguns do Brasil.

O prémio principal, no valor de 10 mil euros, foi atribuído ao conto «Alfaiate», de Helena Tapadinhas, por acaso uma lagoense de nascimento.

António Branco, anterior reitor da Universidade do Algarve e presidente do júri, recordou mesmo a «missão difícil de escolher os premiados», mas salientou também o «excelente ambiente entre os membros do júri». «Com mais de 100 exemplares a concurso, a possibilidade de nos zangarmos era grande. Já estive num júri, aqui bem perto, onde os jurados acabaram zangados…».

Mas, em Lagoa, as coisas correram bem. O júri – do qual fazia parte ainda a diretora regional de Cultura Alexandra Gonçalves, a professora Maria do Sameiro, a bibliotecária de Lagoa Clara Andrade e o também escritor e advogado lagoense João Nuno Aurélio Marcos – considerou que, além desse Prémio, deveriam ser ainda atribuídas seis Menções Honrosas, aos contos «Camaleão», de Ana Maria Nunes Gonçalves (de Mafra), «A casa de Verão», de Isabel Rio Novo (de Vila Nova de Gaia), «A vida inteira num prato de barro», de Carla Marisa P. Vieira Pais (de Paris), «Nepomuceno na terra dos possíveis», de David Eduardo V. Roque (de Ferragudo), «Memórias fugazes», de Paulo M. Morais (de Vila Nova de Gaia) e «Da permanência», de António Conduto Oliveira (de Leiria). O tema da edição de 2017 era «Património: Olhar o Passado Rumo ao Futuro».

Como disse António Branco, explicando a escolha, o júri estava «obrigado a orientar a sua análise dos mais de cem exemplares recebidos em torno dessas duas exigências: a qualidade literária intrínseca do conto, vista à luz de uma História Literária repleta de extraordinários exemplos; e o modo como essa qualidade também servia para indubitavelmente dar a conhecer uma dimensão patrimonial superior do concelho de Lagoa».

«Depois de afastados os muitos exemplares a concurso que não cumpriam nenhuma daquelas condições, o júri dedicou-se mais atentamente àquela vintena de contos que ou possuía uma digna qualidade linguística e literária ou iluminava, também dignamente, um aspeto relevante do património material ou imaterial do concelho. Em resultado dessa análise mais fina, foi fácil chegarmos unanimemente à conclusão de que um dos exemplares cumpria, melhor do que todos os outros, as duas premissas do prémio. Como já foi anunciado nesta sessão, esse conto chama-se «Alfaiate» e (soubemo-lo depois de concluído o período de deliberação) é da autoria de Helena Tapadinhas».

É que o presidente do júri fez também questão de sublinhar «a regra do anonimato», omnipresente no trabalho dos jurados. «Sem ela, o nosso trabalho seria impossível», frisou. «Até ao momento em que, escolhidos os premiados, abrimos o envelope com a identidade, nós somos livres», disse António Branco.

Na mesa, os autores premiados no ano anterior, com o vereador Luís Encarnação, a diretora regional de Cultura e o presidente do júri António Branco

Sobre o conto vencedor, António Branco disse que «Alfaiate está a falar das profundas transformações ocorridas, no século passado, nas comunidades piscatórias e agrícolas de Lagoa, desencadeadas pelo desenvolvimento da intensa atividade turística que, por sua vez, proporcionou chorudos negócios em torno da venda de terrenos junto ao litoral. E se, por um lado, é verdade que esse fenómeno foi decisivo para que parte dessa população pudesse finalmente escapar à miséria, por outro, daí resultou uma profunda desagregação e aculturação dessas mesmas comunidades, incluindo a perda, talvez para sempre, de importantes referências culturais e antropológicas. E é dessa perda que nos fala, essencialmente, este conto».

«Ao fazê-lo, numa escrita inteligente, literariamente cuidada, linguisticamente rica e repleta de um humor muito fino, o conto recupera um património imaterial precioso, assim cumprindo inteiramente o programa a que, no início, se propõe o protagonista e narrador. Mas fá-lo, também – e o aspeto que referirei a seguir é tudo menos despiciendo –, sem qualquer cedência à redução da história contada à referencialidade local, que, pelo contrário, aparece como sangue que dá vida a uma notável organicidade narrativa», acrescentou.

Helena Tapadinhas, no final da sessão de entrega dos prémios, que decorreu na Quinta dos Vales, entre fados e provas do vinho ali produzido, manifestou-se «muito feliz por terem gostado do meu Alfaiate». A autora, que é também professora, mulher do teatro e ligada à educação ambiental pela arte, revelou gostar «muito de escrever. Não posso passar sem escrever». Aliás, este conto «Alfaiate» não foi escrito de propósito para o Prémio Literário, antes era «um dos muitos que tenho escritos».

Helena Tapadinhas sublinhou «a exigência da avaliação do júri, sob o ponto de vista literário, o que muito me agradou». «É muito bom que este prémio literário exista em Lagoa e que se revista de critérios de grande exigência».

Dos premiados com Menção Honrosa, até pelo facto de o prémio ser “apenas” a publicação do seu conto em livro, só David Roque, também professor e residente em Ferragudo, esteve presente na sessão. O seu conto «Nepomuceno na terra dos possíveis», explicou, na cerimónia de entrega dos prémios, cruza realidade e fantástico.

David Roque, um dos premiados com Menção Honrosa, com António Branco e a bibliotecária Clara Andrade

Os livros – um com o conto «Alfaiate», vencedor do Prémio, outro com os restantes galardoados com as Menções Honrosas – serão lançados no segundo semestre deste ano, segundo apurou o Sul Informação.

É que, depois dos elogios feitos pelo presidente do júri a todos os galardoados (ver texto integral abaixo), com destaque para o conto vencedor, as dezenas de pessoas que enchiam a sala de eventos da Quinta dos Vales ficaram…com água na boca.

Para mais porque, só nesta mesma sessão, foi lançado o livro com os dois trabalhos vencedores da Menção Honrosa na edição anterior (2016) do Prémio Literário Santos Stockler, que tinha como género o ensaio e um tema ligado ao vinho. A obra reúne os ensaios «O Vinho – contributos para o conhecimento dessa realidade no concelho de Lagoa», de Nuno Campos Inácio, e «Embriaguez, sensatez e outras virtudes», de Pedro Caetano Amores.

Agora, ninguém quer esperar tanto para poder ter o prazer de ler «Alfaiate», de Helena Tapadinhas, e os restantes contos.

Entretanto, o vereador Luís Encarnação, da Câmara Municipal de Lagoa, anunciou o tema e o género para a edição 2018/2019 do Prémio Literário Santos Stockler.

O tema será «Lagoa, Cidade Educadora». Quanto ao género, desta vez será o de maior fôlego na literatura, o romance. E com a condição de a narrativa, de algum modo, ter a ver quer com o tema, quer com o próprio concelho de Lagoa. Como o provou Helena Tapadinhas na edição de 2017, com o seu conto «Alfaiate», estas condições não são impeditivas de escrever uma obra intemporal, de grande qualidade, que transporte em si, como disse António Branco, «a universalidade exigida aos objetos artísticos».

 

 

«Prémio Literário Santos Stockler, 2017
Intervenção em nome do júri
António Branco
27 de janeiro de 2018, Quinta dos Vales, Estômbar

Como é do conhecimento público, a edição deste ano foi dedicada ao conto, género literário cuja origem muitos especialistas situam na Idade Média, período em que ficou literariamente consagrado, por exemplo, na genialidade do Decameron, de Boccacio, ou dos Contos de Cantuária, de Chaucer. Mas foi sobretudo a partir do séc. XIX que o género floresceu tal como ainda é praticado atualmente pelos escritores maiores, sendo de destacar, em língua portuguesa, entre muitos outros, os geniais Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós ou Machado de Assis e, mais recentemente, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Lídia Jorge, Sophia de Mello Breyner, Mia Couto. Noutras línguas, poderíamos recordar a mestria inigualável de um Balzac, de um Tchekov, de um Poe, de um Joyce, de um Hesse, de um Borges, enfim, de uma miríade de grandes criadores de Literatura que, nalgum momento da sua vida, decidiram dedicar-se à escrita de contos.

Todos eles e todos os estudiosos concordam num ponto: apesar da sua forma breve – ou talvez por isso mesmo –, o conto é um dos géneros literários mais difíceis, já que exige uma concentração e uma intensidade de ação capaz de, em poucas palavras, gerar uma profundidade de sentido à altura dos mais sublimes poemas ou romances. De facto, a extensão curta, que habitualmente constitui uma das marcas formais mais identificativas do género, é, na realidade, uma armadilha para os mais incautos que nela julguem encontrar um álibi para alguma superficialidade ou uma justificação para a menorização do cuidado no desenho das personagens, do enredo, em suma, do drama humano com que nos ocupam o tempo.

Nos casos em que isso acontece, porém, dá vontade de adaptar o conselho de Rainer Maria Rilke na carta que escreveu a um jovem poeta, agora dirigido a esses autores mais desprevenidos: «Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende as suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever?» E apetece acrescentar: «Se a resposta a esta pergunta não for indubitavelmente afirmativa, não escreva.»

A segunda dificuldade dos requisitos desta edição do Prémio Santos Stockler prendia-se com a necessidade de articular a escrita do conto com um tema: «Património: Olhar o Passado Rumo ao Futuro». De facto, à exigência de contos que revelassem aquela necessidade de expressão das profundezas da alma humana a que Rilke se referia, associava-se a obrigação de ela estar ancorada noutra: a de também exprimir uma homenagem a património material ou imaterial muito significativo do concelho de Lagoa. Neste caso, as armadilhas eram outras: a de a vontade de obedecer ao tema fazer esquecer a necessidade de profundidade e qualidade literária, por um lado; e, pelo outro, a de usar o tema do concurso como cenário meramente alusivo de um drama ou de uma história que, na realidade, poderia acontecer noutro local ou em relação com qualquer outro património.

O júri estava, assim, obrigado a orientar a sua análise dos mais de cem exemplares recebidos em torno dessas duas exigências: a qualidade literária intrínseca do conto, vista à luz de uma História Literária repleta de extraordinários exemplos; e o modo como essa qualidade também servia para indubitavelmente dar a conhecer uma dimensão patrimonial superior do concelho de Lagoa.

Depois de afastados os muitos exemplares a concurso que não cumpriam nenhuma daquelas condições, o júri dedicou-se mais atentamente àquela vintena de contos que ou possuía uma digna qualidade linguística e literária ou iluminava, também dignamente, um aspeto relevante do património material ou imaterial do concelho. Em resultado dessa análise mais fina, foi fácil chegarmos unanimemente à conclusão de que um dos exemplares cumpria, melhor do que todos os outros, as duas premissas do prémio. Como já foi anunciado nesta sessão, esse conto chama-se «Alfaiate» e (soubemo-lo depois de concluído o período de deliberação) é da autoria de Helena Tapadinhas.

Alfaiate, que dá o título ao conto, é nome do cão vadio cuja biografia, narrada na primeira pessoa, acompanha as profundas mudanças sociais, económicas e culturais que o protagonista vai testemunhando na comunidade humana em que se move, por ele apelidada de «Povo da Praia». Esse programa narrativo é-nos apresentado logo no início, quando o protagonista, já no fim da vida, nos anuncia a sua vontade de, cito, «legar ao futuro a memória das mudanças que [testemunhou]», e que corresponderam, volto a citar, «à morte de um mundo muito antigo».

Na realidade, Alfaiate está a falar das profundas transformações ocorridas, no século passado, nas comunidades piscatórias e agrícolas de Lagoa, desencadeadas pelo desenvolvimento da intensa atividade turística que, por sua vez, proporcionou chorudos negócios em torno da venda de terrenos junto ao litoral. E se, por um lado, é verdade que esse fenómeno foi decisivo para que parte dessa população pudesse finalmente escapar à miséria, por outro, daí resultou uma profunda desagregação e aculturação dessas mesmas comunidades, incluindo a perda, talvez para sempre, de importantes referências culturais e antropológicas. E é dessa perda que nos fala, essencialmente, este conto.

Ao fazê-lo, numa escrita inteligente, literariamente cuidada, linguisticamente rica e repleta de um humor muito fino, o conto recupera um património imaterial precioso, assim cumprindo inteiramente o programa a que, no início, se propõe o protagonista e narrador. Mas fá-lo, também – e o aspeto que referirei a seguir é tudo menos despiciendo –, sem qualquer cedência à redução da história contada à referencialidade local, que, pelo contrário, aparece como sangue que dá vida a uma notável organicidade narrativa. E foi este o motivo pelo qual, não sendo eu habitante do concelho, não precisei de saber que tanto o protagonista quanto muitas das restantes personagens e dos locais ou espaços referidos na narrativa existiram para compreender a profundidade da mensagem deste belíssimo conto com que Helena Tapadinhas celebrou as gentes e o concelho de Lagoa, conferindo-lhes a universalidade exigida aos objetos artísticos.

Finalmente, destaco outra qualidade deste texto: ele arrebata o leitor, provocando naqueles que a isso se disponham um benfazejo mergulho que abrange todos os matizes emocionais, ao mesmo tempo que, graças aos momentos de distanciamento provocado pelo humor e ironia usados pelo protagonista, o faz refletir seriamente sobre o sentido político dos vários acontecimentos relatados e da mudança de que se dá testemunho: porque se há uma coisa que este conto recusa ser é ideologicamente neutro. E disso sabe muito bem o Alfaiate quando, ao anunciar o seu programa narrativo, com subtil ironia nos confessa: «Gostava de compreender melhor o sentido dessas mudanças para melhor as contar. Mas as coisas quando acontecem não têm sentido nenhum. Mais tarde poderá haver quem se entretenha a inventar-lhes o sentido. Mas isso é apenas uma habilidade de quem quer fazer de conta que não anda perdido no caos que nos governa.»

No entanto, a ironia suprema do conto está no seguinte dispositivo ficcional à vista de todos: afinal, é um cão, nascido de mãe vadia à beira mar e «criado à conta de sardinha migada», quem nos devolve, através do espelho da sua arte de contar, essa imagem tão nítida e aguda (e dolorosa e risível) do que nós, humanos, vamos fazendo da nossa vida em comum.

Por tudo isto – e por muitas outras qualidades que a circunstância não me permite destacar convenientemente –, não teve o júri dúvidas em, por unanimidade, atribuir o Prémio Literário Santos Stockler de 2017 a Helena Tapadinhas pelo seu conto «Alfaiate».

Tomada a decisão quanto ao Prémio, foi notório que cada um dos membros do júri tinha guardado no coração mais uns quantos contos que, não cumprindo ao mesmo nível do que acabei de apresentar a perfeita articulação entre o critério da qualidade linguística e literária e o critério do tema, considerávamos merecedor de leitura por quem gosta de histórias bem contadas. E assim, usando uma prerrogativa que o regulamento nos atribuía, decidimos nomear as seis menções honrosas que seguidamente apresentarei, compreensivelmente de forma mais breve e por ordem alfabética do primeiro nome dos autores.

«Camaleão», de Ana Maria Nunes Gonçalves, celebra uma espécie animal nativa do Alarve que corre riscos de extinção. Tem ainda a caraterística de incluir bonitas ilustrações alusivas à viagem realizada pelo protagonista que, afinal, é uma viagem de autodescoberta e aceitação de si próprio. A autora oferece duas versões da história: uma destinada a adultos e outra a crianças e jovens.

«Da permanência», de António Oliveira, é uma belíssima, muito curta e escorreita história que vai alternando entre uma narrativa do passado e outra do presente, confluindo ambas, no final, para um momento em que o protagonista da atualidade, de seu nome João, vislumbra o que lhe parecer ser uma pequena janela iluminada no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Lagoa. O leitor não pode deixar de se perguntar: será o monge Joham, o protagonista do passado, na sua cela, finalmente a escrever? E terá Joham presenciado o drama do quase afogamento do filho de João? Tudo é possível, porque, afinal, tudo permanece.

«A vida inteira num prato de barro», de Carla Marida Pais, conta a história pungente de Jaime, jornalista desempregado, alcoólico e atormentado pela perda do seu grande amor, pela morte do pai e pelo estado de pré-demência da mãe, internada num Lar em Lagoa, que ele visita mensalmente, vindo de Lisboa. Num desses regressos mensais à terra natal, Jaime descobre, finalmente, na oficina de olaria do seu pai, agora abandonada, a resposta à pergunta que o progenitor lhe tinha legado e que o acompanhava desde a infância: «sabes de onde nasce o amor, Jaime?»

«Nepomuceno na terra dos possíveis», de David Roque, conta de forma picaresca a história do escravo negro João Nepumoceno, nascido em Ferragudo poucos meses antes do Terramoto de 1755, rapaz inteligente cuja curiosidade insaciável o leva a pedir ao mestre Baltazar que lhe ensine as suas artes mágicas – e a ler e escrever. Acompanhamos as aventuras e desventuras desse escravo cultivado até ao momento em que, já homem livre, ousa pedir em casamento uma rapariga branca.

«A Casa de Verão», de Isabel Novo, cuja ação principal decorre no final do século XIX, conta, de forma classicamente muito bela, os últimos dias da vida de Miss Riverey, jovem viúva inglesa abastada que encontrara em Lagoa o refúgio curativo para a melancolia que lhe tinha sido diagnosticada pelos médicos do Porto e que, afinal, veio a revelar-se ser uma grave doença do coração. O momento mais assombroso deste conto acontece quando, cedendo a um último chamamento da vida que lhe começa a escapar, Miss Riverey decide entregar-se a um jovem pescador com quem tinha estabelecido uma relação improvável no pico do verão. Esse episódio é uma poderosa metáfora da fusão do estrangeiro com o nativo, do alienígena com o indígena, colocando literariamente no centro da narrativa o fenómeno tão conhecido da rendição do forasteiro à beleza musculada e agreste e doce e mediterrânica do Algarve.

Finalmente, «Memórias fugazes», de Paulo Morais, narra, com sentido poético e grande sensibilidade, o regresso introspetivo de um homem a Lagoa para realizar o funeral do pai, sendo essa viagem uma oportunidade para se confrontar com a demanda dolorosa de um amor paternal aparentemente inexistente. Mas, sozinho naquela casa paterna agora vazia, o protagonista encontra talvez esse amor que ele julgava ausente e, sobretudo, acaba por constatar que também ele próprio está ausente da vida da filha, com quem não fala há cerca de dez anos».

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