Gala presta homenagem a Hermenegildo Guerreiro, «um dos expoentes do acordeão no Algarve»

Hermenegildo Guerreiro não sabe de onde vem o seu gosto pelo acordeão. Certo é que a paixão desde cedo esteve […]

Hermenegildo Guerreiro não sabe de onde vem o seu gosto pelo acordeão. Certo é que a paixão desde cedo esteve presente, e o talento também, de tal forma que aprendeu sozinho a tocar este instrumento. Este sábado, 18 de Novembro, a partir das 21h30, o acordeonista algarvio vai ser alvo de uma homenagem, no Teatro das Figuras, em Faro, e não esconde estar «muito assustado». 

É que, para chegar aqui, e apesar deste instrumento sempre ter estado presente nos meios em que se movimentava, não foi fácil começar a tocar. Teve de ser o próprio Hermenegildo Guerreio a pagar o seu primeiro acordeão, quando já trabalhava.

No início, tudo foi «difícil». «Nasci em 1957, tenho 60 anos, e todas as pessoas que nasceram nessa altura sabem as dificuldades pelas quais passámos. Aspirar a ser algo na música era um atrevimento e um luxo», recorda Hermenegildo, em conversa com o Sul Informação, a propósito desta homenagem.

Natural de Salir, Hermenegildo Guerreiro mudou-se, ainda jovem, para Bordeira (na freguesia de Santa Bárbara de Nexe, Faro), onde passou «parte importante da adolescência». Foi lá que «concretizei a vontade de poder experimentar tocar acordeão, um instrumento que já me ia na alma».

Depois de comprar o seu primeiro acordeão, e de aprender a tocar, praticamente sozinho, começou a dar aulas, em 1983. A isto foi juntando atuações em hotéis, como músico privado, e participações nas Charolas e nas Marchas Populares de Bordeira.

Mais tarde, Hermenegildo tirou algumas formações na área da música, nomeadamente no Conservatório Regional do Algarve e no Instituto Universitário Dom Afonso III, em Loulé, para que, com estas, pudesse fazer um «trabalho consistente» com os alunos.

Sérgio Martins, presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara de Nexe, entidade que promove esta homenagem, não tem dúvidas: «Hermenegildo Guerreiro é um dos expoentes máximos do acordeão no Algarve».

Com esta iniciativa, a ideia é «salvaguardar a identidade cultural da freguesia» também para as «gerações futuras». Aliás, o projeto “Terra de Acordeão”, promovido pela Junta de Freguesia, em que se insere esta homenagem, tem o objetivo de celebrar os acordeonistas que, ou nasceram na Bordeira ou estão ligados àquela terra.

Por isso, nomes como António Madeirinha ou Daniel Rato já foram homenageados, em galas semelhantes à que vai subir ao palco do Teatro das Figuras.

No sábado, Hermenegildo não vai tocar (algo que já não faz, ao vivo, há alguns anos, por opção própria).

É ao ensino do acordeão que se tem dedicado, dando aulas privadas em Faro, São Brás de Alportel e São Bartolomeu de Messines.

«O professor é o pensador. Tem de criar estratégias e um plano para o aluno. Cabe ao professor perceber se está ali um diamante e se estiver… tem de o lapidar».

E a verdade é que Hermenegildo Guerreiro, que faz questão de se afirmar como um «defensor da cultura nossa terra», pode orgulhar-se de já ter lapidado alguns.

Pelas suas mãos, passaram alunos que foram duas vezes campeões do Mundo: João Frade e João Filipe Guerreiro (seu filho). Ambos estão confirmados para a gala de sábado.

A estes juntam-se o trio Acordealma, Anabela Silva e José Gabriel (Duo), Emanuel Marçal, Fábio Guerreiro, Fernando Inês, Hélder Barracosa, Ilda Maria, José Correia, Lígia Cipriano, Lúcia Barracosa, Luís Gama, Nelson Conceição e Rui Briceño.

Sérgio Martins

A homenagem a Hermenegildo não se vai limitar, contudo, a esta gala.

É que, além de uma exposição, no Teatro das Figuras, também será editado um CD de homenagem, com músicas de Hermenegildo Guerreiro gravadas por artistas nacionais e internacionais. Vai ainda ser publicado um livro de pautas das suas músicas.

Sérgio Martins diz que a expetativa é ter «sala cheia», numa «grande noite cultural».

«Isto vai mexer muito com as minhas emoções. É um teatro grande, com muitas pessoas. Apesar de ter tido um percurso em que lidei com muita gente, nunca tive um à-vontade muito grande perante grandes plateias. Estou super assustado», confessa, por sua vez, o futuro homenageado.

Hermenegildo Guerreiro é um verdadeiro apaixonado pelo acordeão (e pela música, no geral, como faz questão de realçar).

«Todos os eventos em prol do acordeão, que é o instrumento mais completo que conheço, são sempre mais valias. Infelizmente, o acordeão tem-se debatido com preconceitos de pseudo-intelectuais que o associam apenas ao folclore. Isso é um erro completo. O acordeão está, por exemplo, integrado em orquestras sinfónicas», realça.

«Mas há uma coisa que me atrevo a dizer: é preciso refrescar as plateias. Antigamente, os acordeonistas eram mais idosos e o público mais novo. Agora é ao contrário», conclui, entre risos.

Os bilhetes para esta gala de homenagem, que conta com o apoio do “365Algarve”, custam 5 euros e estão à venda aqui.

Além de professor, Hermenegildo Guerreiro é júri na Confédération Mondiale de l’Accordéon e na Confédération Internationale des Accordéonistes, sendo, nesta última, delegado em representação de Portugal. Também é de sócio de mérito da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve.

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