Almargem diz que Cimpor «continua a apostar na co-incineração»

A associação Almargem acusa a Cimpor de Loulé de continuar a «apostar na co-incineração», querendo acrescentar «mais materiais» a este […]

A associação Almargem acusa a Cimpor de Loulé de continuar a «apostar na co-incineração», querendo acrescentar «mais materiais» a este processo de tratamento térmico de resíduos. 

Após um período de quase estagnação, coincidente com a venda da empresa à multinacional InterCement, a Cimpor «quer agora renovar a sua licença ambiental», segundo a Almargem.

Segundo os ambientalistas, a Cimpor «pretende passar a incorporar lixiviados de aterros sanitários e lamas secas de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), além de resíduos da indústria têxtil, de centrais elétricas a carvão e de plásticos de construção, reduzindo assim ainda mais a utilização de coque de petróleo».

O Sul Informação tentou contactar a Cimpor para esclarecer esta questão, mas não obteve resposta.

Perante estas intenções, «a Associação Almargem exige que a Cimpor venha a público esclarecer cabalmente a origem concreta desses novos materiais e as possibilidades de contaminação derivada da eventual inclusão de resíduos indevidamente tratados no processo de fabrico de cimento, nomeadamente no que respeita a presença de metais pesados e dioxinas».

É que, para a associação, tal terá impactos «na evolução das taxas de emissão de gases poluentes e gases com efeito de estufa».

O Centro de Produção de Loulé da Cimpor, inaugurado em 1973, ocupa uma antiga zona agrícola no Barrocal a oeste da cidade de Loulé.

«Ao longo dos anos, devido à extração de matérias-primas essenciais para o fabrico de cimento, foi sendo arrasado o vizinho Cerro da Cabeça Alta, graças ao rápido crescimento da pedreira de calcário, para já não falar do xisto extraído da pedreira da Passagem (Querença), neste caso com impactes significativos sobre o sossego das populações e o estado de conservação das estradas de acesso», diz a Almargem.

Com a construção da Via do Infante (A22), «esta unidade industrial tornou-se um dos elementos mais marcantes da paisagem para quem visita o Algarve, sem que os seus responsáveis se preocupassem muito em criar ecrãs arbóreos capazes de amenizar o respetivo impacto visual», acrescenta.

Relativamente à poluição provocada pela fábrica ao nível do ar, da água e do ruído, «o seu relativo isolamento minimizou os impactes verificados sobretudo nas primeiras décadas de funcionamento».

«Há dez anos surgiu, no entanto, uma séria polémica relacionada com o interesse da Cimpor em utilizar farinhas animais como combustível, numa altura em que esses materiais levantavam grandes suspeitas, devido à possível contaminação pelo agente da chamada doença das vacas loucas», explica a Almargem.

«Afastada a hipótese das farinhas animais, a partir de 2009 a Cimpor apostou essencialmente na co-incineração de pneus triturados, de forma a diminuir a utilização de coque de petróleo (resíduo de refinarias de petróleo, muito rico em carbono), principal combustível utilizado nos fornos», conclui.

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