Serões da Primavera arrancam em Tavira com Señoritas

A dupla Mitó Mendes e Sandra Batista, agora transformada em Señoritas, estreia-se no Algarve com o seu primeiro trabalho na […]

A dupla Mitó Mendes e Sandra Batista, agora transformada em Señoritas, estreia-se no Algarve com o seu primeiro trabalho na Casa do Povo de Santo Estêvão, este sábado, dia 1 Abril, às 22h00.

Este é primeiro de quatro concertos do ciclo “Serões da Primavera” que, de Abril a Junho, traz até ao Barrocal do concelho de Tavira nomes conceituados do panorama musical português, numa perspetiva de descentralização, combate à exclusão social e à desertificação que o território tem sofrido.

As Señoritas são as primeiras a subir ao palco das noites primaveris e apresentam, no Algarve, o álbum de estreia “Acho Que É Meu Dever Não Gostar”.

As duas artistas fizerem parte da última formação da Naifa e, depois da separação em 2014, continuaram a encontrar-se e a amizade uniu-as neste projeto. «Há um almoço, fatídico, em que lhe mostro uma das minhas letras e a Mitó disse que gostava de experimentar aquilo e desenvolver mais. A partir daí, as músicas começaram a surgir e veio esse apetite, entre as duas, de começar a criar e a explorar o nosso lado» revela Sandra Baptista, ao Musicália|Sul Informação.

A origem é assumidamente da Naifa, afinal, eram o lado feminino da banda, e o nome Señoritas remete para um dos temas emblemáticos do grupo, servindo de lembrança ao “local” onde as suas vidas se cruzaram, quase numa vida passada, porque agora o caminho é seguramente outro.

«Este projeto é, acima de tudo, quebrar, um bocadinho, alguns preconceitos, teres muita coragem e muita lata para avançar com algo novo. Estamos numa fase da nossa vida em que a autoestima está equilibrada, está saudável e que os egos foram desaparecendo», afirma a artista.

Quer isto dizer que não as incomoda muito se as pessoas não se revirem no projeto. Sandra Batista esclarece: «estamos a ter um prazer tão grande e a desafiar-nos e surpreender-nos tanto, que é essa a mais valia. É um projeto muito pessoal».

E é também minimalista do ponto de vista musical, assentando na voz e na guitarra de Mitó Mendes e no acordeão e no baixo elétrico de Sandra Baptista, suportadas por sets de programações que realçam a crueza e nudez da linguagem musical.

Há músicas que intencionalmente não têm um refrão, porque assim “lhes apetece”, fazem o que sentem. «São canções, mas são-nas à nossa maneira e despindo completamente os preconceitos que estão à nossa volta. Mas isso deve-se à nossa experiência musical e ao amadurecimento que acabámos por ter». De outra forma, garante, era difícil criar um caminho novo «tão minimalista, cru e real como é o das Señoritas».

A dupla assume cantar a vida, as vivências de todos nós, num abrangência de campos emocionais, num pós-punk rebelde, mas com a maturidade que a vida e as experiência musicais lhes foram dando. «É aquele murro na mesa. Estou farta de tudo o que está a ser imposto na sociedade e apetece-me e tenho o direito de fazer as coisas à minha maneira. É essa atitude que temos, sim».

 

Se esta pode ser tida como uma postura habitual dos adolescentes, de onde surgiram muitos dos movimentos musicais de protesto como o punk ou hip-hop, é verdade que se tem assistido a um crescente de artistas “quarentões” a manifestarem musicalmente a sua contestação. «É sinal que estamos mais atentos à nossa sociedade, que estamos mais cultos, mais informados e mais interessados em alterar as coisas que estão mal e isso é muito bom», comenta a compositora.

A resposta do público mostra que compreendem e entram no universo Señoritas. Tal como a música, a apresentação é também minimalista, apenas as duas intérpretes em palco, mas com a capacidade de transmitir a cumplicidade e os diferentes mundos criados em cada tema.

Sendo a estreia no Algarve, Sandra Batista deixa o repto: «desafio as pessoas a saírem de casa e a terem coragem a assistirem a uma hora de uma injeção emocional e, acreditem, não se vão arrepender.»

Depois das Señoritas a 1 de Abril, os Serões da Primavera seguem a 28 de Abril, com Samuel Úria, a 5 de Maio, com António Chainho, e, a 3 de Junho, com Bruno Pernadas, num ciclo que “viaja” por sonoridades que vão do jazz, à guitarra portuguesa, ao pop, ao rock, world music ou mesmo o folk. Todos os concertos começam às 22h00.

Durante toda a duração do Ciclo, estará patente uma exposição de desenhos de Margarida dos Santos.

 

Tema: “É meu dever não gostar”:

 

Oiça na íntegra a entrevista a Sandra Batista, das Señoritas:

Tema: “Acho que é meu dever não gostar”

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