Autárquicas: Jerónimo de Sousa acredita que CDU vai eleger mais autarcas no Algarve

Vão a todas, com listas em «todos os concelhos e todas as freguesias do Algarve», com o objetivo de aumentar […]

Vão a todas, com listas em «todos os concelhos e todas as freguesias do Algarve», com o objetivo de aumentar o número de autarcas eleitos pela CDU, na região.

O secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa esteve este sábado em Faro, para visitar a Ilha da Culatra, sobre a qual voltou a pairar o “fantasma” das demolições, e para participar numa festa-comício, onde deixou palavras de confiança às centenas de militantes e simpatizantes que estiveram no Grande Auditório da UAlg, em Gambelas, em relação às Eleições Autárquicas que se disputam este ano.

Como já aconteceu noutras ocasiões em que visitou Faro, Jerónimo de Sousa foi recebido com Charolas, proporcionadas por um grupo improvisado, composto, essencialmente, por elementos da freguesia farense de Santa Bárbara de Nexe, mas que integrou, à última hora, uma tocadora de ferrinhos vinda de Silves: Luísa Conduto Luís, vereadora da Câmara conquistada pelos comunistas  ao PSD em 2013.

Tendo em conta que, do grupo de Charolas, também faziam parte o atual e o ex-presidente da Junta de Santa Bárbara de Nexe, Sérgio Martins e Leonardo Abreu, respetivamente, o momento musical que antecedeu os discursos acabou por ser, involuntariamente, representativo de um dos temas fortes das palavras do secretário-geral dos comunistas.

Isto porque, em 2013, a conquista da Câmara de Silves foi a “cereja no topo do bolo” de umas Eleições em que o PCP «cresceu 70 por cento» em autarcas eleitos no Algarve, tendo conseguido eleger «cinco vereadores em diferentes Câmaras». Uma das vitórias foi a eleição de António Mendonça como vereador da Câmara de Faro, concelho onde os comunistas têm um fiel bastião, a freguesia de Santa Bárbara, na qual a CDU mantém o poder há mais de duas décadas.

«Na altura, poucos acreditariam que a CDU pudesse crescer como cresceu aqui no Algarve. Estamos convictos que, tal como há quatro anos, nada está decidido, Será pela nossa ação e determinação que iremos construir o resultado eleitoral aqui na região», considerou.

Palavras de incentivo que foram lançadas durante um discurso dedicado, em grande parte, a temas quentes da atualidade política a nível nacional, como a TSU e o Novo Banco, entre outros, bem como à afirmação da «política patriótica e de esquerda» defendida pelos comunistas. Apesar disso, a intervenção de Jerónimo de Sousa até começou com uma palavra para os ilhéus da Culatra, com quem tinha estado horas antes.

«Hoje estive com gente que viveu e cuidou das ilhas-barreira durante décadas, pescadores e mariscadores que garantiram o funcionamento do sistema produtivo associado à Ria Formosa», ilustrou Jerónimo de Sousa, criticando a intenção de deitar abaixo casas nos núcleos do Farol e Hangares.

Na sua visita a esta ilha-barreira da Ria Formosa, na manhã de sábado, o secretário-geral do PCP disse aos jornalistas que as demolições continuam a ser uma «ameaça», apesar dos avanços que houve no processo, instando as comunidades afetadas a combatê-las. «Este anúncio é uma ameaça latente e mais uma vez o que vai ser determinante não será a ação, a intervenção institucional, designadamente por parte do PCP, mas a luta, o empenhamento, a unidade desta comunidade», defendeu.

Jerónimo de Sousa não escondeu a sua intranquilidade sobre o relançar do processo de demolições na Culatra, após cerca de cinco dezenas de proprietários terem sido notificados, no início desta semana, para a tomada de posse administrativa das suas habitações pela Sociedade Polis Ria Formosa, e garantiu que já pediu uma audiência com o ministro do Ambiente, para esclarecer a questão.

O líder do PCP também deixou no ar a suspeita de que poderão existir interesses económicos por detrás do processo de demolições nas ilhas, embora estes nunca se tenham manifestado de «forma clara». «Muitas vezes, os objetivos parecem distantes, mas, no essencial, porque é que se metem com estas comunidades, que mal esta comunidade está a fazer?», perguntou.

O que parece certo é que os ilhéus da Culatra vão continuar a contar com uma voz ativa na Assembleia da República, mesmo tendo em conta que o número de casas marcadas para demolir tenha descido drasticamente das quase 400 inicialmente previstas, para apenas cerca de 50, de 2ª habitação e situadas a menos de 40 metros da Ria Formosa.

As demolições não foram esquecidas durante o espetáculo de Charolas com que os militantes do PCP foram presenteados, não tendo faltado versos improvisados de apoio à luta dos ilhéus e de crítica social. Mensagens que, aliadas às muitas palavras de ordem gritadas, deixam claro que a luta do PCP é, mesmo, para continuar.

Veja as fotos da visita de Jerónimo de Sousa a Faro:

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