Porto de Portimão recebe 20 milhões para reforçar cruzeiros, Faro passa a porto de recreio

As obras no canal de navegação interior, na bacia de manobras, nos cais e terminal do porto de Portimão vão […]

As obras no canal de navegação interior, na bacia de manobras, nos cais e terminal do porto de Portimão vão mesmo avançar. Ao todo, serão «quase 20 milhões de euros de investimento, todo ele investimento público, cerca de metade proveniente de fontes nacionais (Porto de Sines) e a outra metade de fundos comunitários, que também já estão garantidos pelo Compete», anunciou ontem, em Portimão, a ministra do Mar.

Na cerimónia de constituição da Comissão Instaladora da nova entidade «Portos do Algarve», que junta Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Docapesca e Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) num novo modelo, descentralizado para a região, de gestão das infraestruturas portuárias comerciais e de náutica de recreio do Algarve, Ana Paula Vitorino salientou que «em princípio, aquilo que está previsto, a não ser que haja alteração definida pela região, é que, relativamente a Portimão, seja dado um enfoque muito maior na parte dos cruzeiros. Será uma aposta forte no aumento dos cruzeiros, mais do que triplicando os passageiros, no horizonte até 2030».

Aquilo que a governante classificou como um «investimento fortíssimo» no Porto de Portimão, estará concluído «até 2020» e até já há prazos definidos: «em 2017 e 2018, serão feitos estudos e projetos, e, entre 2019 e 2020, serão feitas as obras».

Zona prevista de intervenção das obras no Porto de Portimão

Apesar dessa forte aposta em Portimão enquanto porto de cruzeiros, esta infraestrutura irá também manter a sua vertente de «porto comercial ou seja de mercadorias», garantiu a ministra.

Para mais porque, para o moribundo Porto Comercial de Faro, onde já nem há movimento de mercadorias desde que a fábrica de cimento da Cimpor parou a sua laboração, os planos são de uma alteração profunda da sua vocação.

«Quanto ao Porto de Faro, a questão é diferente», disse a ministra. «O que está em cima da mesa é uma proposta de transformação do porto comercial numa zona de marina, ligada à náutica de recreio». Essa será precisamente uma matéria que «terá de ser analisada no âmbito desta nova entidade, cuja Comissão Instaladora agora foi criada», acrescentou.

Enquanto no Porto de Faro o que lá será feito não está ainda amadurecido e será discutido precisamente pela Comissão Instaladora dos «Portos do Algarve», em Portimão a obra já vem sendo prometida e anunciada pelos dois governos anteriores.

O que se prevê, segundo os dados que ontem foram apresentados, é que o porto de cruzeiros possa receber navios até 272 metros de comprimento máximo, bem como o alargamento do canal de acesso para 230/250 metros, o alargamento da bacia de rotação para 485/500 metros, à cota de -10 m ZH, e ainda intervenções no cais da marinha para garantir dragagens, bem como a criação de duas frentes de cais com 330 e 180 metros.

Ao melhorar as condições de acessibilidade e a capacidade de receção de navios de carga e de passageiros no Porto de Portimão, estima-se que haja «impactes na economia local e regional» de 17,1% (VAL-E de 22,4 milhões de euros), um aumento de procura em 165 mil passageiros anuais (de 15 mil pessoas atuais para 180 mil em 2030/2035) e um aumento de escalas em 140 por ano, passando assim das 50 escalas atuais para 190 em 2030/2035.

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