Rede Portuguesa da Fundação Anna Lindh reúne-se em Portimão sob o olhar de Teixeira Gomes

O Centro Nacional de Cultura (CNC) e o Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) organizam em Portimão, nos próximos dias 14 […]

Reunião FALO Centro Nacional de Cultura (CNC) e o Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA) organizam em Portimão, nos próximos dias 14 e 15 de Outubro, a Reunião Anual da Rede Portuguesa da Fundação Anna Lindh (FAL).

O encontro deste ano é inspirado nos itinerários mediterrânicos de Manuel Teixeira Gomes, onde, entre outros temas, se discutirão formas e processos de organização interna no sentido de consolidar a noção de “rede” entre os seus membros, procurando novas formas de intervenção para difundir os valores e objectivos da FAL.

O programa integra, ainda, um jantar literário, limitado aos membros da Rede, sobre a poesia do Mediterrâneo, intitulado “O mar de Ulisses”, a realizar numa taberna da cidade, contando com intervenções do poeta Nuno Júdice e leitura de poesia pelos membros da Rede, e a conferência “Naufrágio com espectador”, durante a qual Maria da Graça Ventura, Guilherme d´Oliveira Martins, Isilda Varges Gomes e Nuno Júdice, com moderação de João Ventura, tendo por referência o legado ético e humanista do escritor e viajante Manuel Teixeira Gomes, abordarão a problemática atual do Mediterrâneo, designadamente a crise dos refugiados e a urgência do diálogo euro-mediterrânico.

A Fundação Euro-Mediterrânica Anna Lindh (FAL) integra 42 países e tem como missão promover o diálogo intercultural e o conhecimento mútuo entre pessoas e sociedades das margens sul e norte do Mediterrâneo.

A Rede Portuguesa foi formada em 2005 em simultâneo com a criação da própria Fundação Anna Lindh, sendo composta, atualmente, por 40 membros das mais diversas áreas de atuação na vida cultural e social do país.

 

O mar de Ulisses [jantar literário com recital de poesia do Mediterrâneo*]
14 Outubro | 19h30 | Taberna da Maré | Portimão

O Mediterrâneo é menos o mar que as suas margens. As margens que se estendem para o interior até onde cresce a oliveira e, onde, em viagem de cabotagem poética, nos propomos aportar para escutar as vozes ora semelhantes ora contraditórias dos poetas que professam uma “fé no Sul”, fazendo da sua poesia um canto de amantes que sabem que o “Mediterrâneo não é apenas uma geografia”, mas também uma ferida aberta na alma que não será jamais fechada, jamais esquecida, e que pode ser, ainda, ser curada pelas palavras, para que o Mediterrâneo volte a ser o mar que está no meio das terras.

Esta a razão do convite para um recital guiado pelo poeta Nuno Júdice, em que cada um dos tertuliantes emprestará a sua voz aos poetas do Mediterrâneo, para, apesar dos tumultos que agitam, hoje, as suas águas, reencontrarmos nas suas margens de papel a esperança de um “mar comum”.

Introdução e comentários por Nuno Júdice | Moderação por João Ventura
(*participação limitada a 30 membros da Rede Portuguesa FAL e convidados)

 

Naufrágio com espectador [Conferência sobre o Mediterrâneo]
15 Outubro | 15h00 | Casa Manuel Teixeira Gomes (lotação da sala: 50-60 pessoas)

Os Antigos consideravam a oliveira como símbolo e como marca territorial do Mediterrâneo. Para Manuel Teixeira Gomes, um homem do Sul, foi a figueira que o levou em viagens de negócios aos países frios e sombrios do Norte e que lhe deu recursos para desfiar em viagens de ócio o rosário de cidades do Sul luminoso: Andaluzia, Catalunha, Itália, Grécia, Norte de África, Ásia Menor.

Como Nietzsche professava uma espécie de “fé no Sul”, preferindo a margem magrebina à europeia. Mediterrâneos. Pequenos mundos precários a que a História lentamente deu forma antes de os fazer naufragar nas águas dolorosas de um mar que já foi comum e que, hoje, ao invés de Nietzsche e de Manuel Teixeira Gomes, como espectadores passivos de um drama alheio, nos faz perder tanto “a fé no Sul” como no Norte.

É sobre esse Mediterrâneo atual exposto a sul às guerras e aos dramas da corrente migratória sem fim que elas provocam e a norte à crise económica e social que aviva as tensões e desata o medo e a xenofobia, mas que, também, pode ser espaço de novas solidariedades que trataremos nesta conferência inspirada no legado ético e humanista de Manuel Teixeira Gomes.

Oradores:
Isilda Varges Gomes
Maria da Graça Mateus Ventura
Guilherme d´Oliveira Martins
Nuno Júdice

Moderador: João Ventura

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