Homens vítimas de violência doméstica ganham porto seguro no Algarve

Das vítimas de violência doméstica reportadas em Portugal, 15 por cento são do sexo masculino. Foi a pensar nestes homens […]

Casa Abrigo FASLDas vítimas de violência doméstica reportadas em Portugal, 15 por cento são do sexo masculino. Foi a pensar nestes homens que foi criada no Algarve a primeira Casa Abrigo para homens vítimas de violência doméstica do país, um projeto-piloto que será gerido pela Fundação António Silva Leal.

O equipamento, com capacidade para acolher 10 pessoas, será em tudo semelhante aos que já existem, destinados a mulheres, e começa a funcionar no sábado.

A Carta de Compromisso do projeto-piloto Casa Abrigo para homens vítimas de violência doméstica foi assinada esta quarta-feira, em Faro, numa cerimónia que contou com a presença do ministro Adjunto Eduardo Cabrita e da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade Catarina Marcelino.

«A casa estará completamente operacional a partir do dia 1 de Outubro [sábado]. É um equipamento de acolhimento que estará disponível para toda a rede que trabalha nesta área e funcionará exatamente da mesma forma dos que já existem para mulheres», disse Carlos Andrade, presidente da Fundação António Silva Leal.

«A partir do momento em que acolhemos as vítimas, damos-lhes apoio psicológico, social e ao nível da saúde e ajudamos a criar um projeto de vida», descreveu.

Segundo o responsável máximo por esta IPSS, os «anos de experiência» a trabalhar na área da violência doméstica permitiram à Fundação perceber que havia uma lacuna na resposta às vítimas, nomeadamente as do sexo masculino. Carlos Andrade acrescentou que, no caso das vítimas homens, «a violência psicológica tem uma incidência maior», do que quando as vítimas são mulheres e crianças.

Violencia Doméstica

Para Eduardo Cabrita, com o lançamento de uma Casa de Abrigo para homens vítimas de maus-tratos, está-se a «quebrar um tabu». Até porque a dimensão deste problema não é de menosprezar. «Em 15 por cento dos casos reportados, as vítimas são do sexo masculino. Estes homens estão em situação de fragilidade ou de desestruturação pessoal ou familiar», ilustrou o ministro, que revelou que esta é uma problemática que atinge «alguns milhares de pessoas no país e centenas, aqui no Algarve». Tendo isto em conta, há já «pessoas sinalizadas, para as quais passamos a ter uma resposta».

Sendo um projeto-piloto, o primeiro ano de existência da Casa Abrigo para homens vítimas de violência doméstica servirá para perceber qual será, efetivamente, a adesão das vítimas e «em que medida esta resposta é adequada para os seus destinatários».

Aqui, além de serem mantidas em segurança, as vítimas terão direito a «acompanhamento jurídico, psicológico e enquadramento de apoio social». «Vamos dar visibilidade a esta problemática, para que também as forças de segurança possam agir com a mesma qualidade e capacidade com que o fazem em relação às mulheres», acrescentou o membro do Governo.

A criação de equipamentos deste tipo não é, ainda assim, a grande prioridade do Governo e das muitas instituições que trabalham na área da violência doméstica. «Esta é uma solução de último recurso. Onde temos de intervir, e é uma área que estamos a trabalhar, é na dimensão preventiva, sobre o agressor, afastando-o da vítima e dos filhos. Estamos a ponderar as alterações à lei que se revelarem necessárias», assegurou o membro do Governo.

«A violência doméstica era uma realidade escondida, há algumas décadas. Mudámos muitos desde então. Mudou a visibilidade que o tema tem, mudou o comportamento das forças de segurança, foi tornado crime público e, sobretudo, alterou-se a forma como a sociedade olha para esta questão. A violência doméstica é, maioritariamente, sobre mulheres e, provavelmente, continuará a sê-lo. Para tal temos uma resposta integrada, com uma rede de 40 casas de abrigo com capacidade para acolher 800 vítimas», enquadrou Eduardo Cabrita.

A partir de sábado, passa a haver um lugar seguro para homens que se queiram libertar de uma teia de maus-tratos, nas suas próprias casas.

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