A pé pela história de Portimão nas vésperas do Dia Europeu sem Carros

Um passeio cultural noturno pela história e pelo património menos visível de Portimão foi a proposta de ontem à noite, […]

Ao fundo da Rua Diogo Tomé, local da antiga Porta de S. João
Ao fundo da Rua Diogo Tomé, local da antiga Porta de S. João

Um passeio cultural noturno pela história e pelo património menos visível de Portimão foi a proposta de ontem à noite, da Câmara local, integrada no programa da Semana Europeia da Mobilidade e do Dia Europeu sem Carros, que hoje se comemora.

Com saída da Casa Manuel Teixeira Gomes, o passeio levou o grupo de participantes, guiados pela Márcia, a descobrir as muralhas que em tempos protegiam a então Villa Nova de Portimão, os seus postigos e portas. As muralhas já são hoje pouco visíveis, embora existam, em grandes troços, mas como muro de pedra a delimitar quintais ou embebidas nas paredes de edifícios mais recentes.

O passeio começou pela zona ribeirinha, para evocar o que foi o porto de Portimão em tempos antigos e para observar a correnteza de casas que hoje se ergue ao longo do que antes foi a muralha, depois seguiu-se para o antigo Postigo dos Fumeiros, uma das portas de entrada, virada para a zona do porto, visitou-se o Arco Maravilhas, perto do qual existiria um convento de freiras com uma roda de expostos, e as arcadas que hoje estão dentro do Bar Marginália, também alvo de visita.

O grupo seguiu depois pela Rua da Porta da Serra (mais um vestígio das antigas portas da muralha) para o edifício hoje ocupado pelo ISMAT (que já albergou as primeiras instalações do Liceu de Portimão e depois foi Escola Técnica).

Aí, foi possível ver e tocar um troço da muralha, agora a fazer as vezes de muro de divisão entre quintais. E depois desceu-se às profundezas, à cisterna descoberta por baixo do ISMAT, cuja origem se desconhece. E viu-se, na biblioteca do estabelecimento de ensino, as duas cabeças em relevo esculpidas na pedra, talvez romanas, que hoje estão integradas nas paredes do edifício.

A paragem seguinte deste passeio cultural noturno foi a Igreja Matriz, erguida com o dinheiro dos homens bons da terra, num tempo em que a pequena povoação de São Lourenço da Barrosa já se tinha afirmado como a florescente Villa Nova de Portimão.

Depois, chegou-se ao local onde existiu a Porta de São João, onde hoje se situa o cruzamento entre a Rua Diogo Tomé e a Direita. E a guia explicou que ali mesmo ao lado, num edifício que ainda hoje existe, D. Martinho de Castelo Branco, um dos senhores da terra e conde Villa Nova de Portimão, pediu ao rei D. Manuel I para aí criar um bordel. A explicação dada é que Portimão era já uma terra de muitos marinheiros que, estando muito tempo no mar, precisavam de se entreter em terra. Havendo uma casa de meninas, deixariam de importunar as senhoras da vila e isso seria bom para a moral e bons costumes. O rei autorizou, rezam as crónicas da época…

O percurso noturno, muito interessante mesmo para quem julga conhecer muito bem Portimão, terminou já fora da zona das muralhas, frente ao antigo Palacete Sárrea Prado, hoje Teatro Municipal.

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

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