Cientistas pedem ajuda aos mergulhadores para detetar doença nas estrelas-do-mar

O Departamento de Ecologia Marinha do Centro Português de Atividades Subaquáticas (CPAS), em parceria com Joana Micael, especialista em equinodermes […]

estrela do mar
Espécie Marthasterias glacialis (Linnaeus, 1758), em regeneração de 3 braços. [Foto: Ana Cláudia Ferreira/CPAS]
O Departamento de Ecologia Marinha do Centro Português de Atividades Subaquáticas (CPAS), em parceria com Joana Micael, especialista em equinodermes da Universidade dos Açores, está a desenvolver um projeto para monitorizar o aparecimento em Portugal de uma doença nas estrelas-do-mar e apela à participação dos mergulhadores amadores e outros cidadãos.

O CPAS revela que foi noticiado que um elevado número de estrelas-do-mar tem padecido de uma doença, provocada por um vírus chamado densovírus. Este vírus pertence à subfamília Densovirinae, geralmente conhecida por infetar invertebrados (marinhos e terrestres), estando presente em partículas que vagueiam no oceano.

A doença desenvolve-se em quatro fases/categorias, sendo que se observa a desintegração do epitélio (a “pele” – camada de tecido que está em contacto com o ambiente), seguindo-se a perda de turgescência, a desintegração do corpo (perda de forma, ou seja, com os “braços a quererem ficar pelo caminho”) e por fim, a morte da estrela-do-mar.

Em Portugal, a doença ainda não foi detetada pelo projeto de cariz preventivo promovido pelas duas entidades. Este projeto está a desenvolver uma plataforma de registo dos possíveis casos, para deste modo poder tentar descobrir o porquê do surgimento de um surto.

Para isso, o CPAS apela à participação dos mergulhadores e «à ciência cidadã», pedindo o envio de fotografias das duas faces das estrelas-do-mar sobre a rocha ou areia e com escala; data da observação; concelho e praia ou coordenadas geográficas e profundidade (no caso do mergulho), enviando-os para o e-mail ambiente@cpas.pt

Cada «cientista-cidadão» será depois contactado para preencher uma ficha com outros dados importantes, relativos às caraterísticas do habitat das estrelas-do-mar.

Este é um projeto de colaboração do Departamento de Ecologia Marinha do Centro Português de Atividades Subaquáticas (CPAS) com a investigadora Joana Micael, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade dos Açores (CIBIO-Açores). Atualmente estamos a mudar o nome do Projecto para “Sea-stars watching – Campanhas de Observação”.

Em 2014, nas praias dos EUA (Oceanos Pacífico e Atlântico), diversas populações de estrelas-do-mar foram encontradas mortas. Investigações posteriores indicaram que o responsável era um agente patogénico – o densovírus.

Uma vez que os Oceanos não dispõem de fronteiras, foram criadas as “Sea-stars Watching – Campanhas de Observação”, com o intuito de monitorizar as espécies das zonas costeiras portuguesas, envolvendo o cidadão para a importância desta classe.

Conhecidas pelas suas caraterísticas emblemáticas (cores, número e regeneração de braços), as estrelas-do-mar são espécies chaves no habitat marinho que habitam, sendo fundamentais no controlo populacional de bivalves e outros animais marinhos. Nestas monitorizações, pretende-se averiguar o estado de saúde das estrelas-do-mar, procurando os sintomas degenerativos.

Consulta a descrição das etapas/categorias da doença em:
http://www.eeb.ucsc.edu/pacificrockyintertidal/data-products/sea-star-wasting/

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