Ministro quer «maioria dos problemas do SNS do Algarve» resolvidos até Maio

O Ministro da Saúde quer «resolver a maioria dos problemas que estão identificados, no SNS do Algarve, até 31 de […]

Adalberto campos Fernandes_Ministro Saúde_1O Ministro da Saúde quer «resolver a maioria dos problemas que estão identificados, no SNS do Algarve, até 31 de Maio». E, caso isso não aconteça, insta as forças vivas e a população da região «a cobrar, por favor, o que é a palavra dada», ou seja, esta promessa que deixou.

Adalberto Campos Fernandes e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Manuel Heitor estiveram esta sexta-feira no Algarve, para participar na sessão de apresentação do novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve  e do Plano de Saúde para a região algarvia, e participar em diversas reuniões.

O ministro da Saúde, no discurso que fez, apontou erros do passado, reafirmando que «as políticas públicas de saúde têm falhado, no Algarve». Mas, afirmou, isso não é culpa «de dirigentes e dirigidos locais», e sim das orientações emanadas do poder central. É esta convicção que o faz dar o seu corpo (e não só) às balas.

Mais do que deixar promessas de melhorias, o membro do Governo mostrou-se conhecedor da realidade vivida na região e do que considera as suas necessidades, a nível da saúde. «Faro tem direito a ter um atendimento hospitalar de qualidade, mas Portimão também tem. Temos de ser eficientes na partilha de recursos, mas também responsivos e sensatos, em relação às expectativas da região», disse.

Ou seja, é preciso criar respostas hospitalares fortes tanto a Sotavento, como a Barlavento, até porque «há o problema da EN125 e o facto dos dois hospitais distarem 70 quilómetros entre si». E deixou uma garantia: «Não entraremos no Verão com dificuldades inaceitáveis no Algarve».

Para reforçar a capacidade de resposta, o Governo agilizou protocolos de cooperação entre as ARS do Algarve, do Alentejo e de Lisboa e Vale do Tejo. Para já, as unidades hospitalares do Alentejo, Setúbal e Lisboa vão servir como alternativa, face à reconhecida incapacidade de resposta dos hospitais algarvios, em algumas áreas.

Joaquim Ramalho_CHA_e Carlos Martins_CHLN_assinam protocoloMais tarde, e ao abrigo de um outro protocolo, assinado hoje entre o CHA e o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, dirigido pelo algarvio Carlos Martins, poderão rumar ao Algarve equipas médicas dos hospitais da capital, para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde na região.

Isso não significa, assegurou, que se tenha deixado de pensar em reforçar os quadros dos hospitais algarvios. «Estamos a fazer tudo para resolver as coisas localmente. Mas, como imaginam, o que não se resolveu em quatro anos, não se irá resolver em quatro dias. Nesta matéria, fomos longe demais. Estamos fazer um esforço para captar mais recursos, em concreto na Ortopedia [serviço cuja falta de resposta tem sido notícia]. Mas temos os hospitais de Lisboa e Vale do Tejo disponíveis para ajudar e responder de forma imediata», ilustrou Adalberto Campos Fernandes, aos jornalistas, à margem da sessão.

«Enquanto a situação da falta de recursos humanos não estiver resolvida, não haverá nenhum algarvio a ficar sem prestação de serviços de saúde, que será garantida pelos hospitais do Alentejo, Setúbal e Lisboa», prometeu o ministro da Saúde.

Esta afirmação é válida não só para situações de emergência, mas também no combate ao «incómodo das longas listas de espera», que o ministro admite que atingiram proporções demasiado elevadas, no Algarve. Assim «aqueles que o desejarem», poderão ser operados nos hospitais de Setúbal e Lisboa, estando na calha a criação «de uma via verde de acesso» para utentes da região algarvia.

Antes do discurso do ministro, em que foi afirmada a intenção de resolver, nos próximos dois meses e meio, boa parte dos (muitos) problemas apontados à resposta dos serviços públicos de saúde da região, tinha sido apresentado o Plano de Saúde para o Algarve para 2016.

Neste caso, foi o presidente da ARS do Algarve João Moura Reis o responsável por dar conta da estratégia que será implantada, que prevê não só uma melhoria e reforço dos meios do INEM, mas também investimentos ao nível dos recursos humanos e materiais do SNS, e a instalação de novas Unidades de Saúde Familiar  em Loulé, Quarteira, Albufeira e, mais tarde, Lagos.

Adalberto campos Fernandes e Manuel Heitor em FaroMuitas destas medidas têm como prazo de execução o final de Maio. «Quando chegarmos a 31 de Maio, perguntem o que já foi feito. O que não estiver feito é da responsabilidade do presidente da ARS do Algarve, minha e da tutela», afirmou, por seu lado, o ministro da Saúde.

E acrescenta: «olhem para o que eu faço e não para aquilo que eu digo», pois considera que essa será a melhor forma de avaliar as políticas que vão ser lançadas, no setor da saúde, e o seu sucesso.

O que Adalberto Campos Fernandes já fez, em estreita colaboração com Manuel Heitor, foi lançar as bases para a criação do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, um consórcio entre a Universidade do Algarve e o CHA.

Esta nova estrutura pretende potenciar a ligação entre a investigação e a formação de médicos feita na academia algarvia com os hospitais da região, no sentido de fixar mais médicos e tornar a região mais atrativa para os clínicos jovens.

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