Bombeiros algarvios recebem equipamento que dará «grande ajuda» no combate a incêndios

Os bombeiros algarvios vão enfrentar o período de maior risco de incêndio, que começa esta sexta-feira e se intensifica em […]

Entrega Equipamento DECIF 2015_3Os bombeiros algarvios vão enfrentar o período de maior risco de incêndio, que começa esta sexta-feira e se intensifica em Julho, com melhores condições.

As corporações de bombeiros algarvios receberam esta semana 845 Equipamentos Individuais de Proteção, bem como 165 rádios com georreferenciação para instalar em veículos, associados à rede que existe a nível nacional, e 17 centrais de rádio, uma para cada quartel de bombeiros existente na região.

Todo este material, que o presidente da Federação de Bombeiros do Algarve Paulo Morgado admitiu que «irá dar uma grande ajuda» na hora de enfrentar o fogo, foi adquirido no seguimento de candidaturas a fundos comunitários. No caso dos equipamentos de proteção, resultou de uma proposta conjunta, feita pela AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e a Autoridade Nacional para a Proteção Civil (ANPC), que motivou um investimento de mais de 200 mil euros, comparticipados a 85 por cento pelo Programa Operacional «Valorização do Território» (POVT).

Já os equipamentos de radiocomunicação associados ao Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) foram adquiridos pela ANPC, ao abrigo de uma outra candidatura, que visou dotar «todos os veículos que integram o DECIF» com rádios com georreferenciação.

«Queremos que a segurança dos operacionais esteja maximizada, no terreno, e ter o devido equipamento de proteção individual é fulcral, para conseguir isso», considerou Paulo Morgado, à margem da sessão de apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2015, que decorreu esta terça-feira, em Faro, onde se aproveitou para entregar este equipamento, de forma simbólica, às diferentes corporações algarvias.

Paulo Morgado: “Há, de facto, um número estranhamente elevado de ignições. Nós até combatemos bem os incêndios, não somos é tão bons a prevenir”

«Os desastres dos últimos anos consciencializaram-nos para esta necessidade», acrescentou Paulo Morgado, que considera que foi dado «um salto qualificativo na capacidade de atuação dos bombeiros».

Segundo revelou o presidente da AMAL Jorge Botelho, numa nota de imprensa, o número de equipamentos individuais adquirido chega para reequipar «metade do total dos efetivos das 17 corporações de Bombeiros». Cobertura que o leva a considerar que o resultado da candidatura conjunta foi «muito positivo».

Os rádios que a ANPC comprou e ofereceu aos bombeiros do Algarve também vêm dar melhores condições aos operacionais. «A georreferenciação dos meios vai ser arma importante para a coordenação e ajudará a gerir melhor os teatros de operações mais complexos», acredita Paulo Morgado.

Com mais e melhor equipamento, ajuda-se a colmatar um dos lados do problema, o da capacidade de resposta e da segurança dos bombeiros, mas há outras dimensões que terão de ter outro tipo de respostas, que nem sempre dependem de investimento.

Na sessão de terça-feira, todos os intervenientes lembraram que Portugal é, de longe, o país da Bacia do Mediterrânico com mais ignições e incêndios, com «um terço dos fogos registados» nesta zona geográfica a acontecer no nosso país.

Bombeiros_2«Há, de facto, um número estranhamente elevado de ignições. Nós até combatemos bem os incêndios, não somos é tão bons a prevenir», resumiu Paulo Morgado.

Opinião partilhada por Jorge Botelho, que defendeu, durante a cerimónia de apresentação do DECIF 2015, que, em Portugal, «se gasta muito dinheiro em combate e pouco em prevenção». «Temos de inverter o ciclo, que está muito ligado à desertificação. Há muito que os municípios estão disponíveis a contratualizar com o Estado a limpeza dos terrenos [rurais]», disse.

Já o comandante regional da Proteção Civil Vaz Pinto apelou a um maior cuidado da população, nomeadamente na hora de fazer queimas ou adotar outro tipo de comportamentos de risco, principalmente quando houver alertas da ANPC e as condições forem propícias para a ocorrência de incêndios.

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