Associação de Utentes do Parque de Campismo da Praia de Faro sente-se «atraiçoada» pela autarquia

A Associação de Utentes e Amigos do Parque de Campismo da Praia de Faro sente-se atraiçoada pela Câmara Municipal e […]

Campismo Praia de FaroA Associação de Utentes e Amigos do Parque de Campismo da Praia de Faro sente-se atraiçoada pela Câmara Municipal e quer encontrar uma solução para o espaço para que este possa ser reaberto, como parque de campismo, a todos os farenses.

Em conferência de imprensa, o presidente da associação António Figueira diz que os utentes que ainda usufruem do espaço sentem-se «atraiçoados pela Câmara».

«Também somos farenses, com a particularidade de gostarmos de campismo. Esta é a única construção na praia que não fere o ambiente. Este espaço tem que ser um parque de campismo, moderno, com as condições legais e decentes. Queremos uma alternativa para que este sítio continue a ser um parque de campismo. Quando as pessoas dizem que o Parque de Campismo deve estar aberto a toda a gente, somos os primeiros a dizer que têm toda a razão».

Segundo António Figueira, até 2003, o parque serviu toda a população, mas, por uma questão de saúde pública, foi encerrado. «A situação foi ultrapassada em poucos meses, mas a Câmara Municipal não renovou o alvará e vedou o acesso ao parque de campismo».

O presidente da associação diz que durante o Verão, o parque continua a receber campos de férias e pessoas de várias associações, como IPSS, situação que está contratualizada com a autarquia, e não entende «porque é que o público em geral não o pode fazer».

A intenção de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara de Faro, de criar naquele local um parque de estacionamento provisório durante os meses de Verão, enquanto decorrem as obras de construção do novo parque e de requalificação dos acessos à praia é criticada pelos utentes do parque. «Temos aqui, nesses meses 1000 pessoas por dia, e a Câmara quer substituir isso por 350 viaturas. Se pode dar para mil farenses, vamos criar um parque para carros que não se sabe de onde vêm? Vamos privar as pessoas para meter carros?».Parque Campismo Praia de Faro_1

António Figueira acusa Rogério Bacalhau de ter interesses escondidos na operação. «Há incongruências e interesses envolvidos que não são para benefício da população farense. Rogério Bacalhau não tem coragem de dizer que não entram aqui farenses por causa do PSD. O parque nunca esteve fechado à população farense por indicação nossa, aliás, já propusemos abrir durante o Verão para os farenses».

Em 2012, uma parte do parque de campismo foi aberta para estacionamento de automóveis. Segundo a associação de  utentes, atualmente nesse espaço, «já cabem 350 carros, e sabemos, porque fazemos controlo de matrículas e contactos, que 80 por cento das pessoas que aqui estacionam não são farenses».

 

Referendo visto com bons olhos, mas depende da formulação da pergunta

Parque de Campismo da Praia de FaroA possibilidade de levar o assunto a referendo municipal, avançada pelos partidos da coligação «Juntos por Faro», que venceu as eleições em 2013, não desagrada totalmente à associação de utentes, mas tudo depende da pergunta que for feita. «Somos a favor [do referendo]. Mas se ele questionar os farenses se eles querem ter um parque de campismo, é uma coisa, se for “querem que eles saiam de lá?”, é outra».

A associação diz que um processo judicial contra a autarquia só acontecerá «se a tal formos obrigados», porque «não queremos um conflito, mas uma solução para ambas as partes».

Caso esse processo avance, a associação de utentes vai alegar que Câmara de Faro não está a cumprir o contrato de comodato que une as duas partes. «No nosso entendimento e dos nossos advogados, enquanto a afetação do espaço para um fim definido não acontecer, o contrato é válido. A denúncia só pode ser feita quando o plano pormenor para a Praia de Faro for aprovado, quando se souber o que vai acontecer a seguir a este local. O que a Câmara Municipal de Faro está a fazer é revogar o contrato».

Em relação aos casos sociais identificados entre os utentes do parque de campismo, a associação diz que essas pessoas «estão a ser contactadas desde ontem pelo gabinete de Acão Social da Câmara».

 

 

 

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