Jovem empresário lança-se na exportação de bolo de Martim Longo para França

Bruno Conceição tem 33 anos, é um jovem empresário que gosta de meter as mãos na massa e tem um […]

Bruno Conceição, o jovem empresário que apostou em Martim Longo
Bruno Conceição, o jovem empresário que apostou em Martim Longo

Bruno Conceição tem 33 anos, é um jovem empresário que gosta de meter as mãos na massa e tem um sonho: colocar a sua padaria da pequena aldeia de Martim Longo a exportar para França.

A empresa NeliBruno Indústria de Panificação Lda, criada em 2003, é uma das cinco panificadoras existentes no concelho de Alcoutim e que vendem a sua produção para todo o Algarve, e algumas delas também para o Baixo Alentejo e até Lisboa. Mas o sonho de Bruno Conceição é ir mais longe ainda.

A empresa do Bruno, que tem como sócia a sua mulher Nélia, abriu na aldeia de Martim Longo há doze anos, quando já uma outra panificadora, a Serralgarve, se impunha no mercado algarvio a produzir bom pão, de tipo caseiro.

«Abriu em 2003, mas eu já desde os 18 anos que ando nesta aventura da panificação», conta Bruno Conceição ao Sul Informação, no seu escritório na moderna panificadora. É que, recorda, «o negócio de padaria já é de família, vem dos meus avós. Só que não era aqui, era no Ameixial. Mas casei em Martim Longo e mudei para cá».

Para já, é possível ver as carrinhas de distribuição da NeliBruno a entregar pão «porta a porta», no concelho de Alcoutim e zonas limítrofes, e também «mandamos lá para baixo, para o Algarve», em especial para os concelhos de Faro, Loulé e Albufeira.

Pão de Martim Longo, da padaria NeliBruno, acabadinho de sair do forno
Pão de Martim Longo, da padaria NeliBruno, acabadinho de sair do forno

Durante este mês de Fevereiro, o jovem empresário vai começar também a entregar o seu pão em Portimão, dando seguimento à sua cuidadosa estratégia de expansão. «Queremos chegar ao Algarve todo, a todos os concelhos», revela.

«Em tempos, já fornecemos grandes superfícies mas deixámos. As exigências que nos faziam e os preços que pagavam não compensavam. Apostámos no pequeno comércio, nas mercearias, e é aí que queremos continuar. Já é uma aposta ganha».

«O nosso produto tem que ir para fora do concelho, porque aqui não há consumo suficiente. Para mantermos a porta aberta, temos que fazer muitos quilómetros por dia», explica ainda.

Na sua panificadora, trabalham cinco pessoas em permanência ao longo do ano, incluindo o próprio Bruno, a sua mulher e sócia Nélia, e às vezes, a mãe desta. «No Natal, reforçamos o número de trabalhadores, por causa da produção do bolo-rei. Agora, com a Páscoa, vem o folar e também temos de aumentar a produção».

Dito assim – cinco trabalhadores permanentes – parece pouco. Mas num concelho como Alcoutim, dos mais desertificados e envelhecidos de Portugal e da Europa, sem grandes oportunidades de emprego, em que a maior empregadora é a Câmara Municipal, criar cinco postos de trabalho é obra. «Aqui, para se criar um posto de trabalho é muito complicado», admite o jovem empresário. «No meu caso, que sou do vizinho concelho de Loulé, foi a intenção de abrir aqui um negócio e por me ter casado com uma moça de Martim Longo, que vim para o concelho. O mais normal é os jovens saírem, não é virem para cá», lamenta.

Bruno Conceição: «O nosso produto tem que ir para fora do concelho, porque aqui não há consumo suficiente. Para mantermos a porta aberta, temos que fazer muitos quilómetros por dia»

Ricardo Bernardino, coordenador da equipa técnica da Associação Terras do Baixo Guadiana, que geriu as verbas do Líder+ e do Proder no concelho de Alcoutim e vizinhos, não podia estar mais de acordo e sublinha que «estas pequenas empresas não criam por si só muitos postos de trabalho, mas contribuem para manter as pessoas no território».

«Nos últimos 10 a 12 anos, Alcoutim deve ter perdido cerca de 50% da sua população. Isso é brutal!», salienta. «Este território que é a nossa área de intervenção tem das mais baixas taxas de densidade populacional do país. Ora, sem pessoas não se faz nada. Por isso, é tão importante que haja gente a resistir e a apresentar projetos».

Dois dos funcionários que garantem a qualidade do pão da NeliBruno
Dois dos funcionários que garantem a qualidade do pão da NeliBruno

Curiosamente, apesar de Bruno Conceição se enquadrar nessa categoria da «gente que resiste», o empresário orgulha-se de nunca ter «pedido um cêntimo de empréstimos ou subsídios» para ir expandindo o seu negócio. «Até agora, vamos crescendo com capitais próprios, trabalhando sempre com os pés bem assentes no chão». E é com os pés bem assentes que o empresário se está a lançar para outros produtos e mercados.

Além de vários tipos de pão – pão de cabeça, papo-seco, etc – a NeliBruno é conhecida por ter lançado um produto novo – o bolo de massa de pão, que era tradicional da zona, mas cuja receita a sua empresa melhorou e adaptou a uma produção mais alargada. É um bolo doce, mas não muito, feito com a massa de pão, mas que leva ainda mel e canela, entre outros segredos que o tornam um bolo fofo, muito agradável e com capacidade para durar bastante tempo.

«É um produto que lançámos há dois anos e que está a ter cada vez mais sucesso», conta. Este ano, por exemplo, a distribuição do bolo da massa de pão vai chegar até à Galé, no concelho de Albufeira. «Já tivemos até convites para o levar para Lisboa. Mas a logística e a distribuição não é fácil de encaixar e estamos ainda a ponderar».

Ricardo Bernardino: «Sem pessoas não se faz nada. Por isso, é tão importante que haja gente a resistir e a apresentar projetos»

Mas o Bruno pôs-se a pensar: «temos muita gente que vem aqui comprar o bolo de massa de pão para o enviar para a família que está lá fora, emigrada». E o jovem empresário viu que aí estava uma oportunidade de negócio, internacionalizando esse produto, exportando-o para «os nossos emigrantes lá fora».

«Já temos um parceiro em França, na zona de Paris, um emigrante que tem lá um negócio nesta área e que quer ser nosso parceiro».

Para exportar o seu bolo da massa de pão, a NeliBruno já desenvolveu, em conjunto com um designer local, uma embalagem que tem como elemento decorativo outro ícone do concelho – a boneca de juta feita pelas mulheres da Flor da Agulha. «Agora estou na fase de contactar com as gráficas, para saber quem poderá produzir esta embalagem. Para comercializarmos este nosso produto a uma escala maior, temos que pensar em todos estes pormenores».

Pão preparado para entrar no forno
Pão preparado para entrar no forno

Bruno Conceição já tem as contas feitas: «isto irá fazer a nossa produção crescer, dos atuais 250 bolos de massa de pão por dia para 1000, na fase inicial». Significa que «precisaremos de mais maquinaria, mais funcionários, embalagens apropriadas e de desenvolver a logística para colocar o bolo em França». Os custos, diz, «serão repartidos com o nosso parceiro da zona de Paris».

«Os contactos estão feitos, apenas estamos a tratar das burocracias, que são muitas, mas posso dizer que estamos a um pequeno passo de começar», diz, com orgulho. O novo negócio da NeliBruno, a empresa de panificação a funcionar na remota aldeia de Martim Longo, no Nordeste Algarvio, é para começar «ainda em 2015».

Entretanto, enquanto não voa para terras de França, o bolo de massa de pão, que a repórter do Sul Informação já provou e assegura que é uma delícia, pode já ser comprado e degustado em mercearias, padarias, pastelarias e até restaurantes de Alcoutim e de muitas outras partes do Algarve.

 

NeliBruno
Indústria de Panificação Lda
Rua do Poço Novo, 11
8970-275 Martinlongo
Tel: 965581400
nelibruno@sapo.pt

 

 

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