REPORTAGEM: Deputados navegaram na barra da Fuseta e prometem reunião com secretário de Estado do Mar

A manhã chuvosa não convidava a passeios de barco na Ria Formosa, mas os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura […]

Fuseta2A manhã chuvosa não convidava a passeios de barco na Ria Formosa, mas os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar «não vieram ao Algarve em férias», mas para conhecer os problemas da comunidade piscatória da Fuseta que, todos os dias, arrisca a vida para ganhar o sustento, devido ao assoreamento da barra que complica a circulação das embarcações durante a baixa-mar.

Os armadores de pesca da Fuseta foram recebidos em dezembro no Parlamento pela mesma Comissão que, agora, visitou e viu de perto aquilo que lhes tinha sido contado na capital.

O barco turístico, cheio de deputados – ao todo 20 -, partiu do cais pouco passava das 9 da manhã, numa altura em que, devido à maré vazia, navegar na Barra da Fuseta é um exercício de perícia para evitar os bancos de areia.

Os comentários sobre a pouca profundidade da ria começaram a ouvir-se poucos minutos depois da partida. «Está tão perto, consigo ver a areia, não há mais de meio metro de profundidade», exclamava uma deputada.

fuseta1Ao fundo, um barco de pesca, a regressar da faina, “lutava” contra um banco de areia, expelindo areia atrás de si. «Aquele lá ao fundo tem sorte se não ficar encalhado», explica um dos armadores, que guia a visita, aos deputados. «Todos os dias arriscamos a vida aqui».

Ainda antes do regresso, foi dada uma garantia a Manuel Sousa, presidente da União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta, por parte de um dos membros da comitiva: «o secretário de Estado vai marcar uma reunião convosco».

Depois do curto passeio, que não durou mais de vinte minutos, deputados, autarcas locais e armadores reuniram-se na biblioteca da Junta de Freguesia e, desta vez, foi o presidente da Comissão Parlamentar Vasco Cunha a garantir que o grupo vai trabalhar no caso.

«Pudemos ver pessoalmente aquilo que já nos tinha sido dito em Lisboa. Neste momento, deve ser feito um contacto com o secretário de Estado para que nós, enquanto Comissão, possamos pressioná-lo a tomar medidas», assegurou.Fuseta4

O presidente da União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta gostou do que ouviu e dizia-se «satisfeito, porque todos os membros da comissão mostraram intenções de tomar em mãos o assunto, que acaba por ser consensual». Afinal, para o autarca, «os deputados vieram aqui, viram e sofreram in loco as dificuldades de navegar nesta barra».

Já Humberto Gomes, presidente da Associação de Armadores de Pesca da Fuseta, comentava com o Sul Informação que os deputados «até tiveram sorte de não estar muito mau tempo. É bom que tenham vindo aqui ver com os próprios olhos. Há falta de segurança na barra e isso complica a rentabilidade dos barcos, que, aqui, fazem talvez metade dos dias de pesca do que em Olhão ou em Tavira por exemplo. Há situações em que os barcos saem e, se quando voltarem, a maré estiver vazia, têm que esperar que volte a encher para poderem descarregar o peixe, e isso desvaloriza-o».

Os deputados seguiram viagem e os pescadores continuaram a sua aventura do dia-a-dia, que o Sul Informação constatou no local o quão perigosa pode ser. Fuseta3

«Olhe, se quer ver como isto é perigoso, venha cá, acabou de se dar aqui um acidente», exclama um dos pescadores que acompanhou a visita e, por isso, reconheceu o rosto do jornalista.

«Acabou de cair aqui um homem», disse apontando para um barco encostado junto ao cais.

Em alguns pontos, os bancos de areia na baixa-mar, não permitem que os barcos se aproximem das escadas de acesso, obrigando os pescadores a trepar pelas embarcações mais altas para chegar a terra. Um dos pescadores que tentava fazer isso acabou por cair ao mar, ficando ferido durante a queda.

O INEM esteve no local a dar assistência à vítima de um acidente que os pescadores da Fuseta esperam que, num futuro próximo, deixe de ter razões de acontecer.

 

 

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