Encontros de Fotografia de Lagoa começam este sábado com exposições «surpreendentes»

A inauguração de cinco exposições de fotografia, de autorias diferentes, mas tendo em comum o tema «Para além do Azul […]

nuno loureiro_1A inauguração de cinco exposições de fotografia, de autorias diferentes, mas tendo em comum o tema «Para além do Azul do Mar», marca este sábado, dia 2 de agosto, a abertura oficial da primeira edição dos Encontros de Fotografia de Lagoa.

Estes Encontros de Fotografia, organizados pela Câmara Municipal de Lagoa em parceria com a Universidade do Algarve, têm, neste que é o seu primeiro ano, o mar como tema porque esse foi também o motivo escolhido pela autarquia para «toda a sua atividade em 2014», como explicou Nuno Loureiro, professor da Universidade do Algarve e responsável pela equipa organizadora.

Nuno Loureiro, que foi o convidado do programa «Impressões» da Rádio Universitária do Algarve (RUA FM), em parceria com o Sul Informação, explicou que «neste primeiro ano, fizemos uma programação assente em quatro linhas fundamentais: exposições com fotógrafos convidados, concursos, formação, com dois workshops, e as conversas abertas».

«A experiência deste primeiro ano dos Encontros vai permitir-nos definir melhor como é que se vai reforçar o futuro dos encontros e a sua orientação temática», acrescentou.

Este sábado, às 18h00, no Convento de S. José, em Lagoa, será inaugurado «todo o conjunto de exposições de fotografia destes Encontros», numa sessão que é pública. «Todas as pessoas estão convidadas e serão bem vindas».

A diversidade das exposições é «muito grande». A exposição-âncora, «O Conhecido Desconhecido», mostra o litoral de Lagoa fotografado por João Mariano, fotógrafo de referência no Algarve. É «uma proposta diferente, surpreendente, à volta do litoral de Lagoa, que ele foi fotografando numa série de saídas de campo que se fizeram a pé, de barco, de canoa», em «pontos de vista e olhares que não são habituais».

Um dos aspetos surpreendentes é o facto de todas as fotos serem a preto e branco. «Há uma imagem muito tipificada, o céu muito azul, as praias de areia muito amarelinha, o colorido dos chapéus de sol, os clichés de Verão. Aqui, o olhar para o mesmo território é totalmente distinto, totalmente surpreendente», explica Nuno Loureiro. É «uma exposição muito bonita e muito diferente sobre o litoral de Lagoa e do Algarve», garante.

encontros de fotografia de lagoaAbrirá ainda a exposição de Nuno Vasco Rodrigues, «Estado Líquido», patente não em Lagoa, mas na Sala de Exposições de Carvoeiro, que «é também um olhar muito particular sobre o mundo subaquático».

O autor «é um biólogo marinho, não é um fotógrafo subaquático», que «começou a trabalhar em fotografia para registar o que via debaixo de água. Traz-nos uma exposição em que o desafio que lhe foi feito é também distinto do habitual: pedimos uma fotografia muito no limite da fotografia abstrata, as cores, as formas, os volumes, as texturas. O resultado é fantástico e surpreendente», assegura Nuno Loureiro. Por isso, é «vivamente recomendado ir a Carvoeiro para ver esta exposição».

A terceira mostra é dedicada às «Fotografias de Baú» da coleção da família Gravanita, cujo pai, falecido recentemente, foi durante décadas, o fotógrafo oficial de funções públicas e privadas no concelho de Lagoa.

Nuno Loureiro explica: «fizemos uma pequena parceria com o Inácio Gravanita Filho, para ir, ao longo das várias edições dos Encontros, recuperando imagens do baú da família. É um património muito interessante que a família Gravanita tem e que faz parte da história de Lagoa e do Algarve».

É que, recorda o diretor dos Encontros de Fotografia de Lagoa, Inácio Gravanita fotografou de tudo, «desde os casamentos e batizados e essas festividades sociais, em que as pessoas se vestiam a rigor e iam tirar a fotografia, coisa que hoje já não acontece, porque é uma coisa banal. Mas fotografou também as atividades económicas, «a agricultura, vindima, pesca, recolha do sal, o início do turismo, da vinda dos estrangeiros e dos portugueses que vinham de fora do Algarve a banhos».

«Esta exposição apresentará 14 fotografias, mas a ideia é ao longo dos anos ir recuperando estas coleções».

Tendo em conta que o grande foco da mostra é um conjunto de fotos da Praia do Carvoeiro, estas serão «complementadas com fotografias atuais, dos mesmos pontos de vista, onde se vê, nestes 50 anos de diferença, o antes e o depois». Por exemplo, «as falésias envolventes da Praia do Carvoeiro estão completamente distintas».

E há também a exposição do Festival Internacional de Fotografia de Cabo Verde. «Vamos procurar internacionalizar estes Encontros de Fotografia de Lagoa, saindo um pouco do apenas Europa. Queremos, por exemplo, estabelecer pontes com África de expressão portuguesa, por isso fizemos uma parceria com uma associação de Cabo Verde, do Mindelo, e vamos tentar trocar exposições e iniciativas. Vamos tentar depois fazer parcerias com o Norte de África, com Marrocos, para ir abrindo estes diálogos interculturais».

nuno loureiro_2 Assim, também neste sábado, no Convento de São José, abrirá a exposição do concurso de 2013 do Festival Internacional de Fotografia de Cabo Verde. «É a primeira vez que é mostrada fora de Cabo Verde», salientou Nuno Loureiro.

Os Encontros de Fotografia de Lagoa incluem ainda dois concursos. Um que se chama «O Azul do Mar é para Todos», muito simples, em que se pedia que as pessoas concorressem com uma fotografia que servisse para a capa de Facebook dos Encontros. As melhores fotos foram sendo escolhidas em oito sessões semanais, que já terminaram.

Este concurso recebeu fotos de um concorrente da Índia e de outro de Espanha, mas a maioria foram concorrentes nacionais, embora alguns deles estrangeiros residentes no Algarve e no resto do país.

Quem quiser ver o resultado, ainda pode ver as melhores fotografias na página de Facebook dos Encontros. Mas o melhor mesmo é passar pelo Convento de S. José e ver as fotos na exposição que abre também este sábado.

Ainda a decorrer o concurso principal, denominado «Para além do azul do mar», ao qual se pode concorrer com portfólios ou com fotografias individuais e cujo prazo de submissão termina a 22 de agosto.

«Já estamos a receber candidaturas, portugueses, estrangeiros, nomeadamente do fotógrafo indiano, de Calcutá, que também foi premiado no outro concurso. E recebemos recentemente o contacto de um fotógrafo do Senegal», conta Nuno Loureiro. «Os Encontros neste momento já se vão internacionalizando».

O júri deste concurso é presidido por um fotojornalista de grande qualidade, Enric Vives-Rubio, profissional que trabalha para o Público. Segundo o diretor dos Encontros, Vives-Rubio «tem um cuidado estético muito grande na fotografia que faz e que publica».

o conhecido desconhecidoNo final de todo o processo, também este concurso dará azo a uma exposição, a inaugurar em Setembro.

A terceira vertente dos Encontros é a Formação. O primeiro curso a avançar, já com inscrições encerradas, é sobre fotografa subaquática e tem como formador Rui Guerra, pessoa de referência da fotografia subaquática.

Depois, no final de Agosto, início de Setembro, haverá «outro conjunto de formação, à volta do Lightroom, que é o software de edição mais utilizado pelos fotógrafos», tendo como formador o professor da Universidade do Algarve Fernando Amaro.

Neste caso, as inscrições ainda estão abertas e preveem-se dois níveis de formação, que são sequenciais. Um primeiro nível é para principiantes e depois há um segundo nível «para pessoas já conhecedoras». Quem quiser poderá fazer os dois cursos, de forma sequencial, de modo a «ficar com bastante à vontade a utilizar o Lightroom».

Nuno Loureiro salienta que «hoje, com a fotografia digital, e, no passado, com a analógica, uma parte importante da fotografia é o que está para além do disparar a máquina. O trabalho de fotografia, para ser um trabalho mais cuidado e de qualidade, faz-se não só no momento de tirar a fotografia e de usar bem o equipamento máquina fotográfica ou smartphone, mas também na edição da fotografia, do registo obtido pela máquina».

«O nível de satisfação das pessoas que estão a fotografar, que estão a gostar cada vez mais de fotografar, também se consegue com a utilização destes softwares», acrescenta. E para «dominar bem esses softwares», nada melhor que «uma ação de formação personalizada, com um processo de aprendizagem mais cordial, mais simples, orientado por uma pessoa que já tem muita experiência quer na utilização do software, quer no ensino, já que Fernando Amaro é o professor de fotografia da Universidade do Algarve».

E qual será o futuro destes Encontros de Fotografia de Lagoa? «Temos imensas ideias que vamos tentar concretizar nas próximas edições e também entre edições. Estamos a tentar que Lagoa e o Convento de S. José se vão tornando, no Algarve, um espaço de referência na área da Fotografia», sublinha Nuno Loureiro.

Por isso, «terminada a fase de exposição com este conjunto de mostras, e até aos próximos encontros no verão de 2015», o objetivo é que «entretanto tenhamos no Convento de S. José uma ou duas boas exposições de fotografia, que façam com que haja bons momentos de fotografia e não apenas espaços pontuais».

gravanitaConfessando não ter partido para a organização desta primeira edição com «expectativas muito altas», Nuno Loureiro frisa que a ideia é que, «daqui a dois anos, os Encontros comecem a entrar no panorama da fotografia portuguesa e comecem, muito lentamente, a aproximar-se de outros eventos importantes, como os Encontros da Imagem em Braga, o de Vila Franca de Xira».

Uma forma de o conseguir é levar as exposições para fora de Lagoa e até do Algarve. «Com as exposições do João Mariano e do Nuno Vasco Rodrigues, vamos querer fazer itinerâncias fora do Algarve», anunciou. Mas «também vamos ter algumas presenças na região, por exemplo, na Biblioteca da Universidade do Algarve».

No entanto, «sobretudo com a exposição de João Mariano, vamos querer entrar no circuito das exposições de Lisboa e do Porto, do Centro Português de Fotografia, porque de facto temos matéria prima muito interessante e também cumprimos um pouco outra função que é mostrar uma imagem diferente do Algarve».

Ideias não faltam, portanto. Para já, há quatro exposições para ver, um workshop onde participar e uma série de conversas abertas, que deverão ter lugar em Setembro, em Lagoa.

 

Se quiser, pode voltar a ouvir a entrevista na RUA FM este sábado, 2 de agosto, às 12h00 ou em www.rua.pt.

 

 

 

 

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