Tráfego na Via do Infante caiu quase para metade no último trimestre de 2012

O Tráfego Médio Diário (TMD) da A22/Via do Infante sofreu uma quebra de 48% no último trimestre de 2012, em […]

O Tráfego Médio Diário (TMD) da A22/Via do Infante sofreu uma quebra de 48% no último trimestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano anterior, indicam os dados da monitorização das Dinâmicas Regionais desenvolvida pelo Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve.

A par desta quebra acentuada do tráfego na A22 deu-se um aumento do tráfego em dois troços da EN125, o eixo regional longitudinal alternativo à antiga SCUT.

Assim, e ainda segundo os mesmos dados da CCDRA, o troço da EN125 Odiáxere-Estômbar registou um TMD de 19.429 veículos, o que corresponde a um aumento de 7,8% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011), enquanto o troço da EN125 Tavira-Monte Lagoa registou um TMD de 12.124 veículos, registando um aumento de 4,4%.

Nestes dois troços da EN125 registaram-se, nos quatro trimestres de 2012, aumentos do TMD muito significativos, relativamente aos trimestres homólogos de 2011, o que indicia, salienta a CCDRA, «uma clara “fuga” da A22 para eixos não portajados».

O único troço (monitorizado) da EN125 que não apresenta crescimento de tráfego é o troço da EN125 S. João da Venda-Faro Norte: o TMD de 37.962 veículos corresponde a um decréscimo de 1,7% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011), que se constitui como a oitava quebra trimestral consecutiva neste troço de acesso à cidade de Faro.

 

Decréscimos generalizados só com duas exceções

 

Aliás, quase todos os meios e modos de transporte registaram uma quebra muito generalizada dos fluxos no Algarve no 4º trimestre de 2012, segundo os dados do Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve.

As exceções são o ligeiro incremento dos indicadores associados ao transporte aéreo, no qual se destaca o peso crescente dos passageiros movimentados com os aeroportos do espaço nacional, e os aumentos de tráfego verificados em alguns troços da EN125, em estreita relação com a enorme descida nos volumes de tráfego ocorridos na A22.

De uma forma geral, houve decréscimos muito acentuados nos principais fluxos, sendo particularmente notórias as quebras no Tráfego Médio Diário dos grandes eixos rodoviários regionais e interregionais, acompanhados pelos decréscimos (embora menos acentuados) nos movimentos dos transportes coletivos rodoviários e ferroviários.

Ainda em relação ao tráfego rodoviário, os dados referem que o TMD no troço terminal da A2 na Região (S. B. Messines – Paderne) situou-se nos 4.464 veículos, o que corresponde a uma diminuição de 22% relativamente ao trimestre homólogo do ano anterior (2011).

Na Ponte Internacional do Guadiana, o TMD situou-se nos 8.192 veículos, ou seja, sofreu uma diminuição de 10,5%.

Tanto no troço terminal da A2 como na A22, o Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve salienta que «estas são as nonas variações trimestrais homólogas negativas consecutivas (desde o 4º trimestre de 2010)».

Regista-se, como se registou em todos os restantes trimestres de 2012, que os decréscimos deste ano são particularmente mais elevados do que em 2011.

Enquanto na A22 os fortíssimos decréscimos são explicados sobretudo pela introdução de portagens (em Dezembro de 2011) e pelo fim das isenções (Outubro de 2012), no troço terminal da A2, portajado desde a sua entrada em funcionamento (2002), a explicação para os acentuados decréscimos de tráfego passa sobretudo pela situação económica vivida no País.

À semelhança do que se observou em trimestres anteriores, verificou-se que a diminuição do tráfego no troço terminal da A2 (22%) não significou necessariamente um acréscimo do tráfego no troço alternativo do IC 1 compreendido entre S. B. Messines e Tunes, sem custos de portagem.

Também neste troço do IC 1, com um TMD de 5.783 veículos, se registou um decréscimo de 15,6% relativamente ao trimestre homólogo (de 2011).

De novo, e há já muitos trimestres consecutivos, tanto pela via portajada como pela via alternativa (não portajada) – que são os principais eixos viários de entrada e saída da região do Algarve –, registam-se acentuados decréscimos dos TMD, o que indicia não apenas uma efetiva quebra das deslocações de e para a região, mas também o consolidar da opção pelo transporte coletivo (ferroviário e rodoviário) que, mesmo com algumas variações trimestrais negativas, não são de valor tão baixo como as diminuições dos TMD naqueles dois eixos.

 

Transporte aéreo sobe ligeiramente

 

O transporte aéreo, por seu lado, registou um pequeno acréscimo no último trimestre do ano passado, segundo o Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDRA.

Assim, o Aeroporto Internacional de Faro registou um movimento de 7.029 voos e de 949.270 passageiros (ambos os valores reportam-se somente ao movimento comercial).

O número de voos verificado no trimestre corresponde a um ligeiro acréscimo de 0,2% relativamente ao trimestre homólogo (4º trimestre de 2011), enquanto o movimento de passageiros registou um acréscimo de 2,5% relativamente ao mesmo período.

Relativamente ao número de voos, o ligeiro acréscimo de 0,2% constitui uma inversão na série de quatro variações trimestrais homólogas negativas que já vinha desde o 4º trimestre de 2011.

No que diz respeito, ao movimento de passageiros, o acréscimo de 2,5% reforça a recuperação observada no trimestre anterior, que interrompeu uma série de três variações trimestrais homólogas negativas (também iniciada no 4º trimestre de 2011).

No trimestre, o Aeroporto Internacional de Faro movimentou 67.690 passageiros com os restantes aeroportos do espaço nacional, valor que corresponde a 7,1 % do total do movimento de passageiros no trimestre.

Comparativamente com o trimestre homólogo do ano anterior (2011), verificou-se um ligeiro decréscimo de 0,4% no movimento com os aeroportos nacionais que, ainda assim, não é compromete o significativo crescimento verificado nos últimos anos.

 

Transportes marítimo-fluviais em queda

 

No 4º trimestre de 2012, as carreiras que operam na Ria Formosa transportaram um total de 60.815 passageiros, o que corresponde a uma diminuição de 22,2% relativamente ao mesmo período do ano anterior (2011).

A carreira que assegura a travessia do Guadiana (Vila Real de Santo António – Ayamonte) transportou um total de 21.897 passageiros, ou seja, sofreu uma quebra de 14,9%.

Registam-se assim, em ambos os sistemas, decréscimos significativos no movimento de passageiros.

A acentuada descida do movimento nas carreiras da Ria Formosa, quando comparada com o trimestre homólogo de 2011, ficou-se a dever sobretudo ao facto de o tempo estival não se ter, como em 2012, prolongado pelo mês de Outubro.

No caso do sistema do Guadiana, o decréscimo do movimento de passageiros, também acentuado, insere-se numa tendência já longa de consecutivos decréscimos (apenas interrompida no 1º trimestre de 2012).

 

Transporte ferroviário continua a descer, apesar das portagens

 

No 4º trimestre de 2012, o sistema ferroviário regional (Lagos-Vila Real de Santo António) transportou um total de 333.048 passageiros, correspondendo a um decréscimo de 17,4% em relação ao mesmo período do ano de 2011.

Os comboios de Longo Curso (ligações dos serviços Alfa e Intercidades) movimentaram um total de 106.025 passageiros, ou seja, também aqui se verificou uma quebra, embora ligeira (0,6%).

O Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDR Algarve sublinha que, «no caso do sistema regional, esta é já a nona variação trimestral homóloga negativa consecutiva (desde o 4º trimestre de 2010)».

Quanto às ligações do Longo Curso, «e tendo em consideração o contexto recessivo e as perturbações causadas no normal funcionamento dos serviços por efeito das greves, poder-se-á considerar o ligeiro decréscimo (0,6% relativamente ao 4º trimestre de 2011) pouco significativo».

 

Transporte coletivo rodoviário também em queda

 

As ligações urbanas regionais transportaram, no último trimestre de 2012, 324.083 passageiros, o que representa um decréscimo de 8,6% relativamente ao trimestre homólogo anterior (2011).

As ligações interurbanas (regionais) transportaram um total de 1.535.709 passageiros, o que corresponde a uma diminuição de 5,6%.

As ligações interregionais asseguraram o transporte de 161.212 passageiros, tendo assim sofrido uma quebra de 4,9%.

Também as ligações internacionais (carreira Lagos-Sevilha) registaram um descréscimo, neste caso mínimo, de 0,1%, tendo transportado um total de 4.116 passageiros no último trimestre do ano passado.

Como principal destaque, como já vem sucedendo há três trimestres consecutivos, é a «notória ocorrência de decréscimos no movimento de passageiros em todos os quatro segmentos do transporte coletivo rodoviário», salienta o Observatório das Dinâmicas Regionais da CCDRA.

Os decréscimos mais relevantes ocorreram nas ligações urbanas – um segmento com quatro variações trimestrais homólogas negativas (todo o ano de 2012) – e nas ligações interurbanas regionais – um segmento que acumula já uma série de 20 trimestres consecutivos em queda.

As ligações interregionais apresentam um decréscimo de 4,9%, valor mais significativo que o decréscimo observado no modo ferroviário (0,6%), embora, em termos absolutos continue a movimentar um volume superior de passageiros (161.025 contra 106.025 no Longo Curso ferroviário).

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