Praia do Carvoeiro recebeu em festa os nadadores que partiram de Lagos (com fotos)

Partiram três nadadores da Praia da Batata, em Lagos, mas chegaram cinco à Praia do Carvoeiro. Este milagre da multiplicação […]

Partiram três nadadores da Praia da Batata, em Lagos, mas chegaram cinco à Praia do Carvoeiro. Este milagre da multiplicação dos nadadores teve a ver com o apoio que amigos e familiares quiseram dar ao trio que se propôs ligar as duas praias a nado, num total de cerca de 19 quilómetros (10 milhas), este sábado.

À praia do Carvoeiro (Lagoa), onde os esperavam dezenas de pessoas, que os receberam com uma salva de palmas e muitos abraços, chegaram então os três nadadores Paulo Sousa, Francisco Freitas e Mariana Santos, bem como a irmã da Mariana, a Sara, e ainda uma amiga, a Marta Catarino.

À chegada, exaustos, os nadadores queixaram-se da temperatura da água, que frente à praia de Alvor baixou aos 16 graus, e das condições do mar, com muita ondulação, correntes e vento.

Condições de tal forma difíceis que o único nadador que efetivamente cumpriu os 19 quilómetros sempre a nadar foi Paulo Sousa. Mariana e Francisco foram alternando entre a natação e o barco de apoio, para evitar a hipotermia.

«Nem sinto o maxilar, de tanto frio que tenho», confessava um cansado mas feliz Paulo Sousa, à chegada ao areal do Carvoeiro.

Por volta das 14h30, os nadadores passavam o molhe da Praia da Rocha

«Não trouxe o meu fato e foi uma estupidez», acrescentava, por sua vez, Mariana Santos, de 29 anos.

A ligação a nado entre as praias de Lagos e de Lagoa, que durou perto de seis horas no total (mais hora e meia do que o que tinham previsto à partida), faz parte da preparação do Paulo e da Mariana, que no próximo ano querem fazer a dupla travessia a nado do Estreito de Gibraltar. «Mas está visto que tenho que treinar o dobro, ou mesmo o triplo», admitia Mariana, após a dura jornada.

A jovem nadadora, que vive e trabalha em Londres e se confessa uma «workaholic», tinha chegado da capital inglesa no dia anterior e mal teve tempo de se readaptar à sua terra natal. «Lá tenho treinado muito, mas sobretudo corrida, porque tenho andado a fazer meias maratonas. Ainda no sábado passado fui correr a meia maratona em Reiquejavique [Islândia]e fui ultrapassada por velhinhas de 80 anos», contou Mariana, entre risos, em entrevista ao Sul Informação.

E natação, como tem treinado? «Treino sozinha, sobretudo em piscina de 50 metros. Ando a tentar nadar quatro quilómetros por hora, durante duas horas, e até a tentar diminuir o tempo, porque é essa velocidade que temos que fazer no Estreito de Gibraltar, por causa das marés».

Em águas abertas, as oportunidades de treino são mais escassas no frio clima inglês, mas, mesmo assim, há dois meses a Mariana e uns amigos ingleses fizeram uma prova no lago de Eton, onde decorreram as provas de remo e canoagem das Olimpíadas de Londres.

Os cinco nadadores à chegada à Praia de Carvoeiro

Na travessia da Praia da Batata a Carvoeiro, a meio da praia de Alvor, a Mariana começou a sentir-se em hipotermia e saiu da água. «Fui correr ao longo da praia e depois entrei no barco de apoio. O que me lixou foi o frio. Nunca mais nado assim, sem o fato».

A sua irmã Sara e a amiga Marta iam entrando e saindo da água para dar apoio ao trio de nadadores, mas a partir da Praia dos Caneiros (e ainda faltariam umas boas três milhas…) juntaram-se ao grupo e vieram todos a nadar até Carvoeiro, onde foram recebidos em festa.

E agora, o que se segue? «Agora temos que continuar o treino, para fazermos a dupla travessia do Estreito de Gibraltar em 2013», garantia Paulo Sousa, nadador que já atravessou aquela passagem em 2010 e é dirigente da associação O2. «E eu tenho que treinar muito!», acrescentou Mariana.

Enquanto os nadadores cumpriram o percurso no mar, por terra foram acompanhados pelos Village Runners e por voluntários que recolheram fundos para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

 

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