Professor catedrático Joaquim Romero Magalhães jubilado na Universidade de Coimbra

A última lição do professor catedrático Joaquim Romero Magalhães teve lugar no dia 18 de abril, no auditório da Faculdade […]

A última lição do professor catedrático Joaquim Romero Magalhães teve lugar no dia 18 de abril, no auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, momento que assinalou a sua jubilação e com ela o fim de 43 anos de docência, 38 anos dos quais como professor universitário.

Como se esperaria, a sua naturalidade e cordialidade, mas também rigor e competência há muito reconhecidos, levaram à Faculdade de Economia, naquela tarde chuvosa, muitos antigos alunos, colegas de faculdade e da Universidade de Coimbra, mas também das Universidades do Porto, Évora, ISEG e Algarve, o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, o seu antecessor, o reitor, a vice-reitora e ainda familiares e amigos.

Após a tolerância do quarto de hora académico e perante um auditório lotado, o professor Romero Magalhães principiou a lição, intitulada “Últimas Palavras?”, traçando, visivelmente emocionado e com a palavra cristalina que o carateriza, o seu percurso pessoal, académico e político, desde o nascimento em Loulé, até ao momento atual, a jubilação.

Considerou que, por ora, se inicia uma nova fase da sua vida, com a ambição de concretizar vários projetos em ideia.

Abordou ainda a sua passagem pela escola normal de Faro e posteriormente pelo liceu da mesma cidade, recordando com saudade o nome de alguns docentes que o marcaram, o ingresso na universidade de Coimbra, a docência no liceu D. Manuel II (Porto), a carreira universitária, a direção da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e do Conselho Científico do mesmo estabelecimento de ensino.

Frisou igualmente os cargos políticos que desempenhou, mantendo sempre as suas ideologias, que diz ter adquirido na infância passada em Faro, através do convívio com as classes mais desfavorecidas da capital algarvia.

Politicamente ocupou, após o 25 de abril de 1974, os cargos de deputado à Assembleia Constituinte, secretário de Estado da Orientação Pedagógica, durante um dos governos de Mário Soares, membro da comissão administrativa da Câmara Municipal de Coimbra, e ainda presidente da Assembleia Municipal daquela cidade.

O professor Romero Magalhães foi também comissário geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, membro da Comissão Consultiva das Comemorações do Centenário da República, entre outros.

Antes de finalizar a lição, destacou alguns dos nomes que o marcaram ao longo da vida, nomeadamente o seu pai, Joaquim Magalhães, ou ainda Magalhães Godinho, entre outros, e como este último lhe abriu as portas ao mundo da investigação histórica, facultando-lhe os livros de autores como Lucien Febvre, Ernest Labrousse e Fernand Braudel.

No final da preleção da lição, da qual foi ovacionado com uma prolongada e justa salva de palmas, juntaram-se a Romero Magalhães, na mesa de honra, o reitor da Universidade de Coimbra João Gabriel Silva, o diretor da Faculdade de Economia e antigo aluno do homenageado, professor doutor José Reis, o doutor Álvaro Garrido e a representante da Editora Almedina, que teceram rasgados elogios, prestando desta forma uma sentida homenagem ao professor de História Económica, que deixou vincada a sua marca naquela faculdade.

A cerimónia culminou com a apresentação da obra “Economia, Instituições e Império: Estudos oferecidos a Joaquim Romero Magalhães”, uma compilação de textos de vários autores, que se disponibilizaram a associar-se à homenagem ao ilustre algarvio Joaquim Romero Magalhães, uma personalidade que sempre “pensou pela própria cabeça, não se acomodando às ideias pré-concebidas”.

Com uma extensíssima obra publicada, muita da qual dedicada ao Algarve, cita-se, como meros exemplos, a sua dissertação de licenciatura “Para o Estudo do Algarve Económico durante o século XVI”, ou o seu doutoramento “O Algarve Económico 1600-1773”, entre muitos outros trabalhos que seria fastidioso mencionar.

A projeção adquirida por Joaquim Romero Magalhães como cidadão e professor tem sido reconhecida por diversas formas, a nível nacional e internacional, e é presentemente um dos mais ilustres algarvios.

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