Pesca da sardinha pode parar em Portimão devido a normas restritivas impostas pelo INRB

As 20 embarcações da Cooperativa dos Armadores de Pesca do Barlavento (Barlapescas) podem ficar em terra se uma medida do […]

As 20 embarcações da Cooperativa dos Armadores de Pesca do Barlavento (Barlapescas) podem ficar em terra se uma medida do executivo, baseada num estudo do Instituto Nacional dos Recursos Biológicos (INRB), não for suspensa “de imediato”.

Em carta enviada ao secretário de Estado do Mar, a que o Sul Informação teve acesso, a Barlapescas salienta que a diretiva do INRB (ex-IPIMAR) «pode lançar no desemprego cerca de uma centena de trabalhadores», já que reduz «a quota de pesca até maio para 400 toneladas de sardinha descarregada em lota, o que corresponde a um corte de 64%, comparando com as 1.100 toneladas descarregadas no ano de 2011».

A redução da quota implica, na prática, a paragem das embarcações da pesca da sardinha de Portimão. Por isso, a Barlapescas propõe a «suspensão imediata das medidas»

«Lançar estas medidas sem tempo para preparar uma paragem é do ponto de vista humano uma irresponsabilidade monstruosa», denuncia a Barlapescas, na sua carta assinada por Mário Dias Galhardo.

«Pior do que isto ainda é a infantilidade de fazer depender todo um setor, que vai da pesca à indústria até à comercialização, com milhares de postos de trabalho (…) em dados recolhidos num único cruzeiro acústico, sem replicados que os validem estatisticamente e com uma correspondência nula com os desembarques feitos pela frota de cerco».

«Se formos interpretar os resultados obtidos através das descargas em lota feitas pela Barlapescas, através de um esforço de pesca idêntico desde 2007 até 2011, podemos concluir que o recurso está em recuperação, pois demonstrou um crescimento contínuo e coerente a cada ano», considera a Barlapescas. Uma conclusão que é bem diferente das conclusões a que chegou o INRB e que esteve na base da imposição da medida restritiva.

A cooperativa de armadores afirmar ter «confiança na competência científica dos resultados demonstrados em cada uma das campanhas acústicas do INRB (Instituto Nacional dos Recursos Biológicos) e dos seus profissionais», mas salienta que «só o número insuficiente» de recolha de dados por parte daquele organismo explica «a discrepância grosseira entre os resultados obtidos nos cruzeiros com as descargas feitas em lota».

Por tudo isto, a Barlapescas propõe «a suspensão imediata das medidas de contenção, até que os dados estimados apresentem uma correlação coerente com os desembarques feitos em lota».

Para isso, os armadores até disponibilizam as suas embarcações e afirmam-se «dispostos a assumir o custo do combustível e dos pescadores necessários para realizar uma monotorização mensal ou quinzenal do recurso na nossa zona de influência, de forma a termos um número de replicados que confiram robustez aos dados».

Depois de apelarem a que as outras organizações de produtores subscrevam a sua proposta, de forma a conseguir «uma abrangência nacional do plano de monotorização», a Barlapescas frisa que «os maiores interessados em que seja feita uma correta gestão dos recursos somos nós, pois disso depende o nosso futuro, o futuro da pesca e acima de tudo o futuro das gerações vindouras».

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