Ruben Faria já está em Mar del Plata quase a arrancar para o Dakar 2012

O piloto algarvio Ruben Faria, que competirá no Dakar 2012, deixou o Algarve no passado dia 26. Num aeroporto de […]

O piloto algarvio Ruben Faria, que competirá no Dakar 2012, deixou o Algarve no passado dia 26. Num aeroporto de Faro praticamente vazio, conversou uma vez mais com o Sul Informação. Foi a sua última entrevista em Portugal, antes de partir para uma longa sequência de ligações aéreas que só terminou na Argentina.

Ruben Faria, depois dos autógrafos e de se deixar fotografar com alguns fãs, comentou com um sorriso que viajava muito satisfeito, ainda a dividir-se entre o saboroso bacalhau de um Natal familiar e a ansiedade turbulenta de que vai para o objetivo mais importante do ano, com cheiros e cores bem distintos.

«Cada Dakar é uma experiência de vida fantástica, mas também sabemos que vamos ter momentos horríveis. Por exemplo, a primeira noite, antes de arrancar, é um desastre. Estou sempre a pensar que não posso falhar. Não é pelo meu resultado, mas porque posso comprometer todo o resultado da equipa, e especialmente o do Cyril Despres. Não é nada fácil adormecer!»

As noites são mais difíceis do que os dias, revelou o piloto algarvio. «Durante cada etapa, no Dakar, estou quase sempre ocupado a pensar na própria corrida, se ganho ou perco tempo para os outros pilotos, se vejo ou não pó à frente e se isso me indica onde estão os meus adversários diretos, e se me ultrapassam penso o que é que fiz mal. Mas depois ficam sempre uns minutos para pensar noutras coisas…»

Ruben Faria não esconde que, nesses minutos, pensa «no que estou aqui a fazer, em vez de ser uma pessoa com um emprego normal, das 9h00 às 19h00, que não arrisca a vida como eu, que até ia morrendo dois quilómetros atrás e ainda estou a tentar recuperar depressa daquele susto!» Naturalmente, entre sorrisos, o piloto algarvio explicou que isso passa pela cabeça de todos os pilotos e faz parte da sua profissão, que não trocaria por qualquer outra.

A dureza das vitórias no ciclismo, explicou, é um referencial de motivação. «Muitas vezes me lembro do Contador numa etapa do Tour, no Alpe-d’Huez, a ser atacado à vez pelos irmãos Andy e Fränk Schleck, e a resistir a tudo. Acho que coisas destas animam qualquer um!»

 

Calor humano é brutal na América do Sul

E há, simultaneamente, o calor humano que não o deixa indiferente, e que na América do Sul afirma ser mesmo fantástico. «Não é como em África. Este calor humano é quase indescritível. Agarram-nos, pedem autógrafos, são milhares e milhares de pessoas entusiasmadas nas estradas, nas ligações entre as ‘especiais’ e os acampamentos. E se paramos num semáforo, por exemplo, ficamos completamente mergulhados no meio de mais de uma centena de pessoas. Por isso nunca paramos e, na verdade, só há tempo para seguir e acenar, para agradecer a toda a gente. Penso que só tenho uma palavra para descrever tudo isto: é brutal!»

Entre dormir e competir, pouco tempo sobra, revelou o piloto algarvio. «Depois de cada etapa é entregar a moto, desequipar rapidamente, tomar banho, ser massajado e ao mesmo tempo comer qualquer coisa, fazer o road-book e ouvir o briefing relativo ao dia seguinte, jantar e dormir. A alimentação é fundamental porque durante as etapas apenas há possibilidade de comer géis e barras energéticas, e beber água quente do camel back».

 

Ruben faz antevisão do Dakar 2012

Numa antevisão do Dakar 2012, Ruben Faria admite que a primeira etapa determinante vai ser a 5 de janeiro, entre Chilecito e Fiambalá, ainda na Argentina. «Serão uns 265 km complicados e que devem começar definir a ordem dos pilotos na tabela classificativa. Depois, na 7ª etapa, já no Chile e antes do dia descanso, vamos ter 419 km de SS (troço competitivo ou ‘especial’). Vamos demorar cerca de 5 horas para os fazer. Mas será só após o descanso que vai começar o verdadeiro rally. Da 8ª à 10ª etapas, cada uma tem mais de 500 km, e vão ser etapas de sete a nove horas seguidas em cima da moto, muito, mas muito mesmo, complicadas. Depois disso, já só os resistentes, vamos entrar no Peru, um país que ainda não conhecemos. A 11ª etapa serão mais 534 km de ‘especial’, com muita areia, e penso que ali as dificuldades vão ser levadas ao extremo».

O piloto algarvio conclui a sua antevisão afirmando que vão existir muitas surpresas, e admite que o Dakar 2012 vai ser mais exigente do que as anteriores edições.

A indefinição de quem vai vencer pode, por isso, persistir até ao final, o que é ótimo para manter o interesse do público.

Para a equipa KTM, pelo contrário, os objetivos são bem claros: mais uma vitória de Cyril Despres.

Para Ruben Faria os objetivos são também fáceis de traçar: a vitória do Cyril e, para si mesmo, um lugar no Top 5. Recorda a edição de 2011, em que esteve nessa posição nas etapas finais, mas um erro pessoal de navegação se traduziu por uma penalização de duas horas e o atirou para 8º lugar.

Ganhar etapas em 2012 também não está nos objetivos individuais, porque as exigências desta edição podem implicar que o algarvio seja, em qualquer momento, chamado a cumprir o seu papel de ‘suiveur’ do francês.

«A minha moto tem de estar sempre em bom estado. Isso pode não acontecer se eu andar muito depressa, para ganhar uma etapa. E se eu estiver à frente do Cyril, vai ser-me mais difícil ajudá-lo, caso seja necessário. Não nos podemos esquecer que estou estou lá para fazer um determinado trabalho numa grande equipa. Isto é mesmo assim, não é um mundo cor-de-rosa…»

 

Acompanhe o Dakar a par e passo

O último tema de conversa, entre Ruben Faria e o Sul Informação, incidiu sobre o acompanhamento, em Portugal, do evoluir, dia a dia, do Dakar 2012. Os seus fãs podem segui-lo através do seu Facebook de atleta e também através dos sites oficiais da competição (http://www.dakar.com/dakar/2012/us/rider/008.html) e da equipa KTM (http://www.ktm.com/ktm-ready-to-race.html). E obviamente podem ir seguindo a prova de Ruben aqui no Sul Informação, que irá acompanhar o Dakar 2012 a par e passo, embora…à distância.

Depois há a cobertura televisiva da Eurosport. Em termos nacionais, o piloto algarvio lamentou a falta de cobertura pela comunicação social portuguesa. «Somos o único país com pilotos de topo que não tem equipas de reportagem no terreno. A RTP não vai estar lá. Confesso que fico um pouco triste e não consigo perceber, mas também não me compete a mim tentar perceber, não é?»

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