Crianças de Vila Real de Santo António recriam antigas “Casas de Fogo”

A cozinha, organizada em torno da chaminé, era geralmente a casa de entrada nas habitações rurais e lugar central no […]

A cozinha, organizada em torno da chaminé, era geralmente a casa de entrada nas habitações rurais e lugar central no quotidiano da família. Aí, nas palavras do etnógrafo Benjamim Pereira “se faz o fogo, preparam os alimentos, as pessoas comem e reúnem nos tempos de pausa que marcam o ritmo do ciclo diário dos trabalhos. No desconforto geral das habitações do nosso arcaico mundo rural, era o lugar mais acolhedor e hospitaleiro.”

A “casa do fogo”, como lhe chamam no Algarve, era a divisão da casa onde os alimentos eram conservados e cozinhados, geralmente em panelas de barro ou ferro, no lume de chão.

À roda do fogo juntava-se a família para a refeição, sentada em bancos ou cadeiras baixas de buinho ou tabua. Era também um espaço de convivialidade onde aos serões se partilhavam acontecimentos diários, estórias e contos do nosso imaginário popular.

Como eram antigamente as nossas cozinhas? Como que se cozinhava no lume de chão junto à chaminé? Como é que o fumo saía das casas? Que recipientes e utensílios se utilizavam na preparação dos alimentos e às refeições? Como e onde eram conservados os alimentos?

São algumas das questões a que se procurou dar reposta nas Oficinas “Casas de Fogo” que a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António organizou, nos meses de novembro e dezembro, no Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela em Santa Rita.

Crianças de três turmas do 1º ciclo de Vila Nova de Cacela e Vila Real de Santo António envolvidas no projeto educativo “O que comiam os nossos avós? A alimentação no Sotavento Algarvio” foram desafiadas a criar miniaturas de antigas cozinhas da nossa região.

Depois de uma sensibilização sobre as relações entre a alimentação e as formas do homem se relacionar com os recursos naturais e habitar o território, começaram por construir a estrutura das casas e de diferentes tipos de chaminé, passaram para as pinturas com pigmentos naturais da região, terminando com a modelagem e recorte do mobiliário, recipientes, utensílios e alimentos que integravam as antigas cozinhas.

Uma forma divertida, engenhosa e criativa de ficar a conhecer melhor estas heranças materiais e imateriais ligadas à cozinha e alimentação.

As cerca de duas dezenas de casas de fogo, construídas por estes pequenos artífices, serão expostas, no primeiro semestre do próximo ano, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas.

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