Ana Passos e Esmeralda Ramires disputam Departamento das Mulheres Socialistas

Ana Passos, 44 anos, doutorada em Genética Microbiana pela Universidade de Leicester, ex-investigadora do CCMAR da Universidade do Algarve, atualmente […]

Ana Passos, 44 anos, doutorada em Genética Microbiana pela Universidade de Leicester, ex-investigadora do CCMAR da Universidade do Algarve, atualmente desempregada, nascida em Faro, e Esmeralda Ramires, 56 anos, ex-deputada pelo Algarve, técnica superior do IEFP e advogada, de Olhão. Estas são as duas candidatas a presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas (DMFS) do Algarve, cujas eleições estão marcadas para 12 de janeiro.

A primeira a fazer a sua apresentação pública foi Ana Passos, que convocou os jornalistas para o Café do Coreto, junto à Doca de Faro, na manhã desta segunda-feira. À noite, em Olhão, foi a vez de Esmeralda Ramires.

Ana Passos, ladeada por outras quatro mulheres que integram a sua lista – Maria José Mestre, de Tavira, Dulce Margarido, de Portimão, Marlene Guerreiro, de São Brás de Alportel, e Isabel Guerreiro, de Portimão – salientou que o seu grande objetivo, se for eleita presidente, é dar mais visibilidade «interna e externa» à estrutura algarvia das Mulheres Socialistas.

Sob o lema «Juntas pela Mudança», Ana Passos salientou que é preciso «tornar o Departamento mais dinâmico, mais visível». Por isso, uma das primeiras ações será «nomear uma secretária regional» que organize os aspetos logísticos do Departamento, mas que também faça a articulação entre as concelhias.

Depois, haverá uma grande aposta a nível da comunicação, criando um site e uma página no Facebook, através dos quais consigam chegar às outras mulheres socialistas e a todas as cidadãs e cidadãos. «Hoje em dia, qualquer organização, se não comunica, não existe», sublinhou Isabel Guerreiro.

A lista que tem como primeira subscritora Ana Passos pretende ainda nomear uma secretária regional para as autarquias, que terá como missão criar uma «rede regional de mulheres autarcas do PS».

O empreendedorismo feminino estará também na mira da lista de Ana Passos.

Outra área em que esta lista pretende investir fortemente é na formação, na «capacitação política das mulheres», ao nível estritamente político e ideológico, mas também do trabalho nas autarquias. «Um dos nossos objetivos é combater a sazonalidade da atividade política. De quatro em quatro anos, quando se aproximam as eleições, há atividade, mas depois, durante três anos e meio, há pouca. Daí a necessidade de formação, já que, para uma mulher, a participação ativa e permanente na política ainda continua a ser difícil», disse Marlene Guerreiro.

Ana Passos anunciou que a campanha inclui «reuniões nas diferentes secções do PS, para nos apresentarmos e para recolha de contributos para a moção final, mas também visitas programadas a instituições sociais, sobretudo as que acolhem mulheres em dificuldades, a empresas, de modo a destacar as boas práticas de mulheres, que, na vida empresarial, na política, na educação, na família, como mães e avós, são bons exemplos».

«Vivemos um momento que não nos deixa estar quietas. Por isso, não faremos uma campanha de balões e fitas, mas uma campanha de ação, de reflexão, de mostrar situações que precisam de ser postas à vista».

Quanto à amplitude dos apoios com que conta, além dos evidenciados nas mulheres presentes na conferência de imprensa, ao ar livre, junto à Doca de Faro, Ana Passos revela que a sua lista inclui nomes de uma ponta à outra do Algarve, de Aljezur a Vila Real de Santo António.

 

Esmeralda Ramires: «Determinação não me falta»

Por seu lado, promover a formação política das mulheres socialistas e dar especial atenção ao aumento do desemprego entre as cidadãs do sexo feminino são dois dos objetivos assumidos por Esmeralda Ramires, também candidata a presidente do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas (DMFS) do Algarve.

Olhão foi, esta segunda-feira à noite, o local escolhido para a primeira de três sessões informais de aproximação às militantes socialistas algarvias, que não são ainda ações de campanha, mas sim «sessões que pretendem ser, acima de tudo, conversas».

Esmeralda Ramires, que teve na plateia apoiantes como Sara Brito (Faro) e Célia Martins (Castro Marim), procurou em Olhão, como fará quarta-feira em Faro e na sexta-feira em Portimão, sempre na sede local do PS, recolher sugestões e opiniões que possam fortalecer o seu programa e candidatura, que só deverão ser apresentados, «provavelmente, daqui a uma semana ou mais». Promessas, apenas uma, para já. «Determinação não me falta», garantiu.

A ex-deputada socialista na Assembleia da República aproveitou a sessão para se dar a conhecer e também ao órgão a que se candidata. E explicou o porquê da sua candidatura: «com a renúncia da camarada Aldemira Pinho, não podíamos deixar este espaço vazio. Temos de utilizar todos os instrumentos ao nosso dispor para fazer passar a mensagem do PS».

No que toca ao trabalho do departamento, Esmeralda Ramires considerou que, na política, «há um caminho que as mulheres têm de fazer, mais árduo do que o dos homens, para intervir politicamente».

Em causa estão diversos fatores, considerou, dos quais destacou «as questões familiares», que muitas vezes impedem as mulheres de ser mais ativas na sociedade, nomeadamente, na vida política.

De há alguns anos a esta parte, as quotas mínimas de mulheres nas listas do PS têm permitido a entrada de mais mulheres na política, mas, para Esmeralda Ramires, no futuro, a escolha de mulheres para as listas deve ser natural. «Mesmo sem Lei da Paridade, devemos procurar esse equilíbrio dentro do PS», defendeu.

Daí que queira apostar na formação política das militantes socialistas, para que haja cada vez mais mulheres «a ter uma participação ativa». «Este departamento permite-nos criar dinâmicas de trabalho e de contributos políticos», acredita.

«Neste espaço, as mulheres podem habituar-se a intervir em público e à lide política, que não é uma arte fácil», ilustrou Esmeralda Ramires. E quem também ganha com isso, acredita, é o próprio Partido Socialista, já que as mulheres «têm uma sensibilidade diferente dos homens» e podem dar contributos únicos.

 

Texto de: Elisabete Rodrigues e Hugo Rodrigues

 

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