Madalena Victorino gostava de integrar toda a gente no espetáculo «Vale»

«As pessoas é que me escolhem a mim, e não o contrário. Eu quero-as todas!», ilustrou ao Sul Informação a […]

«As pessoas é que me escolhem a mim, e não o contrário. Eu quero-as todas!», ilustrou ao Sul Informação a coreógrafa Madalena Victorino, referindo-se a um dos aspetos chave da sua criação «Vale», que vai estrear-se amanhã, sábado, em Faro. Um espetáculo que «sempre que se apresenta é uma estreia», pois inclui no elenco população das cidades onde vai e momentos únicos criados em função dos voluntários.

A ideia do «Vale» é simples: juntar a um elenco de artistas profissionais um grupo de pessoas do local onde se apresenta, a quem apenas é exigida vontade de participar. «Estas pessoas transformam-se em artistas durante uma semana. Temos ensaios muito intensos», explicou.

Os voluntários «depois de saírem do trabalho, vão para o teatro viver». «Vêm para cá aprender, conversar sobre dança e até jantam cá. Desta forma, têm um contacto com os calabouços do teatro, que o público não conhece. Passam a ser espaços de familiaridade. Também conhecem os intérpretes de perto», contou.

Faro é apenas a primeira passagem de um périplo que irá levar o espetáculo e a equipa do «Vale» às outras quatro sedes de concelho da rede de cidades «Algarve Central». Depois da capital algarvia, Madalena Victorino vai para Loulé, seguindo-se Olhão, Tavira e São Brás de Alportel.

Em Faro, onde a peça é apresentada amanhã e domingo, serão 60 os voluntários que partilharão o palco com um elenco de oito bailarinos profissionais e seis músicos, que tocarão temas originais de Carlos Bica ao vivo. «Temos voluntários dos 4 aos 70 anos, homens, mulheres, meninos e meninas, rapazes e raparigas. Também faz parte do elenco uma senhora mais experiente», revelou Madalena Victorino.

Apesar de, noutras cidades, a dimensão do elenco não ser tão grande, já que tudo depende «do tamanho do palco», o entusiasmo não foi muito diferente de local para local. «Tem havido uma grande adesão. Em Loulé temos lista de espera e São Brás está cheíssimo», disse a coreógrafa.

Mas, se vive em Olhão ou em Tavira, ainda poderá ir a tempo de participar no «Vale». «Em Olhão ainda há quatro vagas. Em Tavira, podemos aceitar 10 a 15 pessoas», anunciou.

A participação é aberta a todos, pois, no projeto «Vale», «não há casting». «As regras de aceitação são numéricas e por ordem de inscrição», explicou Madalena Victorino. Os interessados «só têm de ir ao site da rede Movimenta-te (www.movimenta-te.com) e inscrever-se».

O resultado das residências artísticas que precedem a apresentação do espetáculo em cada cidade onde vai, como a que ainda decorre em Faro, são espetáculos intimistas e com grande relação com a cidade anfitriã.

«Criamos aqui momentos lindíssimos de celebração da própria cidade. Aquilo que os locais têm de mais belo são as pessoas. Ao envolvê-las, deixamos de ter algo que vem de fora e que pertence à própria cidade», ilustrou a coreógrafa.

«Vale» é uma criação de Madalena Victorino no âmbito do programa «Artenrede», que já correu o país e até já saiu fora de portas, com sucesso. «Este projeto tem tido sempre grande aceitação. Já estivemos em 20 cidades, em Portugal e fora, e houve sempre um grande entusiasmo», acrescentou.

Um dos seus segredos é «abrir espaços dentro de si para momentos únicos», pensados em conjunto com o elenco fixo e os voluntários e aproveitando as caraterísticas do grupo. Assim, podemos esperar que em cada uma das cidades visitadas na região, «Vale» seja sempre uma criação original.

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