Ciência: Vomerolfato ou o Sexto Sentido

Acha que tem um sexto sentido? Com certeza já alguma vez se viu perante uma situação pensando “estava mesmo a […]

Acha que tem um sexto sentido? Com certeza já alguma vez se viu perante uma situação pensando “estava mesmo a ver que isto ia acontecer”…Mas não, não me refiro a qualquer tipo de sentido de intuição ou premonição. Refiro-me, sim, ao críptico sentido do vomerolfato, que será o nosso verdadeiro sexto sentido.

E o que é então o vomerolfato? O vomerolfato é o sentido associado ao órgão vomeronasal, um pequeno órgão recetor localizado por cima do palato, atrás das cavidades nasais. Também chamado de órgão de Jacobson, em honra do médico dinamarquês que o re-descreveu no século XIX, o órgão vomeronasal é responsável pela deteção de estímulos químicos, tal como os que detetamos através do olfato e gosto.

Mas, neste caso, parece estar sempre implicado na deteção de estímulos químicos com características especiais: as feromonas. As feromonas são os mensageiros químicos trocados entre indivíduos da mesma espécie, ou seja, as moléculas usadas na comunicação química.

Apesar de ter sido estudado com detalhe em muitas outras espécies de vertebrados, nomeadamente em répteis, a sua existência e funcionalidade nos humanos adultos é ainda questionada, uma vez que ele foi detetado em embriões mas parece estar ausente em fases posteriores do desenvolvimento.

A importância do sistema vomeronasal (o conjunto do órgão de Jacobson e respetivos recetores nervosos) está geralmente associada ao seu papel no comportamento social de numerosos animais.

Mas, existem feromonas humanas? A existência de feromonas no ser humano daria indícios da utilização deste sentido críptico na nossa espécie. Um dos primeiros estudos a debruçarem-se sobre esta questão foi o feito por Martha McClintock no final da década de 60. Esta psicóloga americana questionou-se se seria ou não certo o mito popular de que havia uma tendência para a sincronização dos ciclos menstruais entre mulheres que conviviam ou viviam juntas.

No trabalho publicado na revista Nature em 1971, McClintock relata como as mulheres residentes num dormitório universitário, sem a presença de homens, adquiriam ciclos sincronizados. Esta sincronização seria induzida pela libertação de feromonas, como ocorre noutros comportamentos reprodutivos doutras espécies.

Mais tarde, em 1998, a mesma investigadora descobre que estas feromonas seriam libertadas juntamente com o suor das axilas. Ainda que muito criticados, estes estudos levaram a muitos outros que continuaram a explorar e alargar o nosso conhecimento acerca do papel dos estímulos químicos no comportamento sexual humano.

Há hoje muitos indícios de que, efetivamente, existem feromonas humanas e que, portanto, temos também nós esse sexto sentido, embora não tão místico como seria de supor. Assim, da próxima vez que se sentir estranhamente atraído por um desconhecido que por si passou, não pense que o cupido anda por aí perto…quiçá sejam as suas feromonas a entrar em ação.

Como dizia um famoso anúncio de há alguns anos atrás: Se um desconhecido lhe oferecer flores, isso é…vomerolfato!

 

Texto de: Diana Barbosa

Bióloga

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

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