Universidade do Algarve com orçamento reduzido corta nos professores convidados

A Universidade do Algarve vai efetuar fortes cortes na contratação de professores convidados, à luz da redução do seu orçamento, […]

A Universidade do Algarve vai efetuar fortes cortes na contratação de professores convidados, à luz da redução do seu orçamento, em 2012.

A universidade algarvia, à semelhança do que aconteceu às suas congéneres, viu as transferências diretas do Estado a descer 8,5 por cento, ou seja, receberá «cerca de 3 milhões de euros a menos» que em 2011.

O reitor da UAlg João Guerreiro falou mesmo num «orçamento de guerra» no programa radiofónico «Impressões», dinamizado em conjunto pelo Sul Informação e pela Rádio Universitária do Algarve RUA FM. A entrevista foi transmitida originalmente ontem e pode voltar a ser ouvida na íntegra no sábado às 12 horas em 102.7 FM ou em www.rua.pt.

O orçamento da UAlg para 2012 é de 55,4 milhões de euros, a maioria dos quais serão aplicados em despesas com pessoal. Deste dinheiro, a maior fatia serve para pagar a docentes.

«Tivemos que fazer com as faculdades e com as escolas um exercício de redução das despesas, com reflexo ao nível da contratação de professores convidados que estavam ou em regime de substituição de professores do quadro em processo de doutoramento, para os quais criámos facilidades nos últimos anos para se dedicarem a tempo parcial ao doutoramento, ou convidados que constituíam uma mais-valia para a universidade e traziam da sua experiências profissionais ensinamentos e competências», explicou João Guerreiro.

Devido aos cortes, os processos de doutoramento de muitos docentes da UAlg «provavelmente sofrerão atrasos». E o mais caricato, frisou o reitor, é que está a decorrer um processo «muito pesado» de obtenção do grau de doutor entre os professores dos quadros da UAlg, fruto de exigências da tutela. «Temos cerca de 140 processos de doutoramento em curso, alguns deles apoiados pela UAlg», disse.

«Esta medida entra em contradição com outra norma que nos obriga a ter professores contratados em determinado número de anos. Mas as políticas públicas são contraditórias. Por um lado, obrigam-nos a ter a formação dos docentes com determinado ritmo, mas depois não nos dão os recursos necessários», criticou João Guerreiro.

«Também entrámos na área do funcionamento, com a poupança de eletricidade e de outros recursos e com a renegociação de contratos de prestação de serviços. Em suma, é um orçamento que nos obriga a introduzir muito maior rigor na gestão da universidade e a prescindir de algumas colaborações externas que eram importantes para a universidade, mas que não conseguimos manter», resumiu.

Apesar de admitir que se perderá algo ao nível pedagógico, a UAlg irá tentar compensar a ausência destes inputs do mundo profissional através da «dinamização da capacidade da universidade contratar com empresas a colocação dos alunos em estágios profissionais».

A situação atual vai motivar «uma reestruturação geral» na UAlg, com maior incidência em duas unidades orgânicas, a Escola Superior de Engenharia (ESE) e a Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

Se no caso da ESE é o decréscimo do número de alunos e as muitas vagas que têm ficado por preencher que obriga a repensar a organização, na FCT, além de menos alunos, ainda se está a proceder à estabilização da união de três unidades orgânicas numa só faculdade, implantada há três anos.

«A proposta de orçamento está sempre muito ligada às transferências do Orçamento de Estado. Há muito pouca margem de manobra», ilustrou João Guerreiro. O que pode fazer a diferença são as receitas próprias, que vêm essencialmente de propinas.

Com o decréscimo, ainda que não muito substancial, dos alunos de 1º ano, nos cursos dos subsistemas universitário e politécnico, a UAlg está a investir noutras frentes, nomeadamente em mais oferta para o 2º e 3º ciclo e nos Cursos de Especialização Tecnológica (CET), que conferem o 4º nível.

Se por um lado nos cursos de 2º e 3º ciclo, vulgo mestrados e doutoramentos, o encaixe com propinas é bem mais substancial e a disponibilidade financeira dos alunos também tende a ser maior, por outro tem havido uma grande procura de todos os CET oferecidos pela UAlg. «Temos tido sempre mais candidatos do que vagas», revelou João Guerreiro.

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