Portugal entre países que continuam a permitir pesca de arrastão no mar profundo

Portugal é um dos países que continua a permitir a pesca de arrastão no mar profundo, nociva para o ecossistema […]

Portugal é um dos países que continua a permitir a pesca de arrastão no mar profundo, nociva para o ecossistema do mar profundo, alertam dois relatórios divulgados hoje por um coletivo de organizações defensoras da natureza.

“Apesar das resoluções consecutivas da ONU apelando à ação urgente, países como a Coreia do Sul, Rússia, Ilhas Cook, Espanha, Portugal, França, Austrália, Nova Zelândia e Japão continuam a permitir que os seus barcos pesquem no mar profundo em águas internacionais usando material de [pesca de] arrastão do fundo”, refere um comunicado.

Esta, continua, é “uma técnica altamente nociva, com implicações devastadoras para o futuro da vida marinha do mar profundo nos oceanos internacionais”.

A denúncia surge na sequência de dois relatórios de especialistas internacionais, um realizado durante um ‘workshop’ organizado pelo Centro Nacional de Oceanografia em Southampton e outro pela Coligação para a Conservação do Mar Profundo (DSCC na sigla inglesa), um coletivo de organizações como a Greenpeace e o Pew Environment Group.

Ambos concluem que, vários anos após a aprovação de duas resoluções da ONU (61/105 em 2006 e 64/72 em 2009) para proteger os ecossistemas do fundo dos oceanos, muitos países com a indústria da pesca ainda não as implementaram.

No primeiro estudo, os Açores são considerado um caso de referência porque a pesca de arrastão em mar profundo é proibida desde 2005, embora ainda seja permitida a pesca à linha em mar profundo.

Porém, há ainda barcos de pesca portugueses que continuam a usar este método, nomeadamente nas águas do Canadá, no noroeste do oceano Atlântico, referiu Matthew Matthew Gianni, da DSCC.

À data da última estatística feita pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, em 2006, 80 por cento dos 285 barcos que pescavam em mar profundo pertenciam a 10 países, entre os quais Portugal.

Gianni atribui o atraso na implementação das resoluções à “falta de vontade política” e, admite, a possíveis “interesses da indústria” pesqueira.

Mas o risco é que várias das espécies que vivem no mar profundo corram cada vez maior risco.

Outro cientista, Alex Rogers, professor de Biologia da Conservação da universidade de Oxford, afirma existirem provas de danos nos corais e fauna que vive no fundo do mar, nomeadamente no nordeste Atlântico.

“A situação é tal que a ONU tem de agir, seja proibir a pesca naquelas zonas ou pelo menos dar um prazo final para a implementação das resoluções”, afirmou à agência Lusa.

Rogers e Gianni são dois dos especialistas que irão participar num debate sobre as pescas no mar profundo a 15 e 16 de setembro na ONU em Nova Iorque.

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