ACTA estreia no sábado a primeira criação de Leszek Mądzik em Portugal

A ACTA convidou o criador polaco Leszek Mądzik, que apresentará o seu trabalho pela primeira vez em Portugal, para trabalhar no espetáculo «Ardente», […]

Trabalho de Leszek Mądzik

A ACTA convidou o criador polaco Leszek Mądzik, que apresentará o seu trabalho pela primeira vez em Portugal, para trabalhar no espetáculo «Ardente», que estreia este sábado, dia 1 de outubro, às 21h30, no Teatro Lethes, em Faro.

A peça sobre Pedro e Inês volta ao palco, nos dias 2, às 16h00, e entre 5 e 8 de outubro, às 21h30, seguindo depois para a Polónia, onde participará nos festivais de teatro de Lublin e Opole.

O encenador Leszek Mądzik é polaco, co-fundador da Scena Plastyczna KUL, e criador de dezanove espetáculos. Na sua carreira destaca-se ainda a autoria de projetos em teatros da Polónia, França, Alemanha e agora Portugal, o ensino de artes plásticas em diversas escolas, a participação em dezenas de festivais nos cinco continentes, tendo sido já laureado em muitos deles.

Optou por um teatro sem palavras há muito tempo. Segundo Leszek Mądzik, a razão para o silêncio nos seus espetáculos é a profunda convicção de que existem esferas da realidade humana que não sucumbem à palavra falada. «Ao falar sobre essas esferas estamos constantemente a mutilar e a distorcê-las», refere.

A sua profundidade real e verdade podem, porém, ser processadas quando os meios adequados de expressão artística são aplicados. Leszek Mądzik tenta articular essa realidade humana impronunciável através de ritmos, luz e humor.

Para o encenador, o que está mais escondido nas profundezas – as paixões finais e estados existenciais – nunca conseguem atingir em pleno a consciência e não podem ser compreendidas de forma racional. «Amor, fé, santidade, terror, o sentimento do finito, a morte – é o que preenche o espaço desses espetáculos», afirmou Mądzik, quando foi forçado a escrever sobre a sua criatividade.

No seu teatro «cósmico», o artista de Lublin dá vida e reabilita arquétipos enterrados, dando aos espetadores uma oportunidade renovada para uma perceção pré-racional do mundo. Por sua vez, o frágil universo onírico dos seus espetáculos é criado com as sombras e os movimentos de forma artística elaborada, subjugada ao ritmo marcado pela música.

O espetador fica «sozinho na multidão», porque é separado, pela escuridão, dos outros espetadores e do palco. Com a sua imaginação, vagueia através de outras dimensões da realidade apreendida pelo poder do Bem e do Mal. Esforça-se para se comunicar com o mundo – o que está no palco, bem como o que está para lá dele.

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