BE questiona falta de enfermeiros e assistentes na Cirurgia Nascente do Hospital de Faro

A equipa de enfermeiros do serviço anunciou que irá «prestar os cuidados mínimos» e solicita «o encerramento de camas» até a situação ser resolvida

O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre «a carência de enfermeiros e assistentes operacionais no Hospital de Faro, designadamente no serviço de Cirurgia Nascente», um serviço de internamento que «foi nomeado recentemente como Centro de Referência para o Diagnóstico e Tratamento do Cancro Colo-Rectal».

João Vasconcelos, deputado bloquista eleito pelo Algarve, quer saber o que pensa o Ministério da Saúde fazer para resolver, «com urgência», esta situação e «que medidas estão a ser tomadas para contratar profissionais em falta de forma a garantir uma melhor capacidade de resposta à comunidade hospitalar de Faro e em todo o Centro Hospitalar Universitário do Algarve».

A situação foi denunciada ao BE pela própria equipa de enfermagem do serviço, que anunciou, segundo aquele partido, «que irá definir prioridades, ou seja, prestar os cuidados mínimos até à resolução da situação acima exposta. Desta forma, solicita o encerramento de camas, caso não se verifique o reforço imediato da equipa de enfermagem e assistentes operacionais».

Segundo o BE, o serviço em causa – Cirurgia 1 Nascente-Urologia-Oftalmologia – tem capacidade para internar 39 utentes, «verificando-se por vezes 1 a 2 doentes em macas extranumerárias, onde é notória a falta de privacidade e diminuição da segurança dos cuidados prestados».

A equipa de enfermagem é constituída atualmente por 32 elementos, «mas 13 encontram-se ausentes».

«Assim, apenas se encontram no período normal de trabalho 19 enfermeiros. Só para os 3 turnos do dia são necessários 16 enfermeiros para assegurar a qualidade da prestação de cuidados em enfermagem. Mas é preciso ter em conta os períodos de descanso conforme estipula a legislação laboral. Desta forma, é necessário recorrer de forma sistemática ao trabalho extraordinário. No passado mês de Agosto verificaram-se graves lacunas no serviço em causa», asseguraram os bloquistas.

Segundo os elementos da equipa de enfermagem, citados pelo Bloco de Esquerda, «dificilmente se conseguirá manter a qualidade dos cuidados», o que abre espaço «para a elevada probabilidade no aumento dos seguintes efeitos adversos: úlceras por pressão, infeções associadas aos cuidados de saúde (infeção do local cirúrgico, infecção urinária em doente algaliado), episódios de quedas, erros de medicação, desvios no sistema de classificação de doentes por níveis de dependência, predisposição a acidentes de trabalho e burnout». Também em causa está «a vigilância de doentes críticos internados».

«No serviço em causa também existe uma grande falta de assistentes operacionais. No mês de Agosto, dos 12 elementos destacados para o serviço, apenas 6 se encontravam presentes no período normal de trabalho, sendo que 4 encontravam-se ausentes por doença e 2 em licença de férias. Perante tal situação grave, houve o recurso ao trabalho extraordinário. A agravar toda a situação, a falta destes profissionais num turno de trabalho leva a que a atribuição de parte das suas funções seja exercida pelo pessoal de enfermagem», acrescentou o BE.

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