Presidente da República viu, ouviu e consolou Monchique e Silves, mas, para já, não avalia

Primeiro «é preciso terminar a batalha» e a época de combate aos fogos. Depois, «com serenidade», será feita a avaliação […]

Primeiro «é preciso terminar a batalha» e a época de combate aos fogos. Depois, «com serenidade», será feita a avaliação e um balanço de como tudo correu. O Presidente da República esteve este sábado em Monchique e em Silves, para estar em contacto com os operacionais que combateram o incêndio, com autarcas e voluntários, ouvir os testemunhos daqueles a quem o fogo causou prejuízos, mas também, para ver com os seus próprios olhos as zonas mais afetadas com o fogo.

Numa jornada em que Marcelo Rebelo de Sousa revelou, mais uma vez, a sua imagem de marca de “presidente dos afetos”, não houve selfies, mas houve abraços de conforto e sorrisos. Ao mesmo tempo, houve quem não escondesse a sua revolta e pedisse que fossem apuradas responsabilidades.

O Presidente da República cedo deu a entender que não estava ali para julgar ninguém, mas não deixou de defender que não deve haver «triunfalismos, que não se justificam» em relação à ausência de vítimas no fogo.

Nunca admitindo que este era um recado para o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, que ontem considerou, numa visita a Monchique, que é «absolutamente extraordinário» que ninguém tenha perdido a vida no incêndio que lavrou ao longo de uma semana no Algarve, Marcelo Rebelo de Sousa também rejeitou os «juízos negativos definitivos», neste momento.

Aliás, fez questão, não só, de se reunir com os responsáveis operacionais pelo combate ao fogo, mas também de deixar uma palavra de reconhecimento à GNR e de abraçar alguns dos seus elementos.

Quanto ao balanço, «deve ser feito de uma forma distanciada, a frio» e por pessoas «que não tenham estado no teatro de operações, nem no meio dos fogos». É que, «caso esta avaliação for feita serenamente, será muito útil para o futuro».

Em Monchique, além de visitar o centro de comando e a escola EB 2,3 de Monchique, onde foi criado o centro de acolhimento e onde ainda estão a trabalhar muitos voluntários, Marcelo Rebelo de Sousa esteve nas Caldas de Monchique, onde o fogo rondou as unidades hoteleiras ali existentes, obrigando à evacuação de centenas de turistas. Dominado o fogo – ainda não está extinto, como indicia a atividade de bombeiros que ainda se pode ver na Serra – o Presidente da República ficou satisfeito por ver que o fogo não entrou nas Caldas propriamente ditas e até já pensa em passar ali uns dias de férias.

Veja o vídeo:

Também no concelho de Monchique fica Alferce, aldeia que na noite de domingo e madrugada de segunda-feira viveu horas de enorme aflição e teve as chamas junto à povoação. Aqui, os habitantes queixam-se de ter sido deixados à sua sorte, sem qualquer bombeiro, quando as chamas chegaram. E foram vários os testemunhos de revolta, o mais pungente dos quais de José Marques dos Santos, de 79 anos.

Veja o vídeo:

A reconstrução e compensação dos danos foi outras das preocupações que foram transmitidas a Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou a resposta tem de ser dada «o mais depressa possível». E estas não são palavras deitadas ao ar, assegurou. «Eu não me esqueço, o Governo não se esquece e eu não me esqueço de lembrar o Governo», disse.

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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