Ofertórios das missas na Diocese do Algarve apoiam vítimas do incêndio de Monchique

Cáritas Diocesana criou conta exclusiva para donativos destinados às vítimas do incêndio

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os ofertórios das missas dos dias 18 e 19 de Agosto vão destinar-se a apoiar vítimas carenciadas do incêndio que assolou a região do Algarve, nomeadamente nos concelhos de Monchique, Silves e Portimão.

D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, numa reunião em Monchique com Arminda Andrez, vice-Presidente da Câmara de Monchique, Tiago Veríssimo, pároco da Paróquia de Monchique, José Gonçalo, presidente da Junta de Freguesia e com o presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, tomou a decisão, que já foi comunicada a todos os párocos da Diocese e será comunicada às comunidades neste fim-de-semana.

«Estou certo de que esta decisão corresponde ao sentir, não só do povo cristão algarvio, mas também de quantos nos visitam em tempo de férias e têm acompanhado, com sentimentos de grande solidariedade, o sofrimento dos mais diretamente atingidos por este incêndio de proporções tão devastadoras», afirmou o Bispo do Algarve.

O valor angariado nestes peditórios será gerido unicamente pela Cáritas da Diocese do Algarve, juntando-se à verba disponibilizada pela Cáritas Portuguesa e por outras Cáritas Diocesanas.

Todos os donativos deverão ser feitos através do IBAN PT50 0010 0000 2271 5720 1085 0, conta da Cáritas da Diocese do Algarve, destinada a ajudar as vitimas do incêndio que afetou os concelhos de Monchique, Silves e Portimão.

O valor angariado servirá para fins que os programas do Estado e outros oficiais não contemplem, «tendo como destinatários os mais necessitados destas áreas assoladas pelos fogos, complementando, assim, a ajuda que virá de fundos oficiais», explica a Diocese.

O programa “Porta de Entrada”, por exemplo, criado pelo Estado depois do incêndio de Pedrógão, não contempla nas suas rúbricas de apoio os equipamentos para as casas destruídas e essa poderá, segundo a Diocese, «uma das ações promovidas pela Cáritas com as verbas que estiverem disponíveis».

Carlos Oliveira, presidente da Cáritas algarvia disse ter comunicado à Câmara Municipal de Monchique a disponibilidade para «atuar imediatamente» sem «formalismos e burocracia», tal como aconteceu nos fogos de 2003, após os quais ajudaram na reconstrução de 12 casas no concelho de Monchique e uma no de Portimão.

Eletrodomésticos, mobiliário, equipamentos de rega, alfaias agrícolas e colmeias também poderão constar dos apoios garantidos por esta instituição da Igreja Católica, como forma de apoiar o renascimento económico e o esforço de quantos necessitarão de retomar as suas atividades profissionais.

O Bispo do Algarve tinha estado em Monchique na tomada de posse do novo pároco, no dia 4 de Agosto, quando o incêndio já tinha deflagrado. Depois disso, «por terem sido bloqueados os acessos à vila, não pode deslocar-se novamente a Monchique. Apesar disso, manteve-se em contacto próximo e diário com os responsáveis da paróquia», conta a Diocese.

Nesta última deslocação, o Bispo do Algarve aproveitou para visitar o quartel dos Bombeiros locais e para perceber o trabalho desenvolvido pelo Agrupamento do Corpo Nacional de Escuteiros desta localidade.

«Estou certo», afirmou D. Manuel Neto Quintas, «de que o povo de Monchique, tão generoso em apoiar quantos passam por situações de necessidade, um povo de “mangas sempre arregaçadas”, saberá, mais uma vez e com a ajuda de todos, renascer das cinzas e curar feridas abertas sobre cicatrizes anteriores, “gerando” uma nova serra de Monchique, que continue a ser o seu orgulho e o seu “celeiro”, espaço natural aprazível para todos».

Na quinta-feira à tarde, dia 9 de Agosto, o prelado esteve no Portimão Arena para contactar com a presidente da Câmara Municipal Isilda Gomes e visitar os desalojados que para ali foram evacuados.

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