FOMe junta-se à vontade de comer em seis concelhos do Algarve

Seis concelhos juntaram-se à ACTA para renovar o FOMe

Junta-se o FOMe à vontade de comer para um Festival de Objetos, Marionetas e Outros Comeres, com a gastronomia como pano de fundo. Albufeira, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel e Tavira acolhem esta iniciativa, de 14 a 29 de Setembro, com espetáculos em que as personagens são utensílios de cozinha ou uma simples metáfora para falar da sociedade de consumo. 

Este ano, a grande novidade deste FOMe, evento criado e organizado pela ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, é o facto de se realizar em seis concelhos, expandindo-se a todo o Algarve Central.

«Não foi fácil», começou por enquadrar Luís Vicente, diretor da ACTA, na apresentação do festival, realizada esta quinta-feira, 23 de Agosto, no bar Pé de Copos, em Faro. Mas, com maiores ou menores dificuldades, por exemplo devido «aos timings», o FOMe está aí.

«Esta realização nasceu de uma dinâmica que fomos conseguindo com o VATe – Vamos Apanhar o Teatro, o projeto educativo da ACTA. Esta edição não corresponde àquilo que desejaríamos fazer e estamos convencidos de que vamos fazer melhor na próxima edição, na qual já estamos a trabalhar», considerou o diretor artístico da ACTA.

Luís Vicente, Jennine Trévidic, Paulo Santos, Gracinda Rendeiro, Vítor Guerreiro e Vítor Aleixo

Do programa, fazem parte 34 espetáculos, uma exposição e duas formações (uma em teatro de marionetas de luva tradicional, que se vai repetir em todos os municípios, e outra, mais alargada, em teatro de objetos, apenas em Loulé).

O festival assume carácter internacional, recebendo, além de seis companhias portuguesas, outras tantas estrangeiras.

Os espetáculos a apresentar não terão, necessariamente e apenas, como ponto de partida, a gastronomia, mas poderão relacionar-se com o tema, representando-o por meio de metáforas e através do questionamento intelectual e artístico tão próprio da arte do teatro.

E porquê a gastronomia? O tema foi escolhido por esta ser «uma linguagem universal», querendo explorar, também, «aquilo que o Algarve tem de melhor nessa área», explicou Jennine Trévidic, da ACTA, mentora do festival.

Por exemplo, em “Un Elefante con Hambre” (Um Elefante com Fome), da companhia argentina Tuti, cruza-se o trabalho de um clown com as marionetas, para falar da fome como «vontade de fazer e de criar», disse.

Este é um espetáculo que se realiza a 22 de Setembro, no Claustro do Convento do Espírito Santo, em Loulé, às 10h30, e no Largo da Igreja de Querença, no mesmo dia, mas às 18h30. No dia seguinte, será na Avenida da República, em Olhão, às 18h00, e, no dia 25, às 10h30, no Teatro Lethes de Faro.

Por fim, “Un Elefante con Hambre” passa pelo Auditório Municipal de Albufeira, no dia 26, às 10h30, e, pelo Jardim Carreira Viegas, em São Brás de Alportel, às 11h00 do dia 29 de Setembro.

Ainda antes, é com “Lúmen – Uma História de Amor”, a 14 de Setembro, que se começa a matar a fome. Para as 22h00, está marcado o encontro, no Largo do Carmo, em Faro. Dali, 10 marionetas, de três a cinco metros, vão desfilar pelas ruas da cidade até ao Largo da Sé. Lá haverá o espetáculo, bem como video-mapping.

De momento, «estão abertas inscrições para a participação neste projeto», procurando-se pessoas «com mais de 12 anos». A formação é gratuita, decorre de 4 a 14 de Setembro, na Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, e dá direito a diploma no final. As inscrições, essas, podem ser feitas contactando a ACTA, através do telefone 289 878 908.

Mas, voltando à ligação entre o FOMe e a gastronomia. Em “Os Transportadores”, da Radar 360 – Associação Cultural, por exemplo, questiona-se os excessos, a carência e a própria sociedade de consumo. As exibições serão a 26 de Setembro, às 22h00, na Rua da Nossa Senhora da Piedade, em Loulé, e no Parque do Palácio da Galeria de Tavira, a 28 de Setembro, às 22h00.

Um dos destaques do programa vai para “Janet”, da companhia inglesa Helenandjohn, em que as personagens são utensílios e objetos de cozinha. Será a 20 e 21 de Setembro, às 19h00, no Pé de Copos RestoBar, em Faro, e, no dia 28, nos Claustros do Convento do Espírito Santo, em Loulé, às 21h00, com direito a folhados de Loulé e licores.

Luís Vicente

No fundo, a programação feita em rede quer transparecer aquilo que se faz no teatro de luva, mostrando as diferenças entre países, bem como na área das marionetas de fios e teatro de objetos. Haverá, por isso, marionetas tradicionais de madeira da República Checa (em “Circo de Madeira”) e diferentes performances de teatro de luva, como o caso de “Pulcinella”, de Itália, “D. Roberto”, de Portugal, e “Punch and Judy”, de Inglaterra.

O final do FOMe será a 29 de Setembro, nas Muralhas de Faro, a partir das 16h00, e com concerto da Kumpania Algazarra. Antes, às 21h30, há o já habitual lançamento do balão FOMe.

Paulo Santos, vice-presidente da Câmara de Faro, também esteve na apresentação do festival, prevendo um «grande sucesso com adesão de público» para a edição deste ano.

Gracinda Rendeiro, vereadora da Câmara de Olhão, aludiu ao facto de este festival unir seis municípios.  «Trabalhar em conjunto deve ser o objetivo das autarquias», referiu.

Quanto a Vítor Guerreiro, presidente da Câmara de São Brás de Alportel, felicitou Luís Vicente, diretor artístico da ACTA, por mais uma iniciativa, apelidando-o de «embaixador da cultura no Algarve».

Durante três edições, está assegurado que o FOMe passará por Albufeira, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel e Tavira. É que o acordo entre os Municípios e a ACTA, com apoio do CRESC Algarve 2020, foi firmado para três edições.

E, assim, continuar a fazer crescer água na boca. Para consultar o programa completo clique aqui. 

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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